Descoberta foi anunciada por astrônomos estadunidenses. Equipe suíça não encontrou sinais de planeta.

Mês passado, uma equipe de astrônomo anunciou a descoberta do primeiro exoplaneta que poderia abrigar vida. Agora, outra equipe não consegue encontrar evidências do planeta, causando dúvidas sobre sua existência.

O planeta, Gliese 581 g, foi encontrado orbitando uma estrela anã vermelha escurecida num período de 37 dias, segundo uma análise de Steven Vogt, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, Paul Butler, da Instituição Carnegie, de Washington, DC, e seus colegas.

Ao contrário dos quatro planetas conhecidos previamente no mesmo sistema e centenas de outros descobertos pela Via Láctea, Gliese 581 g está no meio da zona habitável de sua estrela, onde a temperatura propicia a existência de água líquida. Ele também é pequeno o suficiente – cerca de três massas terrestres – para possuir uma superfície rochosa,

Mas pode ser muito cedo para afirmar uma detecção definitiva. Uma segunda equipe de astrônomos procurou por sinais de Gliese 581 g em seus próprios dados e não encontrou.

"Encontramos facilmente os quatro planetas anunciados antes, "b", "c", "d" e "e". Contudo, não vemos nenhuma evidência de um quinto planeta numa órbita de 37 dias", diz Francesco Pepe, do Observatório de Genebra, Suíça. Ele apresentou os resultados na segunda-feira (11/10/2010) num simpósio da União Astronômica Internacional em Turim, Itália.

Dados extras  Os dois grupos chegaram a seus resultados diferentes usando os mesmos dados, que foram coletados pelo HARPS, um instrumento montado num telescópio de 3,6 metros no Observatório Europeu do Sul, no Chile. O HARPS, que mede o espectro da luz estelar, é usado para procurar por oscilações no movimento das estrelas que poderiam resultar do puxão gravitacional de planetas em órbita.

A equipe de Vogt e Butler encontrou o planeta combinando 119 medições da velocidade da estrela feitas pelo HARPS com 122 medições feitas com um instrumento similar, o HIRES, montado no telescópio de 10 metros Keck 1, no Havaí.

Pepe e seus colegas de Genebra, examinaram cerca de 180 medições de velocidades da estrela feitas pelo HARPS, um terço a mais de dados do que estava disponível para Vogt e seus colegas quando escreveram seu trabalho. A equipe de Genebra, que gerencia o HARPS, está autorizada a colher novos dados por um ano antes de serem tornados públicos, disse Pepe.

Dois conjuntos de dados  Embora a equipe suíça não possa encontrar evidências do novo planeta, ela não pode excluir a possibilidade de que Gliese 581 g exista. "Não estamos tentando provar a inexistência de um planeta", diz Pepe. "É muito difícil  provar que algo não existe. Só estamos dizendo que não vemos um sinal significante de que seja realmente diferente de ruído."

A discrepância tem levantada algumas questões sobre a descoberta. "O relatório da equipe de Genebra nesta reunião tem, certamente, levantado dúvidas", diz o astrônomo Ray Jayawardhana, na Universidade de Toronto, Canadá, que espalhou a notícia do simpósio no Facebook.

Steven Vogt, que não estava na reunião em Turim, disse que não desejava comentar o resultado da equipe de Genebra uma vez que ele ainda tem que ver os dados. Mas ele acrescentou que o resultado negativo não é totalmente inesperado. "Não estou muito surpreso por isto, uma vez que são sinais muito fracos e adicionar 60 pontos a 119 não necessariamente se traduz em grandes ganhos em sensibilidade", disse ele.

A equipe descobriu que os dados do HIRES – que não foram usados pela equipe de Genebra – eram necessários para ver o planeta. "Me sinto confiante de que nós relatamos precisa e honestamente nossas incertezas e fizemos um trabalho meticuloso e responsável extraindo a informação que este conjunto de dados tem a oferecer", acrescentou Vogt. "Em 15 anos de busca por exoplanetas, com centenas de planetas detectados por nossa equipe, temos ainda que publicar um crédito falso, retração, ou errata."

 

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