CBERS-3 era o quarto satélite desenvolvido em parceria sino-brasileira. Foguete chinês falhou ao tentar colocá-lo em órbita.

O quarto satélite feito em parceria do Brasil com a China foi lançado na madrugada desta segunda-feira (09/12/2013) mas não conseguiu entrar em órbita por uma falha no último estágio do veículo lançador. O CBERS-3 foi lançado à 1h26 de Brasília pelo foguete chinês Chang Zheng-4B ("Longa Marcha"), que decolou do complexo de lançamento 9 da base de Taiyuan, 760 km a sudoeste de Pequim, capital chinesa.

Os ministros de Comunicação, Paulo Bernardo, e de Ciência e Tecnologia, Marco Antonio Raupp, e o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Leonel Perondi, foram até à China acompanhar o lançamento. No Brasil, pesquisadores INPE, São José dos Campos (SP), também acompanharam por uma transmissão ao vivo.

15 minutos após a ignição do primeiro estágio do foguete, foi divulgado à imprensa o sucesso do lançamento, quando o satélite abriu seus painéis solares.

"Tem toda uma equipe que trabalha anos no projeto e essa parte final é a que toca a gente. Agora, a expectativa vem pela qualidade das imagens. Na terça-feira já teremos as primeiras imagens e por três meses vamos aprimorar o sistema, fazer ajustes para o satélite funcionar perfeitamente. Somente depois desse período é aberto aos usuários", explicou José Carlos Epiphanio, coordenador de aplicações do Programa CBERS, do INPE.

Mais tarde, Epiphanio, disse que o Longa Marcha decolou normalmente e todos os estágios para liberação do equipamento na órbita tinham funcionado, incluindo o mais crítico, que é a abertura dos painéis solares – essencial para manter a bateria do CBERS-3 carregada.

Falha  Segundo o INPE, o problema teria ocorrido no terceiro estágio do lançador e fez com que o satélite não entrasse na órbita correta. Os engenheiros em contato com as equipes chinesas afirmaram que o problema ainda poderia ser corrigido.

Epiphanio disse que o equipamento "aparentemente" apresentou problemas de altitude durante a passagem do satélite pela Antártica, deixando em alerta as equipes que acompanhavam o satélite de recursos terrestres no Brasil e na China, que tentaram rastreá-lo.

A unidade do INPE em Cuiabá (MT), responsável por receber todos os dados do satélite, tentou detectar alguma "anomalia", termo utilizado pelos pesquisadores para definir possível perda do equipamento ou o extravio da órbita, mas não conseguiram se comunicar com o satélite. Quando o satélite passou pela China, os cientistas da CAST também não leram quaisquer sinais do CBERS-3.

"A informação é que não conseguiram ter o sinal do satélite, embora ele esteja em órbita. Por enquanto, não sabemos se o perdemos. Mas a chance de ter sucesso é baixa para essas situações. Posso falar pelo que vi no passado", disse Epiphanio.

Posteriormente, foi confirmada a perda do satélite. Engenheiros chineses responsáveis pela construção do veículo lançador estão avaliando as causas do problema e o possível ponto de reentrada na atmosfera.

O CBERS-3 terá sido colocado numa órbita mais baixa do que o previsto. Nesta órbita, o satélite abriu os painéis solares e enviou telemetria para a Terra durante 15 minutos.

O CBERS-3 iria operar numa órbita a uma altitude de 778 km com inclinação orbital de 98,5º e período orbital de 100 minutos. Esta órbita iria permitir um ciclo repetitivo de 26 dias. No lançamento, sua massa era de 2.100 kg (1.980 kg sem a hidrazina, seu propelente).

CBERS-3 (Foto: INPE)

Sensoriamento remoto  O lançamento aconteceu três anos após a data prevista inicialmente pelo INPE, que desenvolveu o projeto em parceria com a Academia Chinesa de Tecnologia Espacial (CAST, na sigla em inglês). O CBERS-3 – com vida útil prevista de 3 anos – preencheria um vácuo deixado pelo CBERS-2B, que encerrou suas atividades em 2010. Desde então, o programa sino-brasileiro ficou sem equipamentos para fornecer imagens aos países parceiros. Os CBERS-1 e CBERS-2 já não funcionam. O INPE já confirmou o CBERS-4.

Quatro câmeras, de diferentes resoluções e capacidade de captação, coletariam imagens com maior qualidade de atividades agrícolas e contribuir com o monitoramento da Amazônia, auxiliando no combate de possíveis desmatamentos ilegais e queimadas – foco de projetos ligados também ao Ministério do Meio Ambiente, como o Prodes e o Deter.

Atualmente o satélite Landsat, da NASA, leva 16 dias para registrar toda a Amazônia brasileira – o que uma das câmeras do CBERS-3 conseguiria  em 5 dias, com uma largura de 850 km cada. Duas das câmeras foram feitas com tecnologia 100% nacional.

O CBERS-3 orbitaria a Terra 14 vezes por dia, no sentido Norte-Sul. Cada órbita teria 100 minutos. A cada 26 dias, o satélite teria mapeado totalmente o Brasil.

A produção do equipamento custou R$ 160 milhões ao Brasil, que tem 50% de participação. O esforço dos dois países, segundo o INPE, tem o objetivo de derrubar barreiras que impedem a criação e transferência de tecnologias sensíveis impostas por países desenvolvidos. Em entrevista anterior ao lançamento, Perondi disse que apesar da parceria com a China, dados considerados estratégicos para o governo brasileiro serão restritos ao governo do Brasil, assim como informações consideradas importantes para a China serão enviadas apenas para os chineses.

Cerca de 200 pessoas do Instituto estavam envolvidas na operação do satélite.

 

G1, Zênite

Anúncios