Os mesopotâmios foram, das civilizações da Antiguidade Oriental, provavelmente os mais importantes no campo da Astronomia, pela quantidade e qualidade de suas observações e trabalhos em tal área. Na Mesopotâmia, (região do atual Iraque) surgiram e se desenvolveram vários povos a partir de 3500 a.C. (aproximadamente). Os sumérios roam os primeiros e fundaram importantes cidades (como Ur, Nippur e Babilônia). Depois se desenvolveram, mais ao norte, os acádios e assírios (de origem semita), que também criaram cidades importantes, (como Agadé, Assur e Nínive). Disputas, entre diferentes povos, pela conquista da região ocorreram até o início da Era Cristã.

            A invenção da escrita, pelos mesopotâmios, é de importância sem igual para o conhecimento que temos sobre suas atividades na área astronômica. No templo de Nippur foram encontradas cerca de 50.000 “tabuinhas” de argila abrangendo um período entre 2000 e 450 a.C., que mostram que a Astronomia na Mesopotâmia foi não só observacional, mas também teórica, onde a matemática teve um importante papel.

            Desenvolveram um sistema de numeração baseado no número 60. Assim, dividiram o circulo em 360°, cada grau em 60 minutos (’), e cada minuto em 60segundos (”) de grau. Determinaram a duração do dia com precisão, com base no movimento do Sol e das estrelas, e dividiram-na em 12 partes iguais (nasciam as horas). Para as noites, foi feito o mesmo procedimento. Cada hora foi dividida em 60 minutos de tempo, estes últimos também foram divididos em 60 partes iguais, segundos de tempo.

            Realizaram observações sistemáticas do movimento do Sol, da Lua e dos planetas. Determinaram o período da lunação (mês das fases, ou mês sinódico), o período do movimento anual do Sol (ano trópico ou das estações), a inclinação (obliquidade) da trajetória anual do Sol por entre as estrelas (Eclíptica) em relação à sua trajetória diurna, e sabiam que a velocidade com que a Lua órbita a Terra muda. Os babilônios podiam prever eclipses, particularmente os lunares, pois conheciam o Período de Saros (cerca de 18 anos e 10,5 dias depois de um eclipse, ocorre outro com as mesmas características). Observaram que, desde os primeiros tempos, os planetas são vistos sempre numa larga faixa em volta da Eclíptica, onde criaram várias constelações. A maioria destas constelações representava figuras de animais e esta faixa foi denominada Zodíaco (círculo de animais). Dividiram o zodíaco em 12 partes iguais (de 30° cada), originando os signos. Observaram e determinaram as datas dos nasceres helíacos dos planetas, verificando que ele voltavam à mesma posição num período praticamente constante (período sinódico dos planetas).

            A partir dos conhecimentos de tais povos foi possível a criação de um calendário muito preciso que foi se aprimorando com o tempo. O mais usado era o luni-solar, que continha 12 meses lunares (mês das fases). O mês das fases tem a duração de aproximadamente 29,5, e por isso, utilizavam meses alternados em seu calendário civil. O que acarretava uma duração de 354 dias para o ano civil, que era, portanto, cerca de 11 dias mais curto que a duração do ano solar. Com o decorrer dos anos civis, aumentava a diferença entre o início de uma estação em relação àquela de anos anteriores, de modo que, em 9 anos essa diferença correspondia a uma estação. Para resolver o problema, adicionavam, periodicamente, mais um mês ao ano.

            A semana, uma das mais antigas criações dos mesopotâmios (utilizada já no 3° milênio a.C.). Segundo suas concepções, os planetas eram deuses e influenciavam os acontecimentos na Terra, e até a vida das pessoas. Dedicaram o primeiro dia ao Sol (o deus mais importante), que presidia a primeira hora deste dia. As horas seguintes eram presididas pelos outros planetas (na ordem: Vênus, Mercúrio, Lua, Saturno, Júpiter, Marte, e novamente o Sol, dando início ao ciclo novamente). Deste modo, a primeira hora do dia seguinte seria presidia pela Lua, e então este dia seria dedicado a ela. Desta maneira, dedicaram o terceiro dia a Marte, o quarto a Mercúrio, o quinto a Júpiter, o sexto a Vênus, e o sétimo a Saturno. Foi deste ciclo de adoração e do período de tempo de uma fase lunar que surgiu a semana. Confira, na tabela ao final deste texto, que o Português é uma das poucas línguas modernas que não adota derivados dos nomes dos planetas da Antiguidade para os dias da semana.

            Todos esses conhecimentos astronômicos foram obtidos pelos mesopotâmios com persistentes e sistemáticas observações realizadas durante séculos e até milênios fazendo uso de aparelhos muito rudimentares. Os principais eram o Gnomon, a Clepsidra, e o Pólo. O Gnomon é o instrumento astronômico mais antigo de que se tem notícia. É, básicamente, uma haste longa e afinada, colocada verticalmente ao solo, cuja sombra permite a determinação da posição do Sol. Os primeiros relógios solares derivam deste instrumento. A Clepsidra é um marcador de tempo formado por um recipiente cheio de água, com um pequeno orifício, por onde lentamente esta escoa. Deste modo, o nível vai descendo através de uma escala feita na parede do recipiente, que marca o tempo. O Pólo, percussor da Esfera Armilar (desenvolvida mais tarde pelos gregos), consiste em uma semi-esfera cavada numa rocha, com sua concavidade voltada para cima, e em seu centro, por meio de uma haste, era fixada uma pequena esfera, cuja sombra, projetada na cavidade, permitia medidas de posição.

 

 

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Sol

Domingo

Domenica

Sunday

Domingo

Lua

Lunes

Lunedi

Monday

Segunda-feira

Marte

Martes

Martedi

Tesday

Terça-feira

Mercúrio

Miercoles

Mercoledi

Wednesday

Quarta-feira

Júpiter

Jueves

Giovedi

Thursday

Quinita-feira

Vênus

Viernes

Venerdi

Friday

Sexta-feira

Saturno

Sabado

Sabato

Saturday

Sábado

 

 

 

 

 

 

            Fonte: Fundamentos de Astronomia, vários, Papirus, 7ª edição, 2003

        No próximo capítulo veremos a "Astronomia no Egito".

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