Episódio completa 29 anos este mês. Dois cosmonautas se comunicaram com tripulantes de objeto esférico. 

Nos anos 70, a União Soviética executou o programa espacial Salyut (Салют, saudações), originalmente chamado DOS 7-K, baseado em estações espaciais de um módulo. Houveram 7 estações – sem contar o núcleo da Mir e o módulo Zvezda, da Estação Espacial Internacional (ISS), que derivam do programa.

Embora lembrasse as anteriores, a Salyut 6, lançada em 29 de setembro de 1977, trazia vários avanços inovadores, como dois sistemas de acoplagem – as Salyuts anteriores só tinham um. Ela foi ocupada por onze tripulações, sendo cinco de longa duração. A primeira delas permaneceu 96 dias em órbita e quebrou um recorde da Skylab, americana. A tripulação de estadia mais longa na Salyut 6 ficou nela por 185 dias.

Concepção artística da Salyut 6 (Foto via SpaceFacts.de)

Certa vez, um dos tripulantes teve uma crise psicológica e quase abriu a escotilha da estação – o que o colocaria em contato direto com o espaço e causaria sua morte instantânea.

As operações tripuladas na Salyut 6, de 16 metros de comprimento 19 toneladas, foram interrompidas em 1981 e ela entrou na atmosfera em 29 de Julho de 1982.

Vladimir Kovalyonok (Foto via SpaceFacts.de)   Viktor Savinykh (Foto via SpaceFacts.de)

Vladmir Kovalyonok e Viktor Savinikh ficaram a bordo da estação entre 12 de março e 14 de maio de 1981. O caso a que se refere o título deste artigo teve início no dia 5 de maio. Enquanto fazia exercicios, Kovalyonok olhou através de uma janela e percebeu um objeto esférico com diâmetro de aproximadamente 10 metros cerca de um quilômetro à frente da estação. Ele orbitava de forma estacionária com relação à Salyut. As duas naves estavam a aproximados 400 km da superfície da Terra quando o avistamento ocorreu.

Usando binóculos de longo alcance, os cosmonautas perceberam que a nave dourada possuia 24 janelas: 8 no "equador" e 8 em cada "hemisfério". Posteriormente, eles também perceberiam que sua superfície não apresentava saliências, reentrâncias, marcas, inscrições, painéis solares ou antenas. Pelas jenelas, veriam uma cabine de comando convecional no interior bem iluninado da nave. O estranho objeto ficou lá por 24 horas. Kovalyonok filmou 45 minutos do encontro.

No dia seguinte, ao acordarem, os cosmonautas observaram a nave a 100 metros de distância. Eles ficaram atônitos ao ver que ela se deslocada sem o uso de "foguetes" convencionais. Dentro, viram três "pessoas" sem emoção aparente fazendo gestos objetivos. Seus movimentos eram rígidos, pareciam mecânicos. Os seres "lembravam hindus, de narizes retos e sobrancelhas grossas, com enormes e obliquos olhos azuis, profundos e penetrantes no olhar". Apenas pouco mais da metade dos rostos podiam ser vistos, mas era possível notar que seus olhos eram duas vezes maioes do que os nossos.

Seres foram decritos como tendo enormes olhos azuis, pele morena, sobrancelhas grossas, nariz reto e semblante sereno; seus gestos pareciam programados (Foto: Revista UFO Nacional & Internacional nº 4)

Num momento, a nave ficou a apenas 30 metros da Salyut.

Pela janela, Kovalyonok mostrou um mapa celeste com nosso sistema solar no centro e, para sua surpresa, um deles fez o mesmo, mostrando um mapa onde se via o sistema no canto superior direito e muitos corpos celestes não identificados na ocasião. "Meu coração disparou quando um dos passageiros daquele veículo puxou seu próprio mapa e nos mostrou através da escotilha", disse Kovalenok numa reunião com a imprensa. "Ele tinha nosso Sistema Solar num lado e alguns outros astros marcados."

Sem saber como agir, o soviético fez um sinal positivo e recebeu uma resposta semelhante, mas, sem sorriso.

Kovalyonok fez sinal com o polegar e recebeu resposta (Foto: Revista UFO Nacional & Internacional nº 4)

Depois, a nave se afastou, como se fosse uma exibição de manobrabilidade, sumiu por trás da Terra e voltou a nova posição relativa, mais próxima. A nave fez isso por mais cinco vezes. Ao voltar, parava de maneira brusca, mas seus tripulantes não pareciam sentir a inércia.

Com uma lanterna potente, Kovalyonok passou um código Morse a eles: "Cosmonautas Soviéticos saúdam visitantes à Terra". Nenhuma resposta. "Are you receiving us?" ("Vocês estão nos entendendo?") Nenhuma resposta. O cosmonauta tenta um código binário de uma figura geométrica: "101101". Usou-se uma luz rápida para 0 e uma luz mais longa para 1. A Salyut recebeu, então, uma sequência de sinais luminosos que foi identificada posteriormente como o valor de e, base dos logarítimos neperianos muito usados pelos computadores da estação para linearização gráfica de curvas de funções matemáticas complexas.

Horas depois, sem trocar de vestimentas – que lembravam trajes de mergulho com papuzes leves e visores amplos – os visitantes de dois metros de altura sairam de sua nave fazendo movimentos curiosos, como se tivessem assentos e passarelas invisíveis. Os cosmonautas não notaram nenhum "sistema de suporte de vida" nos trajes, mesmo com os visitantes bem perto da estação. O centro de controle no solo não autorizou-os a sair da Salyut.

Visitantes se aproximara da Salyut 6 (Foto: Revista UFO Nacional & Internacional nº 4)

Os visitantes partiram quatro dias depois do avistamento inicial, deixando uma "estranha saudade" nos cosmonautas.

"Altamente secreto"  Em 18 de junho de 1981, militares, cientistas, cosmonautas e pessoas do governo se reuniram com Kovalyonok e Savinikh para ver os filmes e fotos da missão. Não é preciso nem dizer que esta reunião teve muitas perguntas. Depois, o caso foi carimbado como "ALTAMENTE SECRETO". Mais tarde, por decisão do Kremlin, o acontecimento foi tornado público.

O Gosplan, o Ministério de Planejamento soviético, organizou um encontro entre com militares, cosmonautas, ufólogos e membros da imprensa em sua sede. Georgi Beregovoy, chefe do programa espacial soviético, foi o mediador e, ao seu lado, estavam Kovalyonok e Savinikh, que contaram sua experiência. O vídeo do encontro das duas naves foi mostrado no evento, mas a imprensa não foi autorizada a veiculá-lo. O filme permanece inacessível até hoje. Há alguns anos, o pioneiro da Cosmologia Aleksandr Kazantsev (que descobriu uma estatueta Dogu de 4 mil anos vestida com um macacão espacial) declarou que o filme estava arquivado em um departamento da Cidade das Estrelas, onde treinam os cosmonautas.

Seres saem da nave e vão em direção à Salyut 6 (Foto: Revista UFO nº 83)

No Brasil, o fato recebeu pouca atenção na época. Só se teve notícias pela edição nº 1.693 darevista Manchete, de 29 de setembro de 1984. No canto inferior esquerdo da capa com a foto da Xuxa, lê-se "Sensacional: russos encontram UFO’s".

Em compensação, o caso foi matéria de capa da quarta edição (setembro/outubro de 1985) da revista Ufologia Nacional & Internacional, do então CPDV (Centro para Pesquisas de Discos Voadores), atual CBPDV (Centro Brasileiro de Pesquisas de Discos Voadores) – ao qual sou filiado. No canto superior direito da grande foto da capa, lê-se "Exclusivo: russos mantêm contato de 3º. grau no espaço, a bordo da estação Salyut 6". Mais recente foi a abordagem do assunto na revista UFO nº 83 (dezembro de 2002).

Capa da Revista Ufologia Nacional & Internacional nº 4, setembro/ outubro de 1985 (Foto: reprodução)   Capa da revista UFO nº 83, dezembro de 2002 (Foto: Repridução)

Ao contrario dos Estados Unidos, a Rússia atual admite alguns contatos com "desconhecidos" em missões espaciais. É até dito que a rotina da Mir incluia estes contatos. Alguns alegam que todos os voos espaciais, desde o primeiro, são acompanhados por objetos de origem desconhecida. Além de boatos, provas nos convidam a refletir: Gagarin pode não ter sido o primeiro no espaço.

Desenho de rosto humano sutil na Salyut 6 (Foto: Revista UFO Nacional & Internacional nº 4)

 

"Conhecimento real é saber a extensão da própria ignorância."

– Confúcio (551 a.C. – 479 a.C.), pensador chinês

 

Eduardo Oliveira,

editor

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