Documento moldado conforme carta resultado de fórum no Brasil será apresentado. Evento no Brasil visa continuar campanha.

Entre 29 de abril e 3 de maio deste ano, encerraram-se as Citizen Hearing on Disclosure (Audiências Públicas sobre Abertura) em Washington, capital dos EUA, evento onde mais de 40 participantes apresentaram depoimentos, fatos e documentos verificando a veracidade dos fenômenos ufológicos a uma comissão de políticos, autoridades e pesquisadores, nos moldes de uma audiência pública, conforme costuma ser realizada no Congresso do país.

No dia 2, quinta-feira, teve destaque a participação do Brasil, representado por Ademar J. Gevaerd, editor da Revista UFO, e o colaborador Wilson Picler, liderando a delegação sul-americana. A reunião de trabalho durou mais de duas horas e foi conduzida por Stephen Passet, organizador do evento, e Mike Gravel, ex-senador estadunidense participante da mesa de autoridades.

Delegação sul-americana se apresenta no Citizen Hearings on Disclosure (Foto: Revista UFO)

A discussão girou em torno da proposta de levar o tema UFO para a Organização das Nações Unidas (ONU) a fim de que seja apropriadamente debatido. "Há uma enorme complexidade neste processo e isso só será possível com um movimento do qual participem vários países simultaneamente e em caráter intensivo, atuando junto aos seus governos e sociedades", explicou Gevaerd.

"Muitas propostas foram apresentadas durante a reunião, que agregou gente de uns 10 países e que teve o Brasil representado pelo professor Picler e por mim. As ideias do italiano Roberto Pinotti se somaram às do coronel norte-americano Robert Salas e às do advogado peruano Anthony Choy. O advogado de NYC Daniel Sheehan também fez sugestões de como este movimento deveria ocorrer e recebeu a emenda do senador Gravel e considerações de Bassett".

Carta  Segundo Gevaerd, finalmente houve consenso diante da proposta, apresentada por ele e por Picler, de elaborar ao final das audiências um documento com as conclusões, solicitações e sugestões que emergiram durante o evento, nos moldes da Carta de Foz do Iguaçu – apresentada e assinada ao final do IV Fórum Mundial de Ufologia. A Carta, lançada pela Revista UFO e pela Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU), teve como resultado a histórica reunião de pesquisadores ufológicos com representantes das Forças Armadas no Ministério da Defesa em Brasília, em 18 de abril.

O documento a ser feito seria assinado primeiramente pelos políticos e autoridades presentes, liderados pelo senador Gravel. "Todos os demais parlamentares também assinam dando o peso de suas personalidades e credibilidades, assim como todos os conferencistas e panelistas, ufólogos e testemunhas. O documento, além de expor as conclusões, que não são poucas, também pede o estabelecimento, dentro da Secretaria Geral das Nações Unidas, através de sua agência que lida com o uso e exploração do espaço exterior, a implantação de uma nova discussão sobre o tema UFO", acrescentou Gevaerd.

Campanhas  "Todos nós, ufólogos de cerca de 10 países presentes, ficamos comprometidos de fazer em nossos países campanhas locais para emplacar a proposta da Carta de Washington, se este for o nome escolhido, e deste esforço multinacional, somado e amparado por outras reuniões futuras em variados locais, pode sair a vitória de levar a discussão de volta à ONU".

Ele também disse que a participação brasileira foi fundamental na elaboração da proposta, e que a campanha UFOs: Liberdade de Informação Já – conduzida pela revista na década passada pedindo que o governo abrisse seus arquivos secretos – é vista pelas outras nações como um exemplo a ser seguido, inclusive no sentido de levar o assunto UFO para as Nações Unidas.

"Enfim, começaremos na semana que vem, aí do Brasil, a cumprir a agenda descrita e estabelecida aqui em Washington para pedir a ONU que abra suas portas para a Ufologia Mundial apresentar suas propostas de rediscussão da questão ufológica em sua Assembleia Geral. A Revista UFO vai se comprometer em fazer uma campanha de alto nível para alcançar o sucesso", disse o editor.

Gevaerd e Picler em audiência (Foto: Revista UFO)

Evento  Levar o assunto à ONU é uma das forças motrizes dos Fóruns Mundiais de Ufologia, cuja quinta edição será realizada em Foz do Iguaçu, de 21 a 24 de novembro. Será um dos maiores eventos já realizados no Brasil e terá um grande debate com a elite da Ufologia Mundial para ampliar ainda mais a aceitação do tema pela sociedade.

O V Fórum Mundial de Ufologia, ou II UFOZ 2013, ocorrerá em nas instalações do Hotel Golden Tulip, onde o I UFOZ 2012 foi realizado, em Foz do Iguaçu. As vagas são limitadas e os interessados devem fazer suas inscrições pela internet.

Stephen Basset (Foto: Revista UFO)Um dos grandes destaques será a possibilidade de donos ou administradores de sites, blogs ou comunidades voltados exclusivamente à Ufologia participarem gratuitamente do evento, incluindo uma apresentação para o público presente. Saiba como.

Bassett, que coordenou as audiências em Washington, é diretor do Paradigm Research Group e já realizou inúmeras conferências e eventos para apoiar a campanha pelo fim do acobertamento ufológico, estará presente no evento.

Verde e amarelo  No Brasil, a campanha pela abertura dos arquivos secretos de governo e Forças Armadas teve início com a primeira edição do Fórum Mundial de Ufologia, em 1997, com a assinatura da Carta de Brasília. Contudo, diante da absoluta falta de empenho das autoridades, a Revista UFO lançou em 2004 a campanha UFOs: Liberdade de Informação Já, que, um ano depois, era extraordinariamente bem-sucedida com uma histórica reunião em Brasília.

Em em maio de 2005, os pesquisadores membros da Comissão Brasileira de Ufólogos foram recebidos nas instalações da Força Aérea Brasileira (FAB) e puderam apresentar as demandas da Ufologia Brasileira. Entre as instalações visitadas estavam o Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA) e Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (COMDABRA), onde a Aeronáutica guarda seus arquivos mais secretos.

Porém, após a análise de poucos arquivos disponibilizados apenas para leitura, as autoridades novamente pareciam desinteressadas pela questão. Após mais alguns anos de tentativas, uma nova fase da campanha teve início, recorrendo à então nova Lei de Liberdade de Informações. Coordenada por Fernando Ramalho, co-editor da Revista UFO, geógrafo e funcionário público concursado da Câmara dos Deputados, esta nova fase finalmente teve êxito quando ocorreram as primeiras liberações de documentos em 2008, fazendo o Brasil aproveitar o movimento iniciado naquele mesmo ano com eventos similares na Inglaterra, França e outros países.

Ramalho, desde 2010 coordenador oficial da campanha, tem sido o principal elemento da comunidade ufológica para a elaboração de estratégias que levem o governo a abrir seus arquivos ufológicos.

A campanha prossegue até hoje e, em 18 de abril, teve o que pode ter sido seu ponto mais alto, com uma reunião em pleno Ministério da Defesa, em Brasília, envolvendo a CBU e representantes da Força Aérea, Exército e Marinha. Os ufólogos apresentaram suas reivindicações sobre a liberação do restante de arquivos ainda mantidos sob sigilo e os representantes das Três Armas comprometeram-se a levar o assunto a seus superiores.

Destacou-se a participação do Dr. Ari Matos Cardoso, secretário de Coordenação e Organização Institucional do Ministério da Defesa e mediador do evento, que assegurou a total cooperação dos militares e do início dos trabalhos com o intuito de que finalmente o Brasil tenha uma comissão mista de análise ufológica, formada por militares e civis.

 

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