Cone de proteção não se separou e satélite não atingiu velocidade para entrar em órbita. Objetivo era estudo climático.

O satélite Glory falhou ao tentar entrar em órbita terrestre após ser lançado na base Vandenberg, da Força Aérea dos Estados Unidos, nesta sexta-feira (04/03/2011), na Califórnia.

Uma capa protetora do foguete Taurus XL, que transportava o satélite, não se desprendeu após três minutos do início do voo (7h09 em Brasília), como era esperado.

Adiado de 23 de fevereiro para 4 de março, o voo falhou pois não houve velocidade suficiente para que o satélite atingisse a órbita da Terra, segundo a NASA.

Parte superior do foguete com Glory a bordo (Foto: Randy Beaudoin / NASA)"A carenagem não se separou e o veículo não atingiu a velocidade suficiente […] para alcançar a órbita", disse um porta-voz da agência. Segundo ele, os cientistas ainda não sabem explicar o que provocou a falha.

O satélite chegou a se separar do foguete, mas a carenagem de proteção, em forma de cone, que o recobria, não se destacou completamente, fazendo com que se tornasse muito pesado e caísse no Pacífico dando um prejuízo de US$ 424 milhões (R$ 697 mi) à NASA.

"Estamos muito abatidos", declarou à imprensa Ron Grabe, vice-presidente da Orbital Sciences, construtora do foguete e do satélite.

Em entrevista à imprensa, os dirigentes da NASA e o construtor explicaram que "não registraram nenhuma anomalia" antes do lançamento, o que foi confirmado pelo diretor de lançamentos da NASA, Omar Baez.

O satélite chegou a se separar do foguete, mas a carenagem, de proteção, em forma de cone, que o recobria, não se destacou completamente, fazendo com que se tornasse muito pesado e caísse na atmosfera.

A NASA vai nomear uma comissão de investigação para determinar as causas do incidente. O lançamento já havia sido adiado duas vezes desde a data inicial de 23 de fevereiro, após um problema de controles de solo.

É o segundo fracasso em dois anos da empresa Orbital Sciences no lançamento de um satélite destinado a estudar o clima. Em fevereiro de 2009, um satélite que deveria estudar as emissões de dióxido de carbono (CO2) caiu, também no oceano, perto da Antártica. Nesse caso, também, o casco protetor permaneceu colado ao satélite, causando sua queda. Mas o fabricante preferiu não fazer uma comparação.

"Não há ainda dados disponíveis para ir mais longe", declarou o diretor-geral adjunto da Orbital, Rick Straka. Grabe explicou que, desde o fracasso de 2009, o sistema elétrico havia sido substituído e que três lançamentos puderam ser realizados com sucesso. "Estávamos, então, confiantes, e pensávamos ter solucionado o problema."

Taurus XL com Glory a bordo (Foto: Randy Beaudoin / NASA)

O satélite foi construído para observar a Terra e ajudar os cientistas a entender como o Sol e partículas atmosféricas pequenas conhecidas como aerossois afetam o clima no planeta. O objetivo era fornecer dados para a construção de um mapa mais detalhado sobre as causas do aquecimento global.

O Glory estava equipado com dois novos instrumentos projetados para estudar alguns elementos mais complexos do sistema climático terrestre.

O primeiro é o Aerosol Polarimetry Sensor, que vai estudar como os aerossóis podem influenciar o clima, absorvendo ou refletindo os raios solares e também modificando as nuvens e as precipitações. O segundo é o Irradiance Monitor, que mede a energia solar absorvida pela Terra.

O satélite tinha o tamanho de uma geladeira comum e deveria se juntar a um conjunto de satélites conhecido como A-Train ou Afternoon Constellation, que já trabalham na órbita terrestre com a meta de detalhar a biosfera e o clima terrestre.

Além do Glory, o Taurus XL transportava os primeiros nanossatélites de um programa de educação da NASA, chamados CubeSats e criados por estudantes universitários. 

Anúncios