Novo observatório bateu recorde de captura de luz mais energética. Instalação será dez vezes maior no ano que vem.

O Observatório a Água Cherenkov de Alta Altitude (High-Altitude Water Cherenkov Observatory, HAWC), em um planalto mexicano agora detém o recorde de luz de mais alta energia capturada.

A imagem – a sombra da Lua conforme ela bloqueia a luz e as partículas – foi mostrada em um encontro da Sociedade Física Estadunidense (American Physical Society).

O HAWC fica a altitude de 4.100 m em um parque nacional em Puebla, México, e  atualmente é composto de 30 detectores, mas terá 300 em 2014. Cada um é um tanque de água pura com 7,3 m de diâmetro e 4 m de altura.

Instalações do HAWC (Foto: HAWC; Via BBC)

Não são captados os raios cósmicos em si, mas sim as partículas rápidas criadas quando eles atingem moléculas na atmosfera terrestre.

Mais rápidos que a luz  A velocidade da luz no vácuo não pode ser excedida, mas na matéria, esta velocidade pode ser bem menor. Quando as partículas rápidas criadas na atmosfera quebram o limite de velocidade dentro da água nos tanques, emitem flashes de luz que os detectores no fundo de cada tanque podem capturar.

Os HAWC, assim como o HESS na Namíbia ou o MAGIC nas Ilhas Canárias, captam o processo diretamente da atmosfera quando as partículas chegam à Terra.

Mas enquanto o HAWC capta menos destes eventos na atmosfera, ele pode pesquisar mais em uma noite ou dia, explicou o Tom Weisgarber, da Universidade de Wisconsin-Madison (University of Wisconsin-Madison).

"Somo muito complementares a estes outros instrumentos – mas vemos uma fração muito grande do céu", disse. "O HAWC não precisa apontar para um lugar e não é afetado pelo Sol, a Lua, o clima ou qualquer coisa – só precisa da atmosfera estar lá."

O observatório também recebe o prêmio por luz de mais alta energia que pode detectar: até 100 TeV ou dezenas de trilhões de vezes mais energético que a luz visível.

Partículas e luz com esta energia nos ajudam a entender os mais violentos processos no cosmos, de restos de supernovas a buracos-negros engolindo matéria. Apenas com sua detecção, podemos entender como estas regiões os criaram.

Primeira imagem feita pelo HAWC: a sombra da Lua (Foto: HAWC; Via BBC)

Mas o HAWC está apenas começando sua missão. E para garantir que seus primeiros 30 detectores estão funcionando conforme o esperado, a equipe fez uma imagem exatamente onde não esperava nenhum raio cósmico: a sombra da Lua.

Uma rede maior, com 100 detectores, deve estar funcionando em agosto. "É quando realmente seremos capazes de começar a fazer uma ciência realmente interessante", disse Weisgarber.

 

BBC

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