Comparticipação brasileira, satélite estudará salinidade oceânica. Clima também é foco de sonda.

A NASA lançou com sucesso na manhã desta sexta-feira (10/06/2011) o satélite Aquarius, que vai medir a salinidade dos oceanos da Terra. A missão visa entender melhor as correntes marítimas e melhorar a previsão do tempo.

O satélite foi lançado da base de Vandenberg, na Califórnia, por um foguete Delta 2. A ignição, às 11h30 de Brasília, ocorreu com um dia de atraso. O adiamento por 24 horas serviu para que os engenheiros pudessem rever os planos de voo.

Lançamento do Aquarius em foguete Delta 2 na Califórnia (Foto: AP)

O primeiro estágio se separou aos 4,32 minutos depois de voo. A separação do satélite do segundo estágio ocorreu pouco mais de 57 minutos depois.

Os primeiros dados enviados pela sonda mostram que ela funciona normalmente. Pelos próximos 24 dias, ela deve ser testada e manobrada até a sua posição final, a 657 km de altura.

O monitoramento dos níveis de sal nos oceanos será feito durante três anos. Os instrumentos do Aquarius, que custou US$ 400 milhões, são tão sensíveis e precisos, que são capazes de detectar as menores mudanças mesmo a vários quilômetros abaixo do mar.

A cada sete dias, o Aquarius traçará por completo um mapa dos oceanos, produzindo estimativas mensais que vão mostrar como os níveis de sal mudam com o tempo e a localização.

Para isso, o Aquarius foi equipado com três receptores de rádio ultrassensíveis que gravarão as frágeis radiações de micro-ondas emitidas naturalmente pelos oceanos. Essas emissões variam em função da condutividade elétrica da água, diretamente relacionada à salinidade.

O satélite também possui instrumentos para "reunir dados ecológicos que terão uma grande variedade de aplicações, como estudos sobre os riscos naturais, a qualidade do ar, a evolução dos solos e a epidemiologia", explica a NASA.

Lançamento do Aquarius/SAC-D (Vídeo: NASA)

 

O satélite europeu Smos, lançado em 2009, já estuda a salinidade dos oceanos, mas o Aquarius permitirá melhorar os conhecimentos científicos graças à precisão de seus dados.

"O Aquarius é um componente essencial de nosso trabalho nas ciências da Terra e pertence à próxima geração de observatórios orbitais que vão melhorar os conhecimentos sobre nosso planeta", disse Lori Garver, diretora adjunta da NASA, em comunicado.

"A informação obtida graças a essa missão permitirá melhorar nosso entendimento dos oceanos", assegurou Michael Freilich, diretor da Divisão de Ciências da Terra da NASA, em Washington.

A NASA apontou que esta missão permitirá medir os níveis de sal da superfície dos oceanos "de forma mais detalhada", como jamais foi feito, o que vai melhorar a capacidade de prever o clima, disse em maio Gary Lagerloef, responsável pelo projeto.

Aquarius no Labotarório de Integração e Testes (LIT) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos, SP (Vídeo: LIT/INPE)

 

O propósito do estudo é prever mudanças climáticas no futuro e fenômenos como as correntes do El Nino e de La Nina, que interferem diretamente no tempo.

A missão também pretende registrar, com câmeras, ocorrências ambientais como erupções vulcânicas e incêndios florestais.

Delta 2 com Aquarius aguarda na plataforma de lançamento (Foto: Bill Ingals)

A pesquisa é bancada por uma parceria internacional que envolve Estados Unidos, Brasil, Canadá, França e Itália, sendo a nave em si de fabricação argentina.

O lançamento do Aquarius ocorre três meses depois da perda de Glory, um satélite de observação da Terra de US$ 424 milhões que não conseguiu se separar de seu sistema de propulsão e se destruiu no oceano.

O lançamento do Aquarius foi o primeiro dos cinco previstos para este ano pela United Launch Alliance, a parceria entre Lockheed Martin Corp. e Boeing Co. para a construção de foguetes. As outras missões da United Launch Alliance compreendem o lançamento da espaçonave Juno, para Júpiter, Grail para a Lua, o satélite de estudo ambiental NPP, e o Mars Science Laboratory Curiosity, para de Marte.

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