Satélites para detecção de mísseis são destaque. Ameaças de corte no orçamento não parecem ser problema.

Os planos de gastos dos US$ 527 bilhões do Departamento de Defesa dos EUA (DoD) para 2014 deixaria a maioria dos programas espaciais não-secretos intactos com a exceção de sistemas de satélites propostos para rastreamento de mísseis e vigilância espacial.

Se aprovado pelo Congresso, o plano, que inclui US$ 52 bi a mais do que o DoD está autorizado a receber como resultado dos cortes de gastos federais fora do país, forneceria um total de US$ 8 bi para programas espaciais militares em 2014, um nível consistente com os gastos de 2013.

O plano inclui apoio de financiamento para dois satélites de GPS 3, cinco Veículos de Lançamento Descartáveis Avançados (Evolved Expendable Launch Vehicle, EELV), dois satélites de comunicação segura de Frequência Extremamente Alta Avançada e dois satélites geossíncronos para a constelação do Sistema Espacial Infravermelho (Space Based Infrared System) de aviso de mísseis.

"Os programas espaciais militares parecem estar em muito boa forma", disse Loren Thompson, oficial chefe de operações no Lexington Institute, em Arlington, Virgínia. "Com exceção dos satélite de rastreamento de mísseis, é uma notícia muito boa para o setor espacial. É essencialmente o status quo do orçamento, que é surpreendente considerando a controvérsia sobre cortes propostos."

Cortes  Sob o Ato de Controle de Orçamento (Budget Control Act) de 2011, os gastos do Pentágono seriam, no máximo, US$ 475 bi em 2014. O plano de orçamento de 2014 se desvia deste limite flutuando um plano alternativo de redução de dívidas de Barack Obama. Se o Congresso rejeitar o plano e o DoD for forçado a cortar gastos rapidamente, a modernização dos equipamentos e a prontidão militar seriam afetadas, disse o secretário de defesa Chuck Hagel.

Porém, cortes adicionais no orçamento parecem prováveis, disse Josh Hartman, chefe executivo da Horizon Strategies Group, em Washington. "Este orçamento é apenas o começo de mais cortes, não apenas para programas espaciais mas fora do país", disse ele, acrescentando que pelos próximos cinco anos, os gastos com defesa devem cair 20%.

"Terão de ser feitas decisões difíceis", disse Hartman, ex-conselheiro sênior da subsecretaria de aquisição, tecnologia e logística do DoD. "Quando tínhamos todo o dinheiro pós-11/9, não tínhamos que escolher vencedores. Podíamos apostar em todos os cavalos. Agora temos que escolher vencedores e nos assegurar de que darão certo."

Ainda assim, a administração Obama não está sozinha em prosseguir como se dramáticas reduções nos gatos militares pudessem ser evitadas. Em março a Câmara e o Senado aprovaram resoluções estabelecendo os níveis de gastos de defesa em 2014 em US$ 560 e 552 bi respectivamente. "Ninguém está agindo como se o orçamento de defesa fosse ser cortado", disse Thompson.

Ilustração de satélite geossíncrono de alerta de mísseis do Sistema Infravermelho Espacial, contruídos pela Lockheed Martin (Foto: Lockheed Martin)

PTSS  O plano de orçamento cancela o Sistema Espacial de Rastreamento de Precisão (Precision Tracking Space System, PTSS) da Agência de Defesa de Mísseis – uma constelação de satélites de rastreamento de mísseis que recebeu US$ 242 milhões em 2013. Planos anteriores direcionavam US$ 268 mi para o PTSS em 2014.

Richard Lehner, porta-voz da Agência de Defesa de Mísseis, disse que o financiamento de 2013 aprovado pelo congresso para o PTSS é uma apropriação de dois anos, como no caso para todos os programas de pesquisa e desenvolvimento. Ele disse que a agência ainda está "avaliando os requisitos de financiamentos futuros para a conclusão em ordem do PTSS".

Segundo documentos, o Pentágono espera poupar cerca de US$ 2 bi pelos próximos cinco anos cancelando o PTSS. Similarmente, o Pentágono espera poupar US$ 8 mi em 2014 e US$ 500 mi no geral cancelando o sistema de acompanhamento por satélite de Vigilância Espacial no Espaço. Ainda segundo o plano, o DoD planeja começar a estudar formas alternativas de conduzir a missão de vigilância espacial.

A proposta de orçamento do Pentágono em 2014 inclui 403 mi para a atualização da Cerca Espacial (Space Fence), que visa implementar novos radares terrestres para rastrear e identificar objetos em órbita. Contudo, o comandante do Comando Espacial da Força Aérea, Gen. William Shelton, disse a repórteres no dia 9 que o contrato pendente para esta atualização poderia ser deferido indefinidamente graças a pressões de orçamento.

Os pontos mais importantes da solicitação para 2014 são:

  • US$ 58 mi para uma campanha extensiva para atualizar o Centro de Operações Espaciais Conjuntas (Joint Space Operations Center) na Base da Força Aérea de Vandenberg, Califórnia, onde autoridades da Força Aérea monitora operações de satélites e atividades de lançamento;
  • US$ 13 mi para o Programa de Testes Espaciais (Space Test Program), que encontra trajetórias até a órbita para cargas militares de ciência e tecnologia, mas nenhum recurso para o Espaço de Resposta Operacional (Operationally Responsive Space), para o campo das capacidades espaciais rápidas em resposta a necessidades militares emergentes. A Força Aérea propôs terminar estes programas em suas solicitações de 2013, mas o legislativo rejeitou a ideia e financiou ambos;
  • US$ 59 mi para continuara a pesquisa, desenvolvimento e aquisição dos vários componentes do Sistema Objetivo de Usuário Móvel (Mobile User Objective System) da Marinha, uma constelação de satélites e estações no solo para fornecer aos EUA e forças aliadas comunicações seguras semelhantes a telefones celulares;
  • US$ 1,9 bi para a compra de foguetes EELV;
  • US$ 936 mi para os satélites do programa do Sistema Infravermelho Espacial, financiamento que irá apoiar a aquisição de dois novos satélites geossíncronos de alerta de mísseis;
  • Quase US$ 1,3 bi para o programa de cronologia, navegação e posicionamento GPS, incluindo a aquisição de mais dois satélites e financiamento para o sistema terrestre associado ou segmento de controle operacional;
  • US$ 652,5 mi para a compra de dois satélites de Frequência Extremamente Alta Avançada e verba para pesquisa para reposição de componentes obsoletos de satélites e inserção de novas tecnologias;
  • US$52,3 para o programa de Comunicação Global de Banda Larga via Satélite (Wideband Global Satcom) da Força Aérea, que irá apoiar aquisição de dois novos satélites e financiar o estudo de como tornar a constelação de comunicações mais eficiente.

 

Via Space.com

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