Primeira missão da NASA a investigar a alta atmosfera marciana tenta entender desaparecimento da atmosfera. Viagem durará 10 meses e sonda poderá observar cometa.

Ontem (18/11/2013), um foguete Atlas V Centaur levou ao espaço uma sonda da NASA que irá investigar como Marte Perdeu sua atmosfera. A decolagem ocorreu às 16h28 de Brasília no Complexo de Lançamento 41 na Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, Flórida. O foguete é da empresa United Launch Alliance (ULA), uma parceria entre Boeing e Lockheed Martin.

"Lançamento do Atlas V com a MAVEN, procurando por pistas da evolução de Marte por sua atmosfera", disse George Diller, comentarista de lançamentos da NASA, na decolagem do foguete.

Lançamento da sonda MAVEN em Atlas V da ULA (Imagens: NASA TV)

 

A sonda Mars Atmosphere and Volatile EvolutioN (MAVEN) se separou do segundo estágio do Centaur 53 minutos após a ignição do primeiro estágio. Os painéis solares se abriram cerda de uma hora depois do lançamento. A viagem de 700 milhões de km da MAVEN até Marte deve durar 10 meses.

Nas próximas quatro semanas, a nave irá energizar e checar cada um de seus oito instrumentos. Ao chegar a Marte, em setembro do ano que vem, ela irá executar m manobra de inserção orbital, disparando seis propulsores que a permitirão ser capturada pela órbita de Marte. Nas cinco semanas seguintes a MAVEN vai se colocar em uma órbita onde pode conduzir operações científicas em sua missão programada de um ano.

Sua órbita de 4,5 horas irá variar de 150 a 6.175 a km do planeta. Também haverão imersões na atmosfera, nas quais a sonda ficará a 124 km da superfície.

Na viagem até lá, a nave poderá observar um cometa deslumbrante passando pelo Sistema Solar Interno: o cometa ISON deve fazer sua maior aproximação do Sol no fim do mês, podendo ser visto da Terra, e a câmera ultravioleta da MAVEN poderá observá-lo a partir de 10 de dezembro.

"Muitos dos mesmos gases que estão presentes na atmosfera de Marte também estão presentes em cometas", disse Nick Schneider, cientista chefe do instrumento, antes do lançamento. "Que oportunidade ideal para nós experimentarmos nosso instrumento e fazer um pouco de boa ciência pelo caminho… Se tivermos tempo, devemos conseguir algumas ótimas observações em ultravioleta do cometa ISON."

Atlas V decola de Cabo Canaveral com a sonda MAVEN (Foto: Robert Z. Pearlman / Space.com)

"Após 10 anos de desenvolvimento do conceito da missão e então os equipamentos, é incrivelmente animador ver a MAVEN a caminho", disse Bruce Jakosky do Laboratório de Física Espacial e Atmosférica da Universidade de Colorado em Boulder. "Mas a animação real virá em 10 meses, quando entrarmos em órbita de Marte e pudermos começar a ter os resultados científicos que planejamos."

"A equipe superou cada desafio que encontrou e ainda manteve a MAVEN no prazo e no orçamento", disse David Mitchell, do Centro de Voo Espacial Godard da NASA, em Greenbelt, Maryland. "A parceria entre governo, indústria, e universidade foi determinada e focada em retornar a Marte logo, não depois.

Atlas V decola com sonda MAVEN (Foto: Michael Berrigan / Reuters)

Gêmeo terrestre?  A MAVEN está indo a Marte para explorar como o planeta perdeu sua atmosfera com o passar de bilhões de anos. Analisando a alta atmosfera e medindo as atuais taxas de perda atmosférica, a sonda deve ajudar a entender como Marte passou de um planeta quente e úmido para o deserto de -53°C que vemos hoje.

A superfície de Marte contém muitos indícios de água líquida no passado. Para que essa água pudesse fluir, seria preciso uma atmosfera muito mais espessa do que a atual e rica em dióxido de carbono para manter-se aquecida. Acredita-se que o vento solar esteja soprando a atmosfera de Marte aos poucos – ao contrário da Terra, o planeta não tem a proteção de um campo magnético. Segundo Jakosky, "Conforme o vento solar passa, ele pode varrer o gás atmosférico".

Saiba mais: "MAVEN decola amanhã em busca de respostas sobre a atmosfera perdida de Marte"

"Vemos muitas evidências de água líquida ter fluido na superfície em tempos remotos. Vemos canais de rios, características que parecem que houve lagos dentro de crateras de impacto. Vemos minerais que só se formam na presença de água líquida."

"É claro que grandes questões sobre sobre a história de Marte então centradas na história de seu clima e atmosfera e como isso influenciou a superfície, a geologia e a possiblidade de vida", disse Jakosky, principal investigador da MAVEN, em uma coletiva de imprensa mês passado.

Lançamento da MAVEN (Foto: NASA TV)

Outras missões  Em 5 de novembro, a Organização Indiana de Pesquisa Espacial (ISRO) lançou sua primeira sonda a Marte. A Mangalyaan buscará por metano, que poderia provar a existência de algum tipo de vida no passado do planeta, e deve chegar a Marte dois dias após a MAVEN, em 24 de setembro. As duas equipes até podem se ajudar compartilhando dados e observações das duas naves.

"Eles também têm alguns instrumentos que podem fazer medições relevantes para o que estamos fazendo e vice versa", disse Jakosky. "Nós concordamos que depois que ambos estivermos em órbita de coleta de dados, vamos dar um jeito na coordenação de que precisarmos."

A MAVEN também servirá para a comunicação entre os robôs na superfície marciana e a Terra – atualmente feita pela Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) e a Mars Odyssey.

A NASA também planeja enviar um lander ao planeta em 2016. O InSight investigará como Marte e outros planetas rochosos se formaram e estudará o ambiente sísmico atual de Marte.

No mesmo ano, a Agência Espacial Europeia (ESA) e a Rússia planejam lançar um orbitador. Em 2018, pretendem lançar um jipe robô, como parte de seu programa de exploração ExoMars.

"A MAVEN se une a nossos orbitadores e jipes já em Marte para explorar outra faceta do Planeta Vermelho e preparar para missões humanas lá nos anos 2030", disse Charles Bolden, chefe da NASA. "Esta missão de parte de um programa de exploração integrada e estratégica que está descobrindo os mistérios do Sistema Solar e nos permitindo alcançar destinos mais distantes."

MAVEN parte em sua viagem de 10 meses a Marte (Foto: Bill Ingalls / NASA)

Esta é a 21ª missão da NASA para Marte desde os anos 60, mas é a primeira dedicada a estudar a alta atmosfera. Apenas 14 das missões anteriores tiveram sucesso, começando com a Mariner 4, lançada em 1964.

A missão de US$ 671 milhões (R$ 1,5 bilhão) é considerada barata. Para comparação, o robô Curiosity custou US$ 2,5 bilhões (R$ 5,6 bilhões).

 

Astronomy.com, FolhaOnline, G1, NYT, Reuters, SpaceNews

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