Em setembro, europeus anunciaram que neutrinos quebraram "barreira da luz" em experimento. Novos experimentos confirmam resultados; descoberta trás grandes implicações à física.

Neutrinos, partículas elementares da matéria, voltaram a se mostrar mais velozes que a luz em novos testes realizados sobre 730 km entre Suíça e Itália, informou nesta sexta-feira (18/11/2011) o Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) francês.

Para tentar eliminar uma possível fonte de erro na medição precedente, a equipe internacional de experimentação OPERA utilizou um novo feixe de prótons para produzir os neutrinos enviados em direção ao laboratório subterrâneo de Gran Sasso, na Itália.

"Com o novo tipo de feixe produzido pelos aceleradores do CERN (Organização Europeia para Pesquisa Nuclear), fomos capazes de medir com precisão o tempo de percurso dos neutrinos", explicou Darío Autiero, cientista do Instituto de Física Nuclear de Lyon (França) e responsável de análises de medidas da equipe OPERA.

Na nova experiência, iniciada no final de outubro, vinte neutrinos puderam ser detectados no laboratório de Gran Sasso, e estas novas medidas "não mudam em nada a conclusão inicial de que os neutrinos parecem viajar mais rápido do que deveriam", destacou o CNRS.

Em 22 de setembro passado, a equipe do OPERA anunciou que alguns neutrinos haviam percorrido os 730 km superando ligeiramente (por 6 km/s) a velocidade da luz no espaço (cerca de 300.000 km/s), considerada até o momento um "limite insuperável".

Saiba mais: "Cientistas europeus descobrem neutrinos mais rápidos que a luz", 25/09/2011

"Os vinte neutrinos que avaliamos forneceram uma precisão comparável aos 15 mil que fundamentaram nossa medição inicial", assinalou Autiero.

Os feixes de prótons utilizados para produzir os neutrinos eram ultracurtos (três nanosegundos) e estavam espaçados em 524 nanosegundos, o que permitiu afinar as medições.

Para Autiero, "exames complementares" e "medições independentes" são necessários antes que "a anomalia de tempo de voo" dos neutrinos (ou sua velocidade superior a da luz) possa "ser confirmada ou rejeitada".

O neutrino é muito difícil de se detectar, porque está desprovido de carga elétrica e atravessa a matéria sem se deter.

A equipe submeteu sua pesquisa para publicação na revista New Scientist.  Entre os que assinarão o artigo científico está Luca Stanco, do Instituto Nacional de Física Nuclear da Itália, que fazia parte de um conjunto de 15 cientistas do grupo OPERA que tinha se recusado a associar seu nome aos achados antes, por acreditar que poderia haver um erro de metodologia no trabalho.

Ele disse à New Scientist que mudou de ideia porque as novas medições são "absolutamente compatíveis" com os dados originais.

Ainda não está claro como encaixar a descoberta, se ela estiver mesmo certa, no que a teoria da relatividade de Albert Einstein diz sobre o funcionamento do Cosmos.

Para Einstein, o limite de velocidade cósmico de 300 mil km/s teria uma resistência quase intransponível a ser quebrado. Os objetos que se aproximassem dele ficariam cada vez mais maciços, até se aproximar de uma massa infinita – impossível de existir.

George Matsas, físico teórico da Universidade Estadual de São Paulo (UNESP), considera "muito estranho" que apenas os neutrinos quebrem esse limite, enquanto o resto do Universo parece segui-lo.

"Se as observações forem mesmo confirmadas, um cenário possível é que os neutrinos estejam viajando por dimensões extras que só eles visitam", como se fosse um atalho, afirma Matsas. Essa possibilidade é, em princípio, compatível com a teoria da relatividade de Einstein.

Para Luís Carlos Bassalo Crispino, físico da Universidade Federal do Pará (UFPA), os dados ainda são "extremamente polêmicos". "Tendo a ser conservador e achar que isso é um erro. Há outras áreas muito mais férteis na física hoje, com dados muito mais sólidos", diz Crispino.

Via FolhaOnline e R7

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