Foguete pôs em órbita satélite de sensoriamento remoto. 2010 foi ano difícil para programa espacial indiano.

Alcançando sucesso após duas falhas em foguetes ano passado, a Índia colocou três satélites em órbita na quarta-feira (20/04/2011) com o Veículo de Lançamento de Satélites Polares (PSLV), um foguete com 14 andares de altura que completou sua 17ª missão bem sucedida.

O foguete decolou à 0442 GMT (01h42 de Brasília, 10h12 na hora local) do Centro Espacial Satish Dhawan, na Ilha Sriharikota, na costa leste da Índia.

O PSLV avançou no céu com sua maior parte ensolarado, indo na direção sudoeste antes de virar para o sul para atingir uma órbita polar síncrona com o Sol a cerca de 820 km da Terra.

Produzindo um empuxo de quase 830 mil kg, os seis propulsores auxiliares e o primeiro estágio, propelido por combustível sólido, levaram o PSLV a uma altitude superior a 64 km em menos de dois minutos. Então, o segundo estágio, propelido por hidrazina, acelerou o foguete a quase 14,4 km/h. Mais dois estágios terminaram o serviço, colocando as três cargas em uma órbita estável.

PSLV-C16 visto do topo da Torre de Serviço Móvel (Foto: ISRO)

"Estou extremamente feliz em anunciar que a missão PSLV-C16/Resourcesat 2 foi bem sucedida", disse K. Radhakrishnan, presidente da Organização de Pesquisa Espacial Indiana (ISRO)

O anúncio foi recebido com aplausos fervorosos dos engenheiros no centro de controle do PSLV. Embora o foguete tenha tido sucesso, o programa espacial indiano sofreu um ano turbulento com consecutivos lançamentos falhos de seu foguete GSLV, maior, e acusações de nepotismo institucional.

Sensoriamento remoto  O quarto estágio do PSLV liberou o satélite Resourcesat 2, de 1.160 kg, 18 minutos após a decolagem. Substituindo um satélite lançado em 2003, o Resourcesat 2 irá ajudar autoridades a responder a desastres naturais, monitorar a agricultura em gerenciar infra-estrutura e estradas rurais e urbanas.

"Este é o 18º lançamento do PSLV e o Resourcesat 2 é o 18º satélite de sensoriamento remoto da Índia", disse Radhakrishnan após o lançamento.

O Resourcesat 2 irá ajudar cientistas ambientais a medir a contaminação do solo, localizar recursos hídricos e monitorar tendências de uso da terra. agências de segurança da Índia também utilizarão dados do satélite.

A nave carrega três câmeras de luz visível e infravermelha com uma resolução máxima de 5,8 metros. As câmeras são versões atualizadas das do Resourcesat 1, um satélite antecessor que já ultrapassou suas projeções de tempo de vida.

Projetado para operar por, no mínimo, cinco anos, o Resourcesat 2 também carrega eletrônica avançada e miniaturizada e um instrumento de experimental de rastreamento de navios do Sistema de Identificação Automática (AIS) para coletar posição, velocidade e outras informações de embarcações de alto mar. A carga AIS foi construída pela Com Dev, do Canadá.

Em órbita  Também foram lançados dois satélites menores: um para universitários da Índia e Rússia e outro para Singapura.

A YouthSat, uma missão conjunta entre estudantes indianos e russos, carrega três instrumentos científicos para estudar a atmosfera superior e medir raios solares e cósmicos.

O X-SAT, o primeiro satélite nacional de Singapura, possui uma câmera multi-espectral e irá demonstrar tecnologias de sensoriamento remoto  partir do espaço e de processamento de imagens.

Ambos pesavam cerca de 87 kg no lançamento.

Este foi o primeiro lançamento da Índia em 20011. Mais três missões do PSLV estão planejadas para este ano, com a próxima marcada para junho com o satélite de comunicações indiano GSAT 12.

Satélites presos ao PSLV anes da proteção do nariz ser istalada (Foto: ISRO)

Ano difícil  Autoridades ainda estão investigando e resolvendo problemas que prejudicaram dois lançamentos GSLV em 2010. A Índia também está tentando aperfeiçoar um terceiro motor criogênico próprio para o GSLV. O motor próprio foi o culpado de um acidente em um lançamento do GSLV em abril de 2010.

Optando por um par de motores criogênicos russos remanescentes em seu inventário, a ISRO lançou outro GSLV em dezembro, mas o foguete se desintegrou menos de um minuto após o lançamento, quando foi perdido o controle.

O PSLV voou uma vez em 2010, mas seu sucesso foi ofuscado pelas falhas do GSLV e o desmantelamento de um acordo corrupto entre a agência espacial e uma empresa de comunicações multimídia.

Um contrato controverso de largura de banda S-band entre a Antrix Corp., a divisão de vendas comerciais da ISRO e Devas Multmedia foi anulada em fevereiro por uma comissão de gabinete do governo em meio a alegações de corrupção. A Devas é liderada por uma ex-autoridade sênior da ISRO e a empresa pagou US$ 300 milhões para arrendar capacidade de comunicações S-band em dois satélites que devem ser lançados nos próximos anos.

Citando crescentes necessidades estratégicas e sociais, o governo indiano encerrou o contratou em fevereiro.

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