Organização sem fins lucrativos fez parceria com a NASA. Congresso sente-se sensibilizado pela causa.

Com os perigos de asteroides bem claros após a explosão de um meteoro sobre a Rússia em fevereiro, uma organização sem fins lucrativos está fazendo os próprios esforços para encontrar por rochas espaciais potencialmente perigosas.

A Fundação B612 foi criada em 2002 pelos ex-astronautas da NASA Ed Lu e Rusty Schweickart e colegas. A organização visa lançar um telescópios espacial chamado Sentinel em 2017 para catalogar asteroides próximos à Terra, incluindo os que podem nos representar perigo.

Ilustração do Sentinel (Foto: Ball Aerospace)

Até hoje, cerca de 90% dos asteroides próximos grandes o bastante para destruir todo o planeta (cerca de 1 km) foram descobertos, mas apenas alguns dos menores, que poderiam dizimar cidades (150 m) foram encontrados.

"Essencialmente, estamos voando às cegas em uma galeria de tiro cósmica", disse Scott Hubbard, arquiteto do programa da B612, a repórteres nesta terça-feira (09/04/2013) no 29º Simpósio Espacial Nacional, em Colorado Springs.

A frase pode ser muito bem ilustrada pelo ocorrido em 15 de fevereiro: um meteoro de 17 metros explodiu sobre Chelyabinsky, Rússia, poucas horas antes de um asteroide três vezes maior, o 2012 DA14 passar a cerca de 27 mil km da Terra. (Leia mais.)

Ilustrsação do 2012 DA14 e do meteoro de Chelyabinsk comparados a um campo de futebol americano (Montagem: Michael Carroll; Foto de fundo: Bernard Gagnon)

A meta do Sentinel é detectar cerca de 90% dos asteroides que poderiam acabar com uma cidade em um período de 6,5 anos.

Parceria  A missão de US$ 450 milhões será financiada por meios privados, mas a fundação se aliou com a NASA para compartilhar dados e utilizar a Deep Space Network da agência para facilitar a comunicação ente o Sentinel e a Terra. A NASA e legisladores disseram apoiar com entusiasmos a missão e os esforços da B612.

"Devemos reconhecer melhor o que o setor privado pode fazer para ajudar nossos esforços para proteger o mundo", disse o Lamar Smith, republicano do Texas presidente da Comissão de Ciência, Espaço e Tecnologia durante uma audiência no Congresso na quarta-feira (10) sobre questões relacionadas a asteroides.

Ilustração da órbita e campo de visão planejatos para o Sentinel (Foto: B612 Foundation)

A Fundação B612 também está procurando parcerias com outas organizações privadas, como a Sociedade Planetária, uma organização sem fins lucrativos para a exploração do Sistema Solar.

"Esperamos, no futuro, ser parceiros da B612 e vamos encontrar o asteroide que poderia ter nosso nome nele", disse Bill Nye, presidente da Sociedade Planetária. "Nós vamos – isto soa extraordinário – nós vamos salvar a humanidade. Soa como ficção científica, mas é real."

A apresentação da B612 no Simpósio foi um dia antes de Ed Lu falar à Comissão sobre a importância de procurarmos por asteroides potencialmente perigosos antes que eles atinjam a Terra.

Telescópio  O Sentinel irá voar numa órbita parecida com a de Vênus ao redor do Sol e terá um telescópio infravermelho para procurar por rochas espaciais quando se aproximarem do Sol, absorvendo parte da luz e reirradiando como calor.

Esquema do Sentinel (Foto: B612 Foundation, Karl Tate/Space.com; Tradução: Eduardo Oliveira/Blog do Astrônomo)

Se construirmos óculos de visão noturna sofisticados, podemos vê-lo", disse John Troeltzsch, gerente do programa da missão Sentinel na Ball Aerospace, contratada para construir a espaço nave.

A Ball era a empreiteira primária da NASA para o Telescópio Espacial Spitzer (também infravermelho) e para o caçador de exoplanetas Kepler, que como o Setinel, precisavam de uma câmera grande e a habilidade de apontar precisamente para um ponto no céu.

"Temos muita experiência com coisas muito frias observando sinais muito fracos", disse Troeltzsch. "Se você pegar o que aprendemos com o Spitzer e o que aprendemos com o Kepler, você pode obter o Sentinel."

Nos últimos 8 meses, a B612 levantou cerca de US$ 2 milhões para a missão. Esperam conseguir de US$ 30 a 40 milhões por ano para manter o projeto conforme o planejado.

 

Space.com

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