Exoplaneta a 63 anos-luz já era conhecido; eclipse em raios X foi mais acentuado que em luz visível. Radiação de estrela está soprando atmosfera de Júpiter quente.

Um exoplaneta quente azul do tamanho de Júpiter foi visto passando em frente à sua estrela em raios X. Foi a primeira vez que o feito foi realizado.

Há quase duas décadas, pesquisadores começara a descobrir exoplanetas observando as diminuições na luz das estrelas que ocorrem quando passam na frente delas, mas até agora, isso não havia sido observado em raios X.

"Milhares de candidatos a planeta foram vistos em trânsito apenas na luz visível", disse em nota a pesquisadora do estudo Katja Poppenhaeger, do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics (CfA), em Cambridge, Massachusetts. "Finalmente ser capaz de estudar um em raios X é importante porque revela novas informações sobre as propriedades de um exoplaneta."

Em observação em raios X do Chandra, exoplaneta HD 189733b passa em frente à sua estrela (Foto: NASA/CXC/SAO/K. Poppenhaeger)

Poppenhaeger e seus colegas se focaram no Júpiter quente (categoria de exoplanetas parecidos em tamanho com Júpiter mas tem temperaturas escaldantes) HD 189733b, que está 30 vezes mais próximo de sua estrela que a Terra está do Sol, o que resulta em temperaturas de mais de mil graus Celsius e um ano q dura apenas 2,2 dias.

A 63 anos-luz da Terra, o HD 189733b é o Júpiter quente mais próximo e frequentemente é estudado por astrônomos. Foi descoberto que no planeta há uma chuva de vidro e ventos de 7 mil km/h. Recentemente, o Hubble Space Telescope confirmou sua cor azul escura.

Na nova pesquisa, foi utilizado o Chandra X-ray Observatory, telescópio espacial de raios X da NASA, para observar seis trânsitos do planeta e o XMM-Newton da European Space Agency para observar um. Os pesquisadores descobriram que a diminuição de luz durante estes trânsitos era três vezes maior em raios X que na luz visível.

"Os dado de raios X sugerem que há camadas estendidas da atmosfera do planeta que são transparentes na luz visível mas opacas em raios X", explicou em nota o pesquisador do estudo Jurgen Schmitt, do Hamburger Sternwarte, em Hamburgo, Alemanha. "Porém, precisamos de mais dados para confirmar esta ideia."

Ilustração de trânsito de HD 189733b; no detalhe, a imagem do em raios X feita pelo Chandra (Ilustração: NASA/CXC/M. Weiss; Raios X: NASA/CXC/SAO/K. Poppenhaeger)

Interações  Cientistas já sabiam que as radiações ultravioleta e de raios X da estrela estavam destruindo a atmosfera do planeta com o passar do tempo e estimas que esta evaporação ocorra a uma taxa de 100 a 600 milhões de quilogramas por segundo.

A principal estrela do sistema tem níveis mais altos de atividade magnética e aparece cerca de 30 vezes mais brilhante nas observações de raios X se com parada com sua estrela companheira vermelha escura. E os pesquisadores acham que ela deveria agradecer ao exoplaneta por sua aparência jovem.

A estrela não está agindo conforme sua idade e ter um grande planeta como companhia pode ser a explicação", disse Poppenhager. "É possível que este Júpiter quente esteja mantendo a rotação e a atividade magnética alta da estrela por causa de forças de maré, fazendo-a se comportar em alguns aspectos como uma estrela muito mais jovem."

Ilustração do exoplaneta HD 189733b (Foto: NASA, ESA, M. Kornmesser)

A pesquisa estará em detalhes na edição de 10 de agosto do The Astrophysical Journal.

 

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