Segunda chinesa no espaço transmitirá aula da órbita. Nova técnica de acoplagem será treinada.

Hoje (11/06/2013), a China lançou a nave Shenzhou 10, com três astronautas abordo, rumo ao módulo orbital Tiangong 1. O lançamento ocorreu no Centro de Lançamento de Satélites Jiuquan, no Deserto de Gobi, na província de Gansu, extremo oeste chinês, às 17h38 locais, 6h38 de Brasília, sob céu limpo, tempo quente e com transmissão ao vivo pela TV estatal chinesa.

Lançamento do Longa Marcha 2-F com a Shenzhou 10 (Foto: Reuters)

Nie Haisheng, Zhang Xiaoguang e Wang Yaping – 33 anos, ex-piloto da Força Aérea e segunda chinesa no espaço – são a quinta tripulação chinesa a ir ao espaço. Zhang e Wang nunca foram ao espaço. Nie estava abordo da Shenzhou 6 e passou cinco dias no espaço em 2005.

O presidente Xi Jinping supervisionou o lançamento pessoalmente e falou com os astronautas antes do lançamento para desejar-lhes sucesso e dizer que estava "enormemente feliz" por estar lá. "Vocês são o orgulho do povo chinês e está missão é gloriosa e sagrada", disse.

O foguete Longa Marcha 2F, lançador da nave, foi o mais pesado a ser lançado pelo país até hoje.

Após o lançamento, a Shenzhou-10 foi colocada numa órbita de parqueamento com um perigeu a 200 km e apogeu a 329,8 km. A partir daí, o veículo utiliza seu próprio sistema de propulsão para se elevar para uma órbita quase circular a uma altitude de 330 km.

Missão  Durante sua missão de 15 dias, o tempo mais longo que taikonautas terão ficado no espaço, o trio testará a performance de si mesmos e de tecnologias no espaço.

O horário de trabalho será ajustado com o horário no solo e toda a tripulação terá um período de sono comum, ao contrário do que aconteceu com a Shenzhou 9, na qual os períodos de trabalho e de descanso estavam intercalados entre a tripulação.

Da esquerda, Yaping, Xiaoguang e Haisheng (Foto: China Out/AFP)

Yaping realizará dois eventos educacionais transmitidos para alunos do primeiro e do segundo anos e serão compostos pela realização de experiências de Física simples, como o deslocamento de objetos no campo gravitacional, as leis do movimento de Newton e experiências relacionadas com a tensão superficial de líquidos.

"Por meio deste evento, esperamos trazer o programa espacial para mais perto das gerações mais jovens, aumentando sua compreensão e atraindo seu interesse para nosso trabalho", comentou o porta-voz Wu Ping.

A alimentação da tripulação tem maior variedade de e conta com alimentos frescos. Da mesma forma, a tripulação transporta um maior número de recipientes para o lixo e placas à base de favos de papel que serão utilizadas para cobrir parte do interior do módulo.

A acoplagem com o módulo Tiangong 1 deverá ser em nesta quinta-feira (13). As naves ficarão acopladas por 12 dias. Durante este período, será feita outra acoplagem, desta vez em modo manual. O retorno da Shenzhou 10 à Terra está marcado para 26 de Junho.

Uma das principais tarefas será uma manobra em torno do Tiangong-1. As Shenzhou 8 e 9 fizeram esta aproximação com vetor velocidade. A Shenzhou 10 tentará uma aproximação com o vetor radial – um vetor imaginário que liga o módulo espacial o centro da Terra.

Reportagem da Reuters sobre o lançamento da Shenzhou 10

O módulo Tiangong 1, projetado para ficar em órbita por dois anos, está em órbita desde setembro de 2011. A primeira tripulação chinesa de 3 a se acoplar no módulo em órbita foi em junho de 2012.

A estrutura de 8,5 toneladas e 10,5 metros tem cerca de metade da massa da primeira estação espacial da história – a Salyut 1, da União Soviética. Como comparação, a Estação Espacial Internacional (ISS) tem 400 toneladas.

Esta missão é a última de três para dominar os procedimentos de rendezvous (aproximação) e acoplagem. O objetivo final da China é construir e operar uma grande estação espacial por volta de 2020. Esta estação deverá ter mais de 90 toneladas e será composta de três módulos: dois laboratórios e uma unidade central.

O país também planeja um pouso não-tripulado na Lua e o desenvolvimento de um jipe de exploração lunar. Cientistas consideram a possibilidade de enviar um homem para lá, mas não antes de 2020.

Controvérsia  Antes da Shenzhou 10, outros 8 taikonautas já haviam viajado ao espaço. O primeiro foi Yang Liwei, em 2003 – quando a China tornou-se o terceiro país a enviar pessoas ao espaço com meios próprios.

Este é o quinto voo espacial chinês tripulado e seu lançamento foi acompanhado pela usual efusão de orgulho nacional e propaganda do Partido Comunista, incluindo crianças se vestindo como minorias étnicas acenando alegremente em uma árvore no centro espacial.

Tripulantes da Shenzhou 10 recebem o carinho do público (Foto: Andy Wong/AP)

Alguns chineses, porém, se perguntam por quê o país está gastando tanto com exploração espacial quando ainda é um país em desenvolvimento com abundância de questões mais importantes.

"Por que eles não gastam este dinheiro resolvendo problemas reais da China ao invés de desperdiçar assim?", escreveu um usuário da Sina Weibo, uma rede semelhante ao Twitter.

O programa espacial do país evoluiu muito desde que o líder Mao Zedong, fundador da China Comunista em 1949, lamentou que o país não poderia nem lançar uma batata ao espaço. Mas também falta muito para que alcance as superpotências espaciais Estados Unidos e Rússia.

As técnicas de rendezvous e acoplagem, que o país está testando agora, foram dominadas  pelos EUA e pela antiga União Soviética nos anos 60 e Tiangong 1 não é uma estação orbital plena, mas apenas um módulo para testes.

Lançamento da Shenzhou 10 (Foto: Andy Wong/AP)

Suspeitas  Enquanto Pequim insiste que seu programa espacial tem fins pacíficos, um relatório do Pentágono do mês passado destacou as crescentes capacidades espaciais da China e disse que o país está visando várias atividades para prevenir que seus adversários usem recursos espaciais durante uma crise.

Os temores de uma corrida espacial armamentistas com os EUA e outras potências cresceram depois que a China explodiu um de seus satélites meteorológicos com um míssil lançado do solo em janeiro de 2007.

 

  

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