País quer estação espacial até 2020. Módulo ficará 2 anos em órbita e servirá para acoplagens de naves tripuladas.

Sob olhares atentos de seu primeiro-ministro Wen Jiabao, a China lançou na quinta-feira (29/09/2011) à noite seu primeiro módulo de teste de estação orbital

O país pretende ter uma estação permanente até 2020, nos moldes da Estação Espacial Internacional (ISS).

O foguete Longa Marcha 2FT1, que transporta a nave Tiangong-1 ("palácio celeste", em chinês), decolou no horário previsto, às 21h16 de quarta (10h16 de quinta em Brasília), da base de Jiuquan, cidade na província de Gansu, no Deserto de Gobi.

Laçamento do módulo Tiangong-1 (Foto: AFP)

Foguete Longa Marcha com a nave Tiangong-1, antes da decolagem (Foto: Petar Kujundzic / Reuters)

Falhas durante o lançamento de um satélite experimental no mês passado deixaram os cientistas da agência espacial chinesa apreensivos antes da decolagem.

O lançamento aconteceu a dois dias da festa nacional chinesa, celebrada em 1º de outubro.

O presidente Hu Jintao estava no Centro de Controle de Voos Espaciais de Pequim. Também acompanharam o lançamento o primeiro-ministro Wen Jiabao e o vice-presidente Xi Jinping.

Dez minutos depois do lançamento, Tiangong-1 se separou do foguete, a 200 km da Terra. Em seguida, o módulo abriu seus dois painéis solares.

Menos de 30 minutos após o lançamento, Chang Wanquan, diretor dos programas espaciais tripulados chineses, anunciou que a operação foi um sucesso.

Ao módulo, um protótipo que terá vida útil de dois anos no espaço, será acoplado dentro de um mês à nave não tripulada Shenzhou 8. Em seguida virão duas, com pelo menos um astronauta a bordo, a Shenzhou 9 e a Shenzhou 10.

A Tiangong-1 girará em uma órbita a 350 km da Terra, superior à da Estação Espacial Internacional (ISS), laboratório espacial operado em colaboração com 16 países, e depois descerá até 343 km para o acoplamento com a nave Shenzhou 8.

Lançamento do foguete Longa MArcha 2FT1 com móduol Tianggong-1 (Vídeo ITN News)

Isabelle Sourbès-Verger, especialista no programa espacial chinês no Centro Nacional de Pesquisa Científica Francês, diz que "os chineses utilizam sistemas de acoplamento idênticos aos sistemas russos porque o programa Shenzhou se assemelha muito à tecnologia do tipo Soyuz".

"Se os chineses demonstrarem que têm uma capacidade de acoplamento que funciona bem, isto os colocará na potencial posição de poder um dia aspirar a ter acesso à Estação Espacial Internacional", disse ela.

Mas para Morris Jones, analista australiano de questões espaciais, "os maiores problemas dos chineses para participar na ISS são de ordem política". "O governo dos Estados Unidos é contra."

Turistas observam o foguete Longa Marcha 2F, que transporta o primeiro módulo da estação chinesa (Foto: France Presse)

No ano passado, a China aproveitou a data de seu feriado nacional para lançar uma sonda lunar, a Chang’e-2, como parte do programa de voos espaciais tripulados iniciado há 20 anos. Em 2003, o país se tornou a terceira nação a enviar homens ao espaço, depois da antiga União Soviética e dos Estados Unidos. O país foi o terceiro na história a conseguir colocar um astronauta para "caminhar" no espaço, atrás apenas dos Estados Unidos e da Rússia.

Hoje, a China compete com as duas potências espaciais e pretende colocar em 2012 um veículo para vasculhar a superfície da Lua. Já a estação espacial deverá pesar 60 toneladas quando pronta e deve começar a funcionar em 2020. Será um pouco menor que a Estação Internacional Espacial, que é coordenada por 16 países e exclui a China.

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