Água e sais marinhos debilitariam camada protetora. Consequências seriam severas.

Se um asteroide de tamanho médio cair no oceano, tsunamis não serão a única preocupação. Uma nova simulação por computador sugere que vapor de água e sal marinho levantados pelo impacto poderiam danificar a camada de ozônio da Terra, levando a níveis recorde de radiação ultravioleta que poderia ameaçar a civilização humana.

"Isto sugere novos problemas que você poderia ter com impactos no oceano nos quais as pessoas não pensaram antes", diz Brian Toon, da Universidade do Colorado em Boulder, que não esteve envolvido no estudo.

Elisabetta Pierazzo, do Instituto de Ciência Planetária, em Tucson, Arizona, e seus colegas usaram um modelo climático global para estudar como vapor d’água e sal levantados por um impacto afetarão níveis de ozônio nos anos seguintes ao evento.

Eles se concentraram em asteroides de tamanho médio, com 0,5-1 km. Até hoje, 818 asteroides que tem, no mínimo, 1 km foram descobertos em órbitas que poderiam levá-los para perto da Terra.

Queda olímpica  Estes objetos estão em órbitas que os dão uma probabilidade muito pequena de atingir a Terra no futuro próximo. Porém, estimativas da população de asteroides sugerem que dúzias ainda deverão ser descobertos em órbitas que poderiam interceptar a Terra.

Para se ter uma ideia de quanta água pode ser lançada na atmosfera se estes asteroides atingirem o oceano, a equipe esboçou o que aconteceriam se entrasse na atmosfera da Terra a 18 km/s, uma velocidade média esperada para um objeto próximo ao nosso planeta, e atingisse o oceano no hemisfério norte num ângulo de 45°.

Como esperado, as simulações mostraram que o asteroide maior, de 1 km, criou um "borrifo" maior, jogando 42 trilhões de kg de água e vapor – suficiente para encher 16 milhões de piscinas olímpicas – por uma área com mais de mil km de largura e centenas de km de altura.

Submersão  Uma vez na atmosfera, a água, junto com os compostos contendo cloro e bromo de sais marinhos vaporizados, destruiu o ozônio sobre a atmosfera da Terra numa taxa muito mais rápida do que é naturalmente criado.

Alguns impactos simulados criaram diminuições que ainda eram sentidas por toda a Terra um anos depois. "Produzirá um buraco de ozônio que submergirá a Terra inteira", diz Pierazzo.

A diminuição mais severa e duradoura – um corte de mais de 70% nos níveis de ozônio – ocorreu sobre a maioria do hemisfério norte. Este é um buraco muito maior do que o que estava sobre a Antártida em 1993, quando a camada de ozônio da Terra estava em seu estado mais fino. Os níveis de radiação ultravioleta resultantes seriam maiores do que em qualquer lugar na Terra hoje, escreve a equipe, apresentando um novo risco para a civilização humana.

Impactos secos  Enquanto as pessoas puderem ser capazes de se proteger da crescente ameaça de queimaduras solares, a intensa luz UV também poderia afetar nosso suprimento de alimento ao danificar plantas e o fitoplâncton que representam a base da cadeia alimentar dos oceanos. "Isto é suficiente para realmente causar problemas para nossa civilização", diz Pierazzo.

Entender melhor estes efeitos poderia nos ajudar na preparação no caso de um impacto. Pessoas poderiam, por exemplo, cultivar plantas mais resistentes a radiação UV, ela acrescenta.

Toon observa que impactos na terra ou água rasa poderiam, enfim, causar mais danos ao levantar poeira que poderia escurecer o céu significantemente e inibir o crescimento. Agora, Pierazzo está trabalhando num modelo para avaliar como asteroides que atingem terra seca afetariam a atmosfera.

 

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