Detritos passaram a 260 metros de complexo. Após emergência, tripulantes retornaram à ISS.

Os seis membros da tripulação da Estação Espacial Internacional (ISS) foram forçados nesta terça-feira (28/06/2011) a deixá-la e seguir para a nave Soyuz devido à proximidade de restos de lixo espacial.

Usualmente, a Estação é desviada se algum detrito for passar numa zona de segurança pré-determinada. Na terça-feira, não houve tempo para isso.

"Restos espaciais foram localizados muito tarde para que a estação espacial fizesse uma manobra para evitá-los. Os seis membros da tripulação receberam a ordem de subir a bordo da nave Soyuz" disse uma fonte espacial russa.

Pouco depois, a mesma fonte anunciou que o perigo tinha passado, indicando que um detrito não identificado havia passado muito perto da instalação espacial. "A tripulação foi informada que um detrito espacial havia passado ao lado da estação e que pode deixar as naves Soyuz."

A ISS fotografada em 29/03/2011 pela tripulação do Endeavour após sua desacoplagem do complexo durante a missão STS-134 (Foto: NASA)

A passagem ocorreu às 9h08 de Brasília. A NASA tomou ciência da ameaça às 17h de segunda-feira.

Os cosmonautas russos Aleksandr Samokutiayev e Sergei Volkov, e o astronauta da NASA Ronald Garan subiram a bordo da Soyuz TMA-21, enquanto o russo Andrei Borisenko, comandante, o estadunidense Michael Fossum e o japonês Satosi Furukawa refugiaram-se na Soyuz TMA-02M. Eles fazem parte da 28ª Expedição (tripulação permanente) da ISS.

Vinte minutos depois, o lixo orbital passou a 260 metros da estação, e a tripulação que havia se refugiado na nave de socorro pôde voltar à Estação.

"O Controle da Missão, logo após à maior aproximação, deu à tripulação um sinal de que estava tudo bem e disse para voltarem", declarou Kelly Humphries, porta-voz da NASA, ao site Space.com no Centro Espacial Johnson, Em Houston, Texas.

"Foi um detrito desconhecido", disse. A NASA não sabe se foi um estágio de foguete usado, uma pequena rocha espacial, ou mesmo um fragmento de uma colisão de satélites de 2009 ou de um teste chinês de destruição de satélite de 2007.

Procedimento padrão  Segundo uma porta-voz do Centro de Controle Voos Espaciais (CCVE), em Moscou, quando a ISS se vê ameaçada por restos de lixo espacial, a tripulação recebe ordem para ir a bordo das naves de resgate e poder fugir da estação, caso necessário.

"Trata-se de um procedimento normal de evacuação em caso de necessidade, e os astronautas têm instruções permanentes nesse sentido", explicou.

Em caso de impacto, a ISS pode sofrer uma despressurização, o que condenaria sua tripulação. Na pior hipótese, os astronautas poderia utilizar as Soyuz acopladas à ISS para retornar à Terra.

Em 12 de março de 2009, a tripulação da ISS se refugiou a bordo de uma nave Soyuz quando um detrito ameaçou a estação. Dez minutos depois, a NASA anunciou que não havia mais perigo.

Na época, os cientistas alertaram que esses incidentes iriam aumentar devido à quantidade de lixo espacial cada vez maior.

Campo minado  O lixo espacial é um perigo crescente com cada vez mais satélites em órbita e representa um dos desafios mais importantes das empreitadas orbitais futuras, disse à Reuters o especialista em indústria Vladimir Gubarev.

"Estão todos espaçados apenas uns 100 metros uns dos outros. Um satélite entra no caminho do outro. Está muito lotado" disse Gubarev, um jornalista espacial renomado que foi o porta-voz soviético da missão Apollo-Soyuz, em 1975.

Detritos no espaço representam um sério risco a espaçonaves operacionais em órbita por sua velocidade orbital. A 8 km/s, mesmo uma peça pequena pode causar um impacto mortal.

Além de satélites abandonados e de alguns outros objetos grandes, os especialistas estimam que cerca de 300.000 detritos de 1 a 10 cm e bilhões de objetos menores gravitem em torno da Terra.

Cerca de 18.000 desses objetos são monitorados por radares americanos, pois são considerados muito perigosos para as naves e para a própria ISS por se deslocarem a velocidades de dezenas de milhares de quilômetros por hora.

Esta vigilância não impediu uma colisão no dia 10 de fevereiro de 2009 entre um satélite militar russo e um satélite comercial americano. De acordo com especialistas, foi a primeira vez que um incidente desse tipo foi registrado.

A tripulação da ISS continua os preparativos para receber a missão STS-135, do ônibus espacial Atlantis, que deve ser lançado em 8 de julho.

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