Missão ocorrerá em 2016 durante tempestade de poeira e contará com sonda orbital. Pela primeira vez, serão medidos campos elétricos.

A NASA e a ESA (Agência Espacial Europeia) escolheram os experimentos para uma nova sonda que deverá decolar em direção a Marte em 2016.

Chamada de Entry, descent and landing Demonstrator Module ("módulo demonstrador de entrada, descida e pouso", EDM), a sonda irá estudar a atmosfera marciana enquanto estiver a caminho da superfície do planeta. Ela também fará uma variedade de leituras ambientais e enviar os primeiríssimos dados sobre campos elétricos na superfície de Marte, anunciaram autoridades da ESA na sexta-feira (10/06/2011).

"O EDM estará pousando durante a temporada de tempestades de areia", disse Jorge Vago, cientista do projeto ExoMars, em uma declaração. "Isso fornecerá uma chance única de caracterizar uma atmosfera carregada durante a entrada e descida [da sonda], e conduzir medições interessantes da superfície associados a um ambiente rico em poeira."

Concepção artística do TGO e do EDM, componentes da missão EXoMars 2016 (Foto: ESA-AOES Medialab)

Poucos dias de ciência na superfície  A missão ExoMars 2016, que deve ser lançada em janeiro de 2016 e chegar a Marte nove meses depois, possui duas partes: o EDM e o Trace Gas Orbiter ("orbitador buscador de traços de gases", TGO). O TGO irá escanear a atmosfera de Marte por cerca de dois anos terrestres, medindo os níveis de metano e outros gases de possível importância biológica no planeta.

O EDM, como seu nome sugere, é mais uma unidade de demonstração do que um veículo científico. Sua principal tarefa é testar tecnologias para futuras visitas a Marte. Porém, os cientistas também vão tirar algumas observações científicas da sonda durante sua missão de dois a quatro dias na superfície.

Duas investigações conjuntas, por exemplo, irão usar os dados de engenharia de entrada, descida e pouso do EDM para reconstruir sua trajetória, o que vai ajudar cientistas a aprender algo sobre as condições atmosféricas marcianas, disseram autoridades da ESA.

Uma vez que o EDM pousar, uma carga específica, chamada Dust characterization, Risk assessment, and Environment Analyzer on the Martian Surface ("analizador de caracterização de poeira, avaliação de riscos e ambiente na superfície marciana", DREAMS) irá servir de estação ambiental.

Equipes de cientistas e engenheiros de nove países irão desenvolver sensores para medir velocidade e direção do vento, humidade, pressão, temperatura da superfície e transparência da atmosfera.

Campos elétricos  O DREAMS também irá fazer as primeiras medições de campos elétricos na superfície de Marte. Campos elétricos devem ser gerados quando grãos se esfregam um no outro na atmosfera rica em poeira.

O EDM também terá um sistema de câmeras coloridas. Ainda não foi escolhido o projeto da câmera, mas a decisão e esperada para antes do fim do ano, segundo autoridades da ESA.

"A seleção destas investigações científicas complementa as metas tecnológicas do EDM", disse Vago. "Foi um passo importante que permitirá nossa equipe a prosseguir com o desenvolvimento deste elemento importante da missão."

A ExoMars 2016 é a primeira de duas missões que a NASA e a ESA estão desenvolvendo justas. O outro projeto, ExoMars 2018, irá colocar um jipe robótico em Marte para procurar por evidências de vida passada ou presente. Outra meta do ExoMars 2018 é demonstrar tecnologias para uma futura missão com retorno de amostras.

O robô da missão ExoMars 2018 será equipado com uma broca para acessar ambientes a mais de 2 metros abaixo da superfície. Ambientes subterrâneos possuem maior proteção contra a radiação ultravioleta que bombardeia a superfície de Marte, fazendo com que a vida se desenvolva mais provavelmente no subsolo.

O ExoMars estava originalmente prevista para construir dois jipes: o ExoMars, da ESA, e o MAX-C Explorer/Cacher, da NASA. Recentemente, preocupações com o orçamento mudaram o projeto.

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