SLS utiliza componentes de foguetes anteriores. Foco da NASA com projeto está em ir além da órbita da Terra.

O Space Launch System (SLS), o maior foguete da história da NASA, ainda em desenvolvimento, terá seu primeiro voo de teste em 2017, segundo especialistas que falaram no Space Tech Expo, em Long Beach, Califórnia, no mês passado.

O foguete deve carregar astronautas com os destinos mais distantes até então. Enquanto isso, a NASA planeja deixar a viagem para a baixa órbita da Terra para empresas espaciais – que estão desenvolvendo táxis espaciais privados para assumir o trabalho deixado pelo Space Shuttle.

Ilustração de lançamento do SLS (Foto: Boeing)

"Começamos a trabalhar nos conceitos do Space Launch System há 10 anos", disse o ex-astronauta David Leestma, veterano das missões do Shuttle que agora lidera o Escritório de Transferência de Tecnologia e Comercialização no Centro Espacial Johnson da NASA, em Houston, Texas. "Queremos levar a NASA muito além da estação espacial. O SLS será o foguete mais poderoso já construído, e será seguro, acessível [economicamente], e sustentável."

O novo super-foguete poderá impulsionar 130 toneladas à órbita usando muitos componentes existentes em sua construção. Os foguetes principais de combustível líquido são provenientes do programa do Shuttle, assim como os gigantescos propulsores de combustível sólido. Apenas a estrutura central será nova.

Clique aqui e veja um infográfico do Space.com mostrando detalhes do SLS.

O programa do Space Shuttle terminou com 14 motores prontos e há outros dois que podem ficar prontos com trabalho mínimo, disse Jim Paulsen da empresa de motores de foguetes Pratt & Whitney/Rocketdyne. "Estamos em boa forma com os motores [principais do Shuttle]", acrescentou ele.

Animação do SLS na plataforma de lançamento (Foto: NASA)

Os propulsores de combustível sólido estão sendo retrabalhados pela Alliant Techsystems (ATK), no Utah. Eles precisam ser adaptados para o SLS e as mudanças estão "certas no orçamento e no cronograma para um voo de teste não-tripulado em 2017", disse Don Sauvageau, que trabalha na empresa de projetos de motores. "Acessibilidade [econômica] é um grande fator e este será 30 por cento mais barato do que foram para o Shuttle", disse.

No topo do propulsor gigante, estará a cápsula Orion, da NASA. Em 2014, a cápsula deve fazer um voo de teste com o foguete Atlas V – no qual o escudo térmico e os sistemas de reentrada reentrarão na atmosfera da Terra a velocidades similares às de um retorno da Lua. A NASA espera estar com a Orion pronta para um voo tripulado por volta de 2021.

A capacidade de propulsão do SLS permitirá que o foguete leve cargas a uma posição chamada L2, uma órbita estável além da Lua, participe de missões a asteroides ou mesmo de uma missão de retorno de amostras das luas de Marte. Também permitirá que a NASA envie sondas direto para planetas como Júpiter sem a necessidade de manobras de "estilingue gravitacional" em Vênus e na Terra, como aconteceu com missões lançadas por foguetes menos potentes. O tempo de viagem ao planeta gigante pode ser reduzido para três anos.

A Boeing é a principal contratada para os estágios criogênicos do SLS e seus aviônicos.

O voo de teste em 2017 está planejado para ir além da órbita lunar, com o estágio superior do propulsor impulsionado por derivados dos foguetes J2 da Pratt & Whitney/Rocketdyne, que datam da época do programa Apollo.

Animação do SLS na plataforma de lançamento (Foto: NASA) 

Além dos novos componentes do SLS, também está sendo feita engenharia reversa de equipamentos antigos, como os motores F-1 do Saturn V. Ainda não está claro se o grande motor poderá ser construído para usos futuros.

"Estamos prontos para ir além da LEO [low Earth orbit, baixa órbita da Terra] para missões mais ambiciosas", disse Leestma.

 

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