Dados de pesquisa foram colhidos pela sonda Galileu. Io libera cerca de 100 vezes mais magma que a Terra.

Confirmado: a Terra não está sozinha no Sistema Solar quando o assunto são erupções vulcânicas de magma em superfícies rochosas.

Dados da sonda Galileo, da NASA, deixam claro que existe um "oceano" de magma por baixo das rochas de Io, lua de Júpiter considerada o corpo mais ativo vulcanicamente no Sistema Solar.

E a quantidade de material liquefeito não é pouca: Io libera cerca de cem vezes mais magma do que todos os vulcões da Terra. Com isso, o manto magmático de Io, estimam os cientistas, alcançaria mais de 50 quilômetros de espessura – ou o mesmo que cerca de 10% de seu volume. A temperatura estimada do manto é de cerca de 1.200°C.

O achado, publicado na última edição da Science, deriva do trabalho de pesquisadores de três universidades dos EUA.

Io, lua de Júpiter (Foto: NASA)

"Estamos animados porque finalmente conseguimos explicar algumas das informações obtidas pela Galileo", disse Krishan Khurana, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA).

A sonda Voyager, também da NASA, já havia indicado a possibilidade da presença de vulcões em Io em 1979.

Desde então, de acordo com Khurana, os cientistas acreditavam que a lua tivesse erupções com lava (basicamente magma que sai para a superfície). Mas a hipótese ainda não estava completamente confirmada.

Eletricidade  Como a instalação de aparelhos na superfície dessa lua seria inviável, as erupções foram percebidas por um sinal eletromagnético que o interior de Io emite conforme a movimentação do magma.

Esse sinal é percebido porque, quando derretidas, as rochas de Io (assim como outras) são capazes de transmitir eletricidade.

Isso já tinha sido levantado por trabalhos recentes na física dos minerais. Um grupo de rochas, conhecidas como ultramáficas, possui essa propriedade. Alguns exemplos desse tipo de rocha são encontrados aqui na Terra, na Suécia.

Mas, no caso de Io, o magma é ainda mais potente. "Nessa lua, ele é milhões de vezes melhor na condução de eletricidade do que as rochas da Terra", diz Khurana.

Vulcão em Io (Foto: arquivo)O sensor da Galileo mostrou ainda que o campo magnético de Júpiter continuamente rebate os sinais das rochas derretidas nessa lua. E é esse sinal ricocheteado que o sensor captava.

Diferentemente do que acontece na Terra, os vulcões de Io ficam espalhados por toda a sua superfície. Por aqui, a concentração vulcânica é maior perto do oceano Pacífico. Mas os cientistas acreditam que a Terra e Io tenham magma de origem similar. 

Agora, na próxima fase, os cientistas vão projetar alguns modelos de interação entre o campo magnético de Júpiter e o da lua "vulcânica".

A sonda Galileo, que leva o nome do astrônomo italiano que descobriu a lua Io no Século XVII, Galileu Galilei, foi lançada em 1989. A nave robótica começou a orbitar Júpiter em 1995. No final de 1999, a sonda começou a receber sinais magnéticos de Io.

Depois de uma longa e brilhante carreira científica, a Galileo foi intencionalmente destruída ao entrar na atmosfera de Júpiter em 2003. A intenção do "suicídio" foi proteger de contaminação o oceano de Europa, outra lua de Júpiter.

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