Verba da agência espacial será igual à de 2010. Diretor afirma que que conseguirá continuar as pesquisas pendentes.

O Governo dos Estados Unidos propôs nesta segunda-feira (14/02/2011) congelar o orçamento da NASA e dedicar à agência espacial US$ 18,7 bilhões (R$ 31,21 bi) para o ano fiscal de 2012, a mesma quantidade de 2010.

Como parte dos esforços do Governo para reduzir o déficit público, o presidente Barack Obama anunciou o congelamento das despesas não obrigatórias por cinco anos, que afetará algumas agências como a NASA.

A proposta apresentada por Obama ao Congresso representa uma diminuição de 1,6% em relação ao orçamento da NASA de 2011, que ainda não foi adotado.

O orçamento da agência espacial inclui US$ 4,3 bi para o programa de naves espaciais, que concluirá este ano após 30 anos, e atividades relacionadas à Estação Espacial Internacional (ISS), que estará em funcionamento até 2020.

Também inclui US$ 5 bi para financiar projetos científicos, US$ 3,9 bi para desenvolver sistemas para futuras explorações e US$ 569 mi para pesquisa aeronáutica.

Este orçamento "mantém nosso compromisso com os voos tripulados e nos permitirá continuar com as pesquisas científicas pendentes, a pesquisa aeronáutica e fomentar educação", disse o diretor da NASA, Charles Bolden.

John Logsdon, ex-diretor do Instituto de Política Espacial, em Washington, e assessor externo do governo de Obama, diz que o valor está de acordo com a realidade. "Esse orçamento reflete o conjunto da realidade orçamentária enfrentada pelo governo americano, ao saber que não há muito dinheiro em caixa. E a NASA paga sua cota do congelamento orçamentário geral. Esse congelamento não deverá, no entanto, comprometer os objetivos da agência, mas certamente desacelerará seu calendário."

O especialista disse ainda que o orçamento "coloca em evidência que a NASA espera cumprir com o previsto".

A proposta para o ano fiscal de 2012, que começará no dia 1º de outubro de 2011, é preliminar, já que ainda tem que passar pelo Congresso onde pode ser submetida à mudanças.

Caso se confirmar, cada americano dedicará US$ 33 de seus impostos federais à NASA, segundo cálculos do Space.com, frente aos US$ 1.192 que uma família com uma renda média (US$ 49.777, segundo o Escritório do Censo) dedica à despesa militar.

A diretora do escritório financeiro da NASA, Elizabeth Robinson, reconheceu em entrevista coletiva que tiveram que "tomar algumas decisões difíceis". Apesar disso, estão buscando novas formas para associar-se com o setor privado para facilitar o transporte de tripulações e cargas à ISS e desenvolver novos projetos.

Segundo Logsdon, a NASA dá grande prioridade ao funcionamento da ISS. A agência pretende dedicar US$ 850 mi (R$ 1,41 bi) para ajudar o setor privado a criar naves capazes de transportar – de forma mais econômica – pessoas e cargas para a ISS.

Segundo ele, isso permitiria não depender exclusivamente das naves russas Soyuz para enviar os astronautas americanos à E depois que os ônibus espaciais forem aposentadas este ano. Os Estados Unidos financiaram grande parte da ISS, com aproximadamente US$ 100 bilhões (R$ 167 bi).

No entanto, "a NASA baseia seu projeto de orçamento em montantes hipotéticos os quais espera que sejam citados no orçamento atual de 2011, que ainda deve ser aprovado" no Congresso.

E os republicanos, maioria na Câmara, ameaçam cortar severamente os gastos federais, começando pelo orçamento de 2011. Sob pressão dos legisladores da esfera de influência ultraconservadora do Tea Party, pedem uma redução de US$ 100 bilhões em gastos.

Sob anonimato, um funcionário da NASA, disse que a agência pode correr riscos se não receber as verbas necessárias. "Se os republicanos impuserem sua vontade, todos os programas da NASA estarão em perigo. Investimos em empresas americanas, para que elas desenvolvam naves e cápsulas para ir à ISS, e os republicanos aparentemente preferem pagar aos russos US$ 50 milhões [R$ 83,45 mi] por assento em uma Soyuz para transportar nossos astronautas à estação."

Durante o ano fiscal de 2012 a agência prevê iniciar o Mars Science Laboratory e prosseguir as pesquisas abertas em uma ampla gama de campos da astrofísica, heliofísica e missões científicas na Terra.

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