Tempestade solar no dia 11 criou nuvem  que viaja a mil quilômetros por segundo. Em casos mais extremos, transmissão de energia elétrica pode ser afetada.

Na madrugada (10/04/2013) de quarta para quinta-feira (11), o Sol lançou bilhões de toneladas de plasma a quase mil quilômetros por segundo – 37 vezes mais rápido que nossa espaçonave mais rápida. A ejeção de massa coronal (coronal mass ejection, CME), uma nuvem de partículas carregadas e radiação está vindo na direção da Terra.

A radiação, viajando à velocidade da luz, atingiu a Terra em 8,5 minutos, mas as partículas, desaceleradas por sua massa, levam de 1 a 3 dias para chegar aqui. A radiação causou um breve apagão de rádio quando chegaram na região da atmosfera em que informações de GPS e comunicações trafegam, mas está tudo bem agora e os cientistas não preveem maiores complicações no chamado clima espacial.

O Observatório Heliosférico Solar (Solar Heliospheric Observatory, SOHO) registrou o momento em que a CME, ocasionada por um flare de classe M6.5, deixava o Sol em direção à Terra.

CME ocasionada por flare no dia 11/04/2013 em imagem do SOHO (Foto: ESA/NASA/SOHO/GSFC)

Veja o vídeo.

Para nos afetar, a trajetória da CME deve passar pela Terra. E mesmo que uma esteja apontando para nós, a radiação não consegue penetrar toda a atmosfera e chegar ao chão. Se você estiver no Alasca, Noruega ou Sibéria, poderá ver as auroras boreais no momento em que as partículas solares, canalizadas pelas linhas do campo magnético terrestre, colidirem com as partículas da alta atmosfera.

A nuvem deve chegar à atmosfera terrestre amanhã (sábado, 13). Ao atingir a Terra a nuvem de plasma provoca perturbações no campo magnético terrestre de intensidade variável. Em perturbações brandas ,são produzidas auroras nas altas latitudes e regiões polares. Perturbações severas produzem tempestades geomagnéticas. Nos casos mais extremos, o fenômeno pode prejudicar temporariamente a transmissão de energia em redes elétricas.

"A intensidade das perturbações sofridas pela magnetosfera terrestre depende da direção e intensidade do campo magnético associado à nuvem do CME", explicou José Roberto Cecatto, do Programa de Estudo e Monitoramento Brasileiro do Clima Espacial do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). "Ainda não é possível medir com exatidão a direção do campo magnético da nuvem do CME antes de sua chegada no ambiente terrestre, pois ainda não existe uma sonda ou satélite dedicados especificamente a essa medição."

O Observatório de Dinâmica Solar (Solar Dynamics Observatory, SDO), da NASA, capturou o flare que gerou a CME.

Imagem feita pelo SDO mostra o flare de 11/04/2013 que criou a CME (Foto: NASA/SDO)

Esta CME está associada a um flare (uma tempestade solar) de classe M de nível médio que alcançou o pico na madrugada de quarta para quinta. Embora 10 vezes mais fraco que um flare de classe X, foi o maior do ano até agora. Mais atividade solar é esperada, pois nos aproximamos do solar maximum, o ápice do ciclo de atividade solar de 11 anos.

 

Astronomy, O Globo

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