Akatsuki entrará em órbita de planeta. Estudo de vênus pode ajudar na compreensão da Terra.

A sonda japonesa Akatsuki se prepara para entrar em órbita ao redor do planeta Vênus.

Lançada no dia 20 de maio pelo foguete H-IIA a partir do Centro Espacial de Tanegashima, no sul do Japão, a Akatsuki (alvorada em japonês) percorreu sem problemas o longo trajeto até Vênus, considerado gêmeo da Terra por seu tamanho e sua massa.

Pouco antes da meia-noite, os motores da Akatsuki passaram ao modo inverso para reduzir a velocidade e entrar no campo gravitacional do planeta. Poucos minutos depois, o centro de controle da JAXA, (a agência espacial japonesa) em Sagamihara chegou a perder contato com a sonda por alguns momentos.

De acordo com a JAXA, a sonda funciona normalmente. A previsão é a de que os especialistas confirmem, ainda hoje, se a sonda teve sucesso na operação.

Se o projeto for bem-sucedido, será a primeira vez que o Japão colocará uma sonda na órbita de um planeta – excetuando a Terra –, após duas tentativas fracassadas, em 1998 e 2003, de por uma sonda na órbita de Marte.

A missão Akatsuki (ou Venus Climate Orbiter PLANET-C), preparada desde 2001, vai completar as informações obtidas pela Venus Express, lançada no fim de 2005 pela ESA (Agência Espacial Europeia) e que chegou ao destino no primeiro semestre de 2006.

Ilustração de sonda próxima de Vênus (Foto: JAXA)

Uma vez em órbita, a sonda ajustará sua posição e dará uma volta completa em Vênus em 30 horas, a uma altitude que irá variar entre 550 e 80 mil quilômetros sobre a superfície do planeta.

A Akatsuki, de dimensões 1 m por 1,4 m por 1,4 m, está equipado com um experimento de rádio e cinco câmeras – incluindo ultravioleta e infravermelho –, entre elas uma capaz de filmar além das espessas nuvens sulfúricas que cobrem permanentemente toda a superfície do planeta.

Assim,  deve examinar a composição da superfície e a possível atividade vulcânica neste planeta rochoso, similar à Terra em tamanho e massa mas com uma pressão 90 vezes maior e uma temperatura de mais de 480ºC.

Recentemente, a Venus Express encontrou fluxos de lava que poderiam ter menos de 250 mil anos.

A sonda japonesa deve estudará o clima e os fenômenos atmosféricos de Vênus por dois anos, embora tenha sido projetada para uma vida útil de 4,5 anos. Os instrumentos da sonda também poderão investigar as nuvens camada por camada.

Os cientistas esperam que a observação do clima de Vênus ajude na compreensão da formação do meio ambiente da Terra.

Para o desenvolvimento da Akatsuki, de 500 quilos, a JAXA investiu 25,2 bilhões de ienes (cerca de 230 milhões de euros).

Concepção artística da sonda Akatsuki em órbita de Vênus (Foto: Akihiko Ikeshita / JAXA)

Este ano tem sido corrido para o Japão no espaço. O maior sucesso foi o retorno da cápsula da sonda Hayabusa com amostras da superfície de um asteroide.

No mesmo foguete em que estava a Akatsuki, estava a vela solar Ikaros – a primeira demonstração prática da propulsão de uma espaçonave apenas pela pressão da luz do Sol.

 

 

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