Pesquisa indica influencia de lua em auroras de Saturno. Criovulcanismo parece estar relacionado.

Um artigo na Nature sugere que estas auroras seriam fracas e na parte ultravioleta do espectro luminoso.

Auroras de Saturno; mancha em destaque parece ser causada por interação com encélado (Foto: JPL/NASA)

A descoberta feita pela sonda Cassini é similar ao "circuito" elétrico entre Júpiter e três de suas luas.

Elétrons fluem entre os pólos de Encélado em um vasto laço e causam auroras onde atingem o campo magnético de Saturno.

O processo de criação de auroras é similar ao que acontece em altas latitudes na Terra – velozes partículas carregadas do vento solar tem sua trajetória curvada pelo campo magnético terrestre e emitem as famosas luzes do norte e do sul.

Em contraste, os campos criados por Júpiter e Saturno abrangem suas luas e o que é conhecido como acoplamento eletrodinâmico traz partículas diretamente das luas, completando o que é, na verdade, um circuito elétrico.

Presume-se que o mecanismo por trás das auroras de Júpiter seja enxofre da atividade vulcânica da lua Io dividido em elétrons e íons pela luz do Sol.

Em Encélado, porém, a suspeita fonte de elétrons é o criovulcanismo – atividade vulcânica que expele líquidos, no caso de Encélado, gelo salgado.

Saturno fotografado pela Cassini (Foto via BBC)

Oportunidade rara  A Cassini estuda Saturno e suas luas desde 2004, quando chegou por lá. Ano passado, sua missão foi estendida até 2017.

Ela já fez 12 passagens por Encélado. Na passagem de 11 de agosto de 2008, cientistas detectaram um grande feixe de íons vindo da lua e confirmaram os laços de elétrons.

"Acho que é uma descoberta muito animadora e interessante", disse Andrew Coates, coautor do estudo da University College London. "Cinco ou seis anos atrás, não sabíamos que Encélado estava adicionando material no Sistema Solar – agora temos efeitos animadores como estas ligações de corrente elétrica e magnética à ionosfera de Saturno, produzindo esta mancha [na aurora]."

A equipe diz que as auroras são de um décimo a da intensidade das vistas em Júpiter e são muito variáveis em intensidade – por volta de um fator de três.

Eles supõem que isso se deva às variações nos gêiseres que alimentam o processo – que o professor Coates diz parecer estar acontecendo em outro lugar.  "Provavelmente, é um processo universal; poderia ser algo que está acontecendo em outros lugares como [a lua de Netuno] Tritão ou planetas extra-solares onde há ‘Júpiteres quentes’."

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