Editor conta trecho de sua vida e passa mensagem importante aos leitores. Ele continua falando de si próprio na terceira pessoa nos leads mas não no artigo em si.

Telescópio Hubble em órbita (Foto: Arquivo do Blog) Em primeiro lugar, eu gostaria de me desculpar pelo período sem postagens. Houve um problema com meu computador e não pude noticiar completamente a missão de reparos do Ônibus Espacial Atlantis ao Telescópio Espacial Hubble. Mas agora o problema já foi resolvido e o Blog já está de volta ao seu ritmo normal.

Em segundo, quero corrigir duas informações que dei no editorial passado. A primeira é sobre a vida útil do Hubble, que foi estendida até 2014 – e não até 2010, como citei. A segunda é sobre sua desativação: os astronautas do Atlantis instalaram um pequeno foguete que irá colocar o satélite em rota de queima na atmosfera. Portanto, não será preciso lançar um outro foguete para se encontrar com ele em órbita e trazê-lo para baixo, como descrevi em “Olhos no céu”.

Desculpas pedidas e correções feitas, vamos ao que interessa: “Hiatos”.

No período sem postagens, refleti um pouco a respeito de alguns assuntos, inclusive sobre qual seria o foco deste editorial. Minha vontade era compensar os dias sem atualização com um bom texto. Comecei a escrevê-lo antes da chegada do frio e do desaparecimento do Airbus da AirFrance, comentando a missão do Atlantis e as vezes em que o Hubble precisou de consertos mas estes não foram realizados. Procurei um bom título para o editorial e pensei em “hiato”, já que um de seus sentidos é o de “lacuna”, “espaço vazio”. (Tudo a ver com um período sem posts ou sem missões de reparos!)

Enquanto isso, minha mente trabalhava para entender algo mais sobre o Universo – seja aquele dominado pelas estrelas e galáxias, seja aquele protagonizado pelas pessoas. Então, pensei em um hiato que tive com algumas pessoas. Decidi que este seria o assunto do editorial. Como faço algumas vezes, vou contar algo que aconteceu comigo na tentativa de enviar uma mensagem aos leitores.

 

OS EVENTOS DESCRITOS A SEGUIR SÃO BASEADOS EM UMA HISTÓRIA REAL.

OS NOMES DOS ENVOLVIDOS FORAM ALTERADOS PARA PRESERVAR SUAS VERDADEIRAS IDENTIDADES.

SENTA QUE LÁ VEM HISTÓRIA!

 

A jornada começa por volta de 1996, 97… Nessa época, eu estava no pré-escolar e um dos meu “coleguinhas” se chamava Kléber. Ele era um dos meus melhores amigos. Conversávamos e brincávamos juntos todos os dias. O tempo foi passando à medida que Kléber e eu não estudávamos mais na mesma sala, mas conversávamos no recreio. Ainda éramos grandes amigos. Tanto que seu apelido mais famoso foi dado por mim.

Em 2002 e 2003, – minhas terceira e quarta séries – estudei com Ricardo. Ele tinha acabado de vir de outra cidade. Em seu primeiro dia na escola, eu conversei com ele e conquistei sua amizade. Ele também se tornou um grande amigo meu. Mas a partir de 2005 não estudamos mais juntos. Fomos para uma escola nova, eu, Ricardo e Kléber, mas não para as mesmas salas.

Nessa escola, onde ficamos por quatro anos (de 2004 a 2007 – da quinta à oitava série), estudei com uma menina chamada Marcia. Eu não conversei muito com ela pelos três primeiros anos. Porém, durante minha oitava série, ela havia se tornado minha melhor amiga. E era um ambiente “infantil” onde não se pode ter “melhores amigos” que do sexo oposto. Se vocês ficavam conversando muito durante o intervalo, logo corria o boato de que havia “algo mais”. Foi isso o que aconteceu. Mas nós não ligávamos, “a verdade é o que importa”.

Após o término da oitava série, Kléber estava me enviando um “feliz Natal” por um site de relacionamentos quando viu a foto de Márcia na minha lista de amizades. Ele começou a trocar mensagens com ela – já que ela é muito bonita. Em 2008, por “casualidade” (está entre aspas pois não acredito nisso), eles começaram a fazer um curso juntos. Ela certamente comentou sobre mim com ele, assim como eu falava sobre ela para ele.

Por causa disso, Kléber achou que havia ocorrido “algo” entre nós dois. Ele, “interessado” nela, começou a me provocar. Ele também falava mal de mim para ela.

Em agosto de 2008, comecei um curso. Na escola, encontrei Ricardo, que me reconheceu mas nem olhou na minha cara. Cerca de três meses depois, na fila da cantina da escola durante o intervalo, ele me estende a mão e me acusa de chamar sua turma de “um bando de burros” e dizer que se tratava de uma “turma de idiotas”. Ele me ameaçou verbalmente, assim como um colega dele fez depois da aula.

Sem entender nada, procurei o serviço social da escola e expliquei a situação: eles haviam me ameaçado e me culpado de coisas que não havia feito. Mesmo que eles pudessem provar que eu havia caluniado, eles deveriam ter procurado a escola e dito que não estavam gostando da minha atitude. Ainda assim, eu teria apenas dito, e não feito algo.

A assistente social disse que resolveria o problema. E, pelo visto, resolveu! Nenhum deles teve a moral de me dirigir a palavra ou o olhar desde então. Depois de algum tempo, vi Kléber e Ricardo caminhado juntos pela rua… me ignorando…

O outro lado  Montando as peças do quebra-cabeças, eu consegui entender o que houve.

Kléber e Ricardo já eram amigos há anos. Quando Kléber tentou me tirar de seu caminho (com destino à Marcia), ele disse a Ricardo que eu havia espalhado más palavras a respeito da turma dele. Conhecendo seu pavio curto, ele usou Ricardo para me atingir.

Mas não conseguiu.

Hoje, sei que Kléber e Marcia estão longe de ficar juntos. Assim como sei que um garoto com quem estudei por quatro anos está na turma de Ricardo mas também nunca me olhou nos olhos.

Essas pessoas escolhem o próprio destino. A maioria dos que estudaram comigo atravessa para o outro lado da rua quando me vê. Mas eles também não conversam mais uns com os outros… Os grupinhos que me atacavam não estão mais unidos…

Criou-se uma lacuna entre essas pessoas. Um vazio, um hiato.

Espero que tenha sido bem claro ao passar a mensagem. Tirem dela as lições que quiserem. E se um epílogo for de interesse: hoje falo pouquíssimo com Marcia.

Tomara que alguém tenha lido até o final! A maioria vê o tamanho do texto e se desanima!!!

 

Está programado para o dia 17 de junho o lançamento das LRO e LCROSS, da NASA. Resumindo a missão: uma vai cair na Lua e levantar poeira que será analisada pela outra. Dedos cruzados!

Continuam os eventos do Ano Internacional da Astronomia. Procure saber quais vão ocorrer na sua região. Se não houver, que tal organizar um?

Vou ficando por aqui. Mês que vem tem mais. Que Deus nos proteja uns dos outros até lá!

 

“Pessoas não mudam. Apenas se tornam cada vez mais quem elas realmente são.”

– Dr. Gregory House, personagem interpretado por Hugh Laurie na série “House, M.D.”, criada por David Shore

 

Eduardo Oliveira,

editor

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