Dupla robótica exploraria lua por uma semana em 2026. Sondas explorariam biologia e geologia locais.

A NASA está considerando enviar duas sondas robóticas à superfície de Europa, lua de Júpiter que muitos acreditam ser o melhor lugar para se buscar por vida extraterrestre no Sistema Solar.

Pesquisadores do Jet Propulsion Laboratory (Laboratório de Propulsão a Jato, JPL) da NASA, em Pasadena, Califórnia, estão trabalhando na ideia de uma missão que poderia ser lançada em 2020 e colocar duas sondas em Europa seis anos depois. O principal objetivo seria investigar se a vida poderia ter existido algum dia na grande lua, um pouco menor que a nossa e que abriga um oceano de água líquida sob sua superfície de gelo.

"Europa, eu acho, é o melhor lugar para se procurar por vida", disse Kevin Hand, que apresentou a missão nesta quinta-feira (08/12/2011) no encontro anual de inverno da American Geophysical Union (União Geofísica Estadunidense, AGU). "Europa realmente nos dá está oportunidade de procurar por vida no oceano que possui hoje e possuiu por boa parte da história do Sistema Solar", disse o membro do JPL.

Europa fotografada pela sonda Galileo, da NASA (Foto: NASA)

A ideia dos pesquisadores é lançar duas sondas idênticas, cada uma com 320 kg – sendo 36 kg de instrumentos científicos. A redundância se deve às chances de algo dar errado. "Foi um meio de conseguir reduzir alguns dos riscos inerentes a pousar na superfície desconhecida de Europa", disse Hand.

Cada robô usaria um espectrômetro de massa, sismômetros e várias câmeras diferentes para estudar o local de pouso. O espectrômetro de seria capaz de detectar vários químicos orgânicos – os blocos de construção da vida como conhecemos – enquanto as câmeras e sismômetros estudariam o passado geológico do astro.

Vida curta  Júpiter bombardeia Europa e seu ambiente constantemente com radiação poderosa. Porém, segundo Hand, as sondas não terão um escudo protetor muito forte. Tal escudo é pesado e os projetistas da missão quer dedicar o maior peso possível à carga científica.

A missão dos robôs está sendo projetada para durar apenas sete dias, para ter certeza de que eles terminarão o trabalho antes que a radiação incapacite suas ferramentas. Mas é possível que as sondas durem mais que isso, disse Hand.

Enquanto muitos astrobiólogos coçam a cabeça tentando descobrir se existe vida em Europa, a possível missão não detectaria vida em sim, explicou Hand. Ao invés disso, assim como na missão Mars Science Laboratory Curiosity, lançada rumo a Marte recentemente, ela avaliaria a habilidade do local de suportar vida no presente e no passado.

"Esta é uma missão de habitabilidade", disse Hand ao Space.com.

Superfície de Europa (Foto: NASA)

Quer pagar quanto?  Ele lembrou que a missão ainda é apenas uma ideia e muitos detalhes teriam que ser acertados antes dela poder deixar o chão. "Foi uma prova de conceitos de engenharia", disse sobre o trabalho que apresentou. "Estávamos apenas tentando ver, ‘Isso poderia ser feito?’"

Ainda assim, os resultados do estudo são encorajadores, completou. A missão a Europa requereria grandes saltos tecnológicos.

Hand não deu uma estimativa de custo da iniciativa, mas disse que provavelmente cairia entre duas categorias de projetos da NASA: missões New Frontiers e missões Flagship, sendo a última a mais cara e que inclui o robô Curiosity. Assim, o preço da missão ficaria entre US$ 800 milhões e US$ 2 bilhões.

A NASA também considera uma missão diferente para Europa. A missão Jupiter Europa Orbiter também seria lançada em 2020 e custaria cerca de US$ 4,7 bi, segundo autoridades da agência.

Fonte: Space.com

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