Missão tem Lua como destino. País quer missão tripulada a satélite natural até 2020.

A China lançou hoje (01/10/2010) sua segunda sonda lunar, a Chang’e-2, marcando mais uma etapa do ambicioso programa espacial do país, que pretende enviar homens à Lua até 2020.

O foguete Longa Marcha 3C com a sonda decolou no horário previsto, 18h59 (7h59 em Brasília), da base aeroespacial de Xichang, na província de Sichuan (sudoeste chinês), sob nuvens espessas e uma chuva fraca.

Decolagem do Longa Marcha 3C com a sonda Chang'e-2 (Foto: AFP) Lançamento da Chag'e-2 (Foto: AFP)

O dia escolhido pela CNSA (Administração Nacional do Espaço da China, na sigla em inglês) não é aleatório, já que hoje são celebrados os 61 anos da proclamação de sua república. Em 1º de outubro de 1949, Mao Tse Tung proclamou na praça Tiananmen (Paz Celestial) de Pequim a República Popular da China.

O lançamento gerou grande comoção no público chinês, com transmissões ao vivo pela rede de televisão estatal CCTV durante o dia todo e uma audiência de milhões de espectadores. O canal atrasou o início de seu principal noticiário noturno para transmitir o as imagens do lançamento, deixando de lado os maiores líderes chineses participando das cerimônias na praça Tiananmen.

O player não funciona?

A sonda, que leva o nome de uma deusa que habita a Lua desde tempos imemoráveis em uma antiga lenda chinesa, pesa 2,48 toneladas.

A expectativa é que o equipamento chegue à Lua em cinco dias, menos da metade do tempo que sua antecessora levou para fazer a viagem. Quando chegar à orbita da Lua, a cerca de 15 km da superfície do satélite natural da Terra, a máquina testará técnicas de alunissagem e capturará imagens de resolução dez vezes maior do que as captadas pela Chang’e-1, lançada em 2007.

Um dos locais que mais deve ser estudado é a Bacia do Arco-íris, uma região inundada por lava solidificado. Lá, deve pousar o Chang’e-3 – um veículo teleguiado que deve ser lançado em 2013.

“A Chang’e-2 estabelece os alicerces para o pouso suave na Lua e maior exploração do espaço sideral”, disse Wu Weiren, chefe do projeto da sonda.

Huang Jiangchuan, projetista chefe, disse, antes do lançamento, que pode ser dada uma missão extra à Chang’e-2: voar para o espaço mais distante para “testa a capacidade da China de sondar mais longe no espaço”. Ele não deu mais detalhes.

Em 2003, a China se tornou, depois da Rússia e dos Estados Unidos, o terceiro país a enviar um homem ao espaço. O país já realizou três missões tripuladas.

Em setembro de 2008, durante a missão Shenzhou VII, o piloto de caça Zhai Zhigang, um dos dois taikonautas (como os chineses denominam seus astronautas) a bordo, fez a primeira caminhada espacial chinesa. Ele ficou fora da nave por 15 minutos. O exercício foi visto como prova dos avanços chineses no espaço – que visam construir uma estação orbital num futuro próximo.

A China está empurrando os vizinhos Japão e Índia com sua maior presença no espaço, mas seus planos têm enfrentado atenciosos olhares internacionais.

Temores de uma corrida armamentista espacial com os Estados Unidos e outras potências têm crescido desde que a China explodiu um de seus próprios satélites meteorológicos com um míssil lançado do solo em janeiro de 2007. O país diz que seus objetivos são pacíficos.

 

 

Anúncios