Satélite pesquisará região de interface. Missão deve durar 2 anos.

Faltam apenas algumas semanas para que a NASA lance uma nova sonda que pretende ajudar cientistas a entender melhor a atmosfera solar.

O lançamento do Espectrógrafo de Imageamento de Região de Interface (Interface Region Imaging Spectrograph, IRIS) está previsto para 26 de junho da Base da Força Aérea de Vandenberg, na Califórnia. O satélite será lançado por um foguete Pegasus XL da Orbital Sciences que será solto de uma aeronave L-1011, da mesma empresa, a uma altitude de 39 mil pés (cerca de 12 km).

O IRIS estudará a atmosfera baixa do Sol, chamada de "região de interface". Espera-se que o satélite forneça o olhar mais detalhado desta parte da atmosfera solar, que foi pouco explorada até agora, disse Jeffrey Newmark, cientista do programa IRIS no QG da NASA em Washington, DC.

IRIS em sala limpa da Lockheed Martin (Foto: Lockheed Martin)

Atmosfera solar  Ele disse a repórteres hoje (04/06/2013) que o "IRIS irá preencher espaços cruciais no nosso entendimento do papel que a região de interface faz em dar energia à atmosfera de milhões de graus, chamada coroa".

A região de interface do Sol, onde a maior parte das emissões de ultravioleta da estrela é gerada, fica entre a cromosfera (a "superfície" visível) e a atmosfera superior. A atividade nesta área dá força à atmosfera e impele o vento solar, disse Alan Title, investigador principal da missão IRIS no Centro de Tecnologia Avançada da Lockheed Martin – que projetou e construiu a sonda –, em Palo Alto, Califórnia.

As temperaturas na região de interface passam de 5.500°C) e o IRIS estudará como o material solar se move, acumula energia e se aquece conforme viaja por esta parte da atmosfera inferior. "Imediatamente acima, as temperaturas sobem para um milhão de graus na coroa, mas como isso acontece é um mistério", disse Title. "Quais são os processos que ocorrem lá?"

Observações solares anteriores sugerem que estruturas massivas na atmosfera inferior levam energia para a atmosfera superior. Estas formações em forma de jato, que ocupam uma área aproximadamente do tamanho de Los Angeles podem se estender por até 160 km e viajar a impressionantes 580 mil km/h.

O IRIS será capaz de observar estas estruturas em detalhes sem precedentes e recolher informações sobre densidade, temperatura e velocidade das estruturas, disse Title. "O que queremos descobrir é quais são os processos físicos básicos para transferir energia e material das superfície do Sol para a atmosfera externa, para a coroa."

Satélite  Segundo autoridades da NASA, o IRIS está equipado com um telescópio ultravioleta que só consegue ver 1% do Sol por vez, mas foi projetado para fazer imagens de alta resolução com intervalos de poucos segundos e fornecer observações de áreas de 240 km no Sol.

Infográfico mostrando os componentes do IRIS (Arte: Space.com / Tradução: Eduardo Oliveira)

O satélite orbitará a Terra em uma órbita polar síncrona com o Sol, o que significa que irá voar junto com a linha de amanhecer/anoitecer do planeta, disse John Marmie, gerente de projeto assistente no Centro de Pesquisa Ames da NASA, em Moffett Field, Califórnia.

Cada órbita levará 97 minutos, de forma que o IRIS circulará o planeta 14 ou 15 vezes por dia a uma altitude de de cerca de 600 km. Segundo planejadores da missão, este caminho, feito para levar a espaçonave sobre o equador no mesmo horário local todos os dias, permite observações quase contínuas do Sol.

Após o IRIS entrar em órbita, os gerentes da missão levarão cerca de um mês verificando os instrumentos a bordo antes que o satélite comece a coletar dados científicos oficialmente.

A sonda IRIS, de 181 kg, tem 2,1 m de altura e 3,7 m de largura com os painéis solares totalmente estendidos, sendo classificada como "Small Explorer".

A missão de US$ 181 milhões deve operar por dois anos, mas os planejadores da missão dizem que o IRIS poderia operar por muito mais tempo, uma vez que ele não carrega nenhum combustível ou outro material consumível.

"Se, depois de dois anos, as observações forem saudáveis e produtivas, a NASA tem a opção de estender as operações", disse Title.

O IRIS irá se unir a uma frota de espaçonaves de observação solar operadas pela NASA e agências espaciais parceiras, como o Observatório de Dinâmica Solar (SDO), os Observatórios de Relações Terrestres e Solares (STEREOs), o Observatório Heliosférico e Solar (SOHO) e a sonda Hinode.

 

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