Pesquisa relaciona extinções passadas com GRBs. Radiação afeta camada de ozônio, deixando radiação UV do Sol chegar à superfície.

A persistência da vida na Terra pode depender de grandes explosões na galáxia, segundo uma nova teoria que sugere que poderosas explosões de radiação no espaço podem ter feito parte de algumas das quatro maiores extinções da Terra.

As explosões de raios gama (gamma-ray bursts, GRBs) – que acredita-se ocorrerem na colisão de duas estrelas – pode liberar grandes quantidades de radiação gama de alta energia no espaço. Pesquisadores descobriram que estas explosões podem estar contribuindo para a diminuição da camada de ozônio do planeta. O rompimento da camada reduz a filtragem de luz ultravioleta à superfície, onde pode causar mutação genética nos organismos vivos.

Agora, cientistas estão começando a ligar as GRBs às extinções na Terra, que podem ser datadas por fósseis.

"Acreditamos que um tipo de explosão de raios gama – uma explosão curta – é provavelmente mais significante que uma explosão mais longa", disse o pesquisador Brian Thomas, da Universidade Washburn, em Topeka, Kansas, numa declaração. "A duração não é tão importante quanto a quantidade de radiação."

A pesquisa estava marcada para ser apresentada hoje (09/10/2011) no encontro anual da Sociedade Geológica da América, em Minneapolis.

Explosão  As GRBs podem ser de dois tipos: longa e brilhante ou curta e pesada – que dura menos que um segundo mas emite mais radiação que o primeiro tipo.

Se uma explosão dessas ocorresse na Via Láctea, seus efeitos na Terra durariam muito mais. A radiação chega à nossa atmosfera e faz com que átomos livres de oxigênio e nitrogênio se unam, podendo formar óxidos nitrosos, compostos que destroem o ozônio. Estes óxidos duram bastante tempo na atmosfera e ficam destruindo a camada de ozônio até caírem do céu na forma de chuva.

As explosões curtas podem ser causadas por encontros entre estrelas, como colisões de estrelas de nêutrons ou buracos negros. Os pesquisadores conseguiram estimar que tais colisões estelares provavelmente ocorrem cerca de uma vez a cada 100 milhões de anos em qualquer galáxia. Nesta taxa a Terra teria sido atingida várias vezes por estes eventos em seus 4,5 bilhões de anos.

Vida  A destruição da camada de ozônio pode ter muitos efeitos na vida no planeta. A radiação nas plantas e animais poderia liberar o caos nas cadeias alimentares levando a extinções globais.

Dados coletados pelo satélite SWIFT, da NASA, que captura GRBs em outras galáxias, melhorados e acumulados estão fornecendo uma conjectura melhor para o poder e ameaça das GRBs curtas à vida na Terra. Os pesquisadores também estão procurando por evidências de GRBs passadas, incluindo elementos especiais que são criados apenas quando radiações atingem o planeta, como um versão pesada do ferro.

Agora, Thomas está trabalhando com paleontólogos para relacionar níveis deste ferro pesado com evidências de extinções nos fósseis.

"Trabalho com alguns paleontólogos e tentamos procurar por correlações com extinções, mas eles são céticos", diz Thomas. "Então se você conversar com paleontólogos, eles não estão muito nessa, Mas, para astrofísicos, parece bem plausível."

Fonte: Space.com

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