Radiação solar aquece topo atmosférico. Pico de atividade solar deve ocorrer em 2013.

O elo entre o clima severo de inverno na Europa e na América do Norte – incluindo o frio dos últimos três anos – e  ciclo solar de 11 anos está ficando mais forte. A conclusão é de um estudo abordado no domingo (09/10/20e11) pelo site da revista Nature Geoscience.

No ano passado, a revista New Scientist relatou que físicos suspeitavam que fenômenos na estratosfera ligavam a atividade solar aos invernos severos no Reino Unido.

Cientistas do Escritório Meteorológico do Reino Unido realizaram uma nova análise de flutuações na radiação solar ultravioleta, dando força à ligação e sugerindo um mecanismo para como a atividade solar pode afetar o clima sazonal. A equipe reforça que suas descobertas não sugerem uma ligação com o aquecimento global de longo prazo.

Os pesquisadores usaram medições por satélite para mostrar que as flutuações na radiação UV estão cinco vezes maiores do que se pensava.

Quando conectaram os dados no modelo de computador do Centro Hadley – um dos principais modelos do clima global –, em Exeter, Inglaterra, eles conseguiram mostrar como as flutuações afetam o clima regional.

"[A radiação] UV é absorvida na estratosfera, a atmosfera superior, pelo ozônio", explica Richard Black, da BBC. "Portanto, no período calmo do ciclo solar, quando há menos UV para absorver, a estratosfera fica relativamente mais fria."

"O modelo do Centro Hadley mostra que os efeitos disso descem pela atmosfera, mudando velocidades de ventos, incluindo a corrente que circula o globo sobre a Europa, América do Norte e Rússia. A mudança na rede é um fluxo de ar reduzido do oeste para o leste, o que traz ar mais frio para o Reino Unido e norte da Europa e redistribui as temperaturas pela região", diz Black.

"Nossa pesquisa confirma a ligação observada entre a atividade solar e o clima regional de inverno", disse Sarah Ineson, principal autora do estudo, ao International Business Times. "É mais que apenas coincidência, existe uma correlação real entre os níveis de ultravioleta e as variáveis meteorológicas."

Os autores enfatizam que temperaturas mais baixas no norte europeu são acompanhadas por mais altas no sul, não resultando num resfriamento total da rede. "É um quebra-cabeças vai-e-vem, e quando você o coloca numa média pelo globo, não há efeito nas temperaturas globais", disse Adam Scaife, chefe da equipe de Previsão Sazonal-Decadal do Escritório Meteorológico do Reino Unido e coa-autor da pesquisa, à BBC News.

Cientistas já haviam notado o elo entre a atividade solar e o frio do inverno europeu. Parte da Pequena Era do Gelo, que afetou ocorreu no continente entre 1550 e 1850, coincidiu com um registro de poucas manchas solares, uma medida da atividade solar. Porém, até agora, segundo Scaife, não foi encontrada uma explicação física de como mudanças súbitas na radiação que atinge o topo da atmosfera poderiam causar mudanças no padrão de clima da superfície.

As medições de UV poderiam levar a uma previsão melhor. "Enquanto os níveis UV como será o clima diário, eles fornecem o prospecto animador de previsões melhoradas para as condições de inverno para os próximos meses e até anos. Estas previsões t^m um papel importante no planejamento de contingências a longo prazo." disse Ineson à Reuters.

Os cientistas ressaltaram que vários outros fatores, como a diminuição dos níveis de gelo marítimo e o El Niño, podem ter contribuído para os invernos excepcionalmente frios, reporta o The Independent. "Há muitos fatores diferentes que afetam nosso clima de inverno. Porém, o ciclo solar poderia provavelmente estar agindo de uma maneira que nos causou estes invernos frios", disse ela ao periódico.

O clima visto pelo Atlântico de 2009 a 2011 reforça a descoberta, mas os cientistas irão confirmar posteriormente seu trabalho com medições de UV solar feitas por um longo período.

Se o modelo do Escritório Meteorológico puder reproduzir climas passados com precisão, os pesquisadores esperam começar a incorporar variabilidade solar a previsões de longo prazo. Atualmente a atividade solar está aumentando e deve atingir seu máximo em 2013.

Fontes: New Scientist e Science News

Anúncios