Rachaduras em tanque externo precisam de mais tempo para serem analisadas. STS-133 é a última missão do Discovery.

A NASA anunciou nesta sexta-feira (03/12/2010) o adiamento da última missão do ônibus espacial Discovery para, no mínimo, 3 de fevereiro de 2011. A missão STS-133, que levará uma equipe de seis astronautas e um robô humanoide à Estação Espacial Internacional (ISS), estava prevista para decolar do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, no dia 17 de dezembro.

O novo adiamento acontece após um vazamento durante o abastecimento da espaçonave ter abortado o início da viagem em 5 de novembro. Ao todo, foram sete atrasos na missão, com as datas sendo alteradas à medida que um problema surgisse, desde vazamentos até reparos em sistemas de pressurização do ônibus espacial.

Durante uma coletiva de imprensa ontem (03/12/2010), membros da NASA afirmaram que testes ainda precisam ser realizados para a liberação do voo. Para Bill Gerstenmaier, administrador de operações especiais da agência, mesmo com o esforço das equipes, o prazo anterior não poderia ser cumprido.

Discovery sendo transportado para plataforma de lançamento (Foto: NASA)

Inicialmente, a data de partida do Discovery era 1º de novembro.

Rachaduras foram detectadas no dia 5 de novembro durante o processo de abastecimento do tanque de combustível, quando a nave já estava na plataforma de saída. Desde então, o tanque foi submetido a inúmeras revisões, mas não foi possível determinar a causa das fendas.

"Quando este problema apareceu pela primeira vez, esperávamos encontrar um problema óbvio", disse John Shannon, responsável pela missão da nave. "Avançamos na investigação e não encontramos algo que seja um problema tão óbvio".

Os especialistas temem que a espuma que protege o tanque, construído com uma liga de metais de alumínio e lítio, saia por alguma dessas rachaduras e danifique a parte exterior da nave quando ela estiver no espaço. Segundo Mike Suffredini, diretor do programa da ISS no Centro Johnson de Voos Espaciais da NASA, em Houston, Texas, foram especuladas outras datas em janeiro mas se optou por fevereiro porque é necessário ajustar o calendário com outras missões.

"As equipes têm feito um trabalho muito profundo de olhar os dados à mão, mas estamos chegando a um ponto na investigação no qual temos que fazer algo diferente", disse.

"Estamos num ponto em que ainda não houve resposta óbvia para o que ocorreu, e isso significa que temos que dar o próximo passo", disse Shannon. "Temos que fazer isso através de demonstração. Análises não vão nos levar até lá. Análises só podem te trazer até aqui – é hora de ir testar."

A NASA fará um teste com componentes do tanque no local de fabricação (Nova Orleans) e outro de abastecimento, no qual aferidores e outros instrumentos são ligados ao tanque externo do Discovery na plataforma de lançamento 39A.

Os técnicos poderão realizar medições precisas do tipo  de stress exercido em certas áreas do tanque enquanto ele é abastecido com propelente criogênico. Equipes de engenheiros poderão monitorar como os reparos enfrentam as duras condições térmicas durante a operação e se rachaduras similares se formam no processo.

Segundo Shannon, "Entender o ambiente térmico é crítico para entender o nível de stress nele". "Temos que ir para o próximo nível e realmente entender o problema. Isso também ajudará a determinar quais [são] nossos critérios de seleção para voar com o tanque com confiança."

"Tenho forte confiança de que este é um problema que pode ser resolvido", disse.

A janela de lançamento se fecha em 10 de fevereiro.

Na plataforma de lançamento, trabalhadores removem a linha de ventilação ligada à placa de suporte umbilical do solo no tanque externo de combustível do Discovery (Foto: Martin Frankie / NASA)

O programa de ônibus espaciais da NASA será abandonado, após quase 3 décadas levando astronautas, satélites e equipamentos ao espaço. Ao todo, cerca de 230 milhões de quilômetros, 5.628 voltas ao redor da Terra e 246 passageiros em missões da Discovery.

O último a ir ao espaço será o Endeavour – missão STS-134 –, com lançamento previsto para o dia 1 de abril de 2011 (originalmente, previsto para 27 de fevereiro). Abordo, estará o Espectrômetro Magnético Alfa, um detector de partículas de US$ 2 bilhões.

A agência também espera conseguir verba para outra missão, no inverno austral, com o Atlantis. O voo seria preciso para levar o equivalente a um ano de comida, água e outros suprimentos na ISS. 

Os ônibus, que podem levar cerca de 225 mil kg de carga por vez, estão sendo aposentados por questão de custos. A NASA planeja desenvolver veículos que podem ir mais longe do que a ISS está – cerca de 350 mil km.

A agência ainda não sabe se o adiamento do voo do Discovery para o ano que vem irá interferir em sua petição por um voo adicional, mas autoridades já disseram que não causará impacto negativo na ISS.

Discovery aguarda na plataforma (Foto Matt Stroshane - Getty Images)

A NASA, como o resto do governo dos EUA, está operando com orçamentos temporários pendentes de aprovação pelo Congresso de um plano de gastos para o ano fiscal que começou em 1º de outubro.

"Temos uma margem suficiente para ir em frente e realizar todas as atividades do ponto de vista do orçamento", disse Gerstenmaier. "Nós realmente não temos forçado ou transtornado qualquer coisa de um ponto de geral do orçamento geral."

 

 

 

Saiba mais

"Data de último lançamento do Discovery ainda não está certa", 03/12/2010

"Discovery: NASA’s Most-Flown Space Plane", Space.com

"INFOGRAPHIC: NASA’s Space Shuttle – From top to bottom", Space.com

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