Bólido explodiu a 50 km do chão. Rastro foi visto a 200 km; fenômeno foi captado por inúmeras câmeras.

Mais de mil pessoas ficaram feridas nesta sexta-feira (15/02/2013) após a queda de um meteoro na Rússia. O pequeno asteroide se fragmentou na atmosfera sobre os montes Urais e seus fragmentos atingiram o solo na região de Tchielabinsk, 1.500 km a leste de Moscou.

Um rastro branco pôde ser visto em um raio de 200 km, incluindo a cidade de Yekaterimburgo. Moradores relataram ter visto uma bola de fogo descer do céu e atingir o chão com força provocando um barulho altíssimo.

Após o ruído, foi vista uma luz forte e uma onda de tremor. As autoridades locais afirmam que pelo menos 1.100 pessoas procuraram os hospitais da cidade com ferimentos leves, em sua maioria causados por estilhaços dos vidros das janelas que quebraram após a passagem do meteorito. 48 pessoas ainda estavam hospitalizadas no fim da tarde.

Moradores da região ficaram em pânico com o som e a claridade. Além dos vidros quebrados, alarmes de carros foram disparados e o serviço de telefonia celular ficou fora do ar. O teto de folhas de zinco de uma fábrica de 6000 m² caiu.

"Eu estava dirigindo para o trabalho, estava bem escuro, mas de repente veio um clarão como se fosse dia", disse Viktor Prokofiev, de 36 anos, morador de Yekaterinburgo, nos Montes Urais. "Me senti como se estivesse ficado cego pela luz", acrescentou.

Segundo informações do governo russo, o meteoro atingiu uma área de 100 mil m², danificando 3 mil prédios.

Estragos em fábrica de zinco em Tchielabinsk (Foto: AFP/74.RU/Oleg Kargopolov)

A região atingida tem forte presença de indústria bélica, inclusive com produção de armas nucleares. O Ministério de Situações de Emergência disse que os níveis de radiação na região não mudaram e que 20 mil socorristas foram enviados para ajudar os feridos e localizar os que precisam de ajuda.

Especialistas da Academia Russa de Ciências acreditam que o meteoro tinha dez toneladas. Ao entrar na atmosfera, criou uma onda de choque. A 50 km da superfície, o corpo explodiu em vários fragmentos e alguns chegaram a atingir o solo. Um deles caiu no lago Tchebarkul, a menos de 100 km a oeste de Tchielabinsk.

Foto tirada pela polícia de Tchielabinsk mostra buraco de 6 m feito por fragmento do meteorito em lago congelado (Foto via G1)

Feridos por meteoros em si por extremamente raros na história. Em geral, o fenômeno provoca apenas susto nos moradores da região atingida com o som provocado pelo rompimento da barreira do som.

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Dados de infrassom coletados por uma rede para monitorar teste de armas nucleares sugerem que a explosão do meteoro liberou centenas de kilotons de energia, o que a torna mais poderosa que os teste nucleares conduzidos pela Coreia do Norte dias atrás.

Histórico  O meteoro que explodiu esta manhã sobre a região oeste da Sibéria foi o maior objeto a atingir a Terra em mais de um século, dizem cientistas.

O último evento foi em 1908, quando um asteroide ou cometa – provavelmente um cometa – com cerca de 100 metros explodiu sobre a região desabitada de Tunguska*, na Sibéria, antes de chegar ao chão. A explosão devastou 2 mil km² da floresta.

Russia Today: imagens e primeiras informações sobre o asteroide de 15/02/2013

"Foi um evento muito, muito poderoso", disse Margaret Campbell-Brown, astrônoma da University of Western Ontario, no Canadá, que estudou dados de duas estações de infrassom próximas ao local do impacto.

Ela calcula que o meteoro tinha aproximadamente 15 metros de diâmetro quando entrou na atmosfera e cerca de 40 toneladas de massa. "O que o torna o maior objeto a atingir a Terra desde Tunguska."

(Foto: Google Earth / Arte: Eduardo Oliveira)

De raspão  Um asteroide de 45 m passou a menos de 28 mil km da Terra na tarde de sexta. Segundo Aleksandr Dudorov, físico da Universidade do Estado de Tchielabinsk, é possível que o meteorito estivesse viajando junto com o asteroide. "O que vimos pode ter sido um precursor do asteroide."

Outros especialistas negam essa ligação. Alan Fitzsimmons, astrônomo do centro de pesquisa da Queen’s University, em Belfast, afirmou que o asteroide 2012 DA14 estava se aproximando da Terra pelo sul – hemisfério contrário – indicando que os objetos estariam viajando em direções diferentes. "É uma coincidência cósmica, apesar de ser espetacular."

 

folha G1


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