Atividade geológica estaria aquecendo interior de astro e enviando gelo por abertura em superfície. Criovulcões explicariam abundância de metano.

A sonda Cassini, da NASA, encontrou o que podem ser vulcões de gelo na lua de Saturno Titã similares ao terrestres que cospem rocha derretida.

Dados topográficos e de composição superficial permitiram que cientistas descobrissem o melhor exemplo de vulcão similar aos terrestres que ejeta gelo, ainda que no Sistema Solar exterior. Estes resultados foram apresentados ontem (14/12/2010) na reunião da American Geophysical Union (AGU, União Geofísica Americana) em San Francisco.

"Quando olhamos para nosso novo mapa 3D de Sotra Facula em Titã, notamos sua semelhança com vulcões como Monte Etna, na Itália, Laki, na Islândia, e até pequenos cones e fluxos vulcânicos próximos de minha cidade natal Flagstaff [Arizona]", disse Randolph Kirk, que liderou o trabalho de mapeamento tridimensional e é membro da equipe de radar da Cassini e geólogo do Astrogeology Science Center (Centro de Ciência Astrogeológica) da United States Geological Survey (USGS, Agência Geológica dos Estados Unidos). em Flagstaff.

Imagem baseada em dados da sonda Cassini mostra area de Sotra Facula, em Titã (Foto: NASA/JPL-Caltech/USGS/University of Arizona)

Por anos, cientistas vêm debatendo se vulcões de gelo, também chamados de criovulcões, existem em luas ricas em gelo e, se existem, quais são suas características. A definição de funcionamento supões que algum tipo de atividade geológica subterrânea aquece o ambiente gelado o bastante para derreter parte do interior do satélite e mande gelo fofo ou outro material por uma abertura na superfície. Vulcões na Terra e em Io, lua de Júpiter, expelem lava de silicatos.

Alguns criovulcões são pouco semelhantes aos vulcões terrestres, como as listras de tigre de Encélado, lua de Saturno, longas fissuras borrifando jatos de água e partículas de gelo que deixam poucos rastros na superfície. Em outros lugares, erupções de materiais mais densos podem construir picos vulcânicos ou fluxos parecidos com dedos. Quando estes fluxos foram vistos em Titã, foram explicados teoricamente como processos não-vulcânicos, como rios depositando sedimentos. Em Sotra, porém, o criovulcanismo é a melhor explicação para dois picos com mais de um quilômetro de altura com profundas crateras vulcânicas e fluxos parecidos com dedos.

"Esta é, de longe, a melhor evidência de topografia vulcânica em qualquer lugar documentado em um satélite gelado", disse Jeffrey Kargel, cientista planetário na University of Arizona (Universidade do Arizona), em Tucson. "É possível que as montanhas sejam tectônicas na origem, mas a interpretação de criovulcão é uma explicação muito mais simples e consistente."

Kirk e seus colegas analisaram novas imagens de radar da Cassini. Seu grupo da USGS criou o mapa topográfico e as imagens tridimensionais interativas de Sotra Facula. Dados do espectrômetro de mapeamento infravermelho e visual da Cassini revelaram que os fluxos tinham uma composição diferente da superfície ao redor. Não há evidências de atividades atuais em Sotra, mas cientistas planejam monitorar a área.

"Criovulcões ajudam a explicar as forças geológicas esculpindo alguns destes lugares exóticos em nosso sistema solar", disse Linda Spilker cientista de projeto da Cassini no Jet Propulsion Laboratory (JPL, Laboratório de Propulsão a Jato), da NASA, em Pasadena, California. "Em Titã, por exemplo, explicam como metano pode ser continuamente reposto na atmosfera quando o Sol está constantemente quebrando esta molécula."

 

 

Saiba mais

A Cassini foi lançada em 15 e outubro de 1997 e entrou em órbita de Saturno em 2004. Saturno possui mais de 60 luas conhecidas, sendo Titã a maior. A missão Cassini-Huygens é um projeto de cooperação entre NASA, European Space Agency (ESA, Agência Espacial Europeia) e Agenzia Spaziale Italiana (ASI, Agência Espacial Italiana). O JPL gerencia a missão para o Science Mission Directorate (Diretoria de Missão Científica) da NASA nos quartéis generais da agência, em Washington, D.C.

A sonda Cassini foi projetada, desenvolvida e construída no JPL. O instrumento de radar foi construído por JPL e ASI, trabalhando com membros de equipe de EUA e vários países da Europa. O espectrômetro de mapeamento visual e infravermelho foi construído pelo JPL com uma grande contribuição da ASI. A equipe científica do instrumento se baseia na University of Arizona, em Tucson. O JPL é uma divisão do California Institute of Technology (Instituto de tecnologia da California), em Pasadena.

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