Gravidade

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Direção: Alfonso Cuarón
Ano de lançamento: 2013
Duração: 91 min.
País: EUA
Estúdio: Warner Bros., Esperanto Filmoj, Heyday Films
Roteiro: Alfonso Cuarón, Jonas Cuarón
Produção: Alfonso Cuarón, David Heyman, (exec.) Christopher DeFaria, Stephen Jones, Nikki Penny, (assoc.) Gabriela Rodriguez
Elenco: Sandra Bullock, George Clooney, Ed Harris, Phaldut Sharma
Música: Steven Price
Fotografia: Emmanuel Lubezki
Direção de arte: Mark Scruton
Figurino: Jany Temime
Edição:Alfonso Cuarón, Mark Sanger
Efeitos especiais: 4DMax, Framestore, Gentle Giant Studios, Mova, Peanut FX, Prime Focus World, ReelEye Company, Rising Sun Pictures, The Third Floor, The Visual Effects Company
Site oficial: http://gravitymovie.warnerbros.com/, http://www.wbesb.com/ESBSites/wbpi/BR/gravity/Teaser/index.html

Sandra Bullock em cena de Gravidade

Em uma caminhada espacial, três astronautas do Ônibus Espacial Explorer trabalham no Telescópio Espacial Hubble :Matt Kowalski, comandante da missão e astronauta experiente prestes a aposentar-se, Drª Ryan Stone, engenheira biomédica em sua primeira missão espacial, e Shariff Dasari, engenheiro de voo. O controle da missão, em Houston, EUA, informa que um satélite russo se fragmentou e criou uma reação em cadeia destruindo outros satélites e criando uma nuvem de detritos.

Antes que possam voltar para a nave, fragmentos atingem e destroem o Explorer e o Hubble, deixando apenas Stone e Kowalski vivos. Suas comunicações com Houston Também são cortadas. Stone começa a girar e vagar sem controle pelo espaço, se afastando de Kowalski e consumindo seu oxigênio rapidamente.

Flutuando pela escuridão silenciosa, Stone e Kowalski experimentam o extremo sentimento de isolamento e questões individuais na iminência da morte. Quando o medo vira pânico, cada fôlego tomado consome um pouco do já escasso oxigênio restante. A única forma de voltar para casa talvez seja se aprofundar mais no infinito.

George Clooney em Gravidade

 

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Cena de Gravidade

(Atenção, podem haver spoilers a seguir!)

Fiquei impressionado com o "realismo" que o filme tenta passar. Ponto positivo por tentar mostrar naves e estações espaciais como realmente são. O visual do filme é incrível!

É claro que existem erros factuais (alguns até grosseiros), mas considerando os erros cometidos por outras produções deste porte, creio que "Gravidade" tenha se saído bem.

Uma das coisas mais óbvias é a possibilidade – e relativa facilidade – de ir de uma estrutura a outra no espaço, como de um ônibus espacial para a Estação Internacional Internacional (ISS). Não apenas as órbitas estão sempre mudando umas em relação às outras, como as altitudes são diferentes. O Hubble, por exemplo, está a cerca de 600 km da superfície e as missões tripuladas até ele foram as mais distantes dos ônibus espaciais. Já a ISS oscila a cerca de 370 km. No filme, os astronautas conseguem ir de uma nave a outra apenas com os trajes espaciais e sem a necessidade de cálculos apurados, como se a posição relativa entre os pontos de partida e chegada não mudasse durante o percurso.

Sem falar que os trajes espaciais não suportariam as pancadas e arranhões que levam no longa. Aliás, notei que o EMU (Extravehicular Mobility Unit, traje espacial da NASA) que a personagem de Sandra Bullock remove ao entrar na ISS não possui LCVG (Liquid Cooling and Ventilation Garment), uma espécie de vestimenta branca com tubos com líquidos e gases para ventilação para regular a temperatura do corpo, e MAG (Maximum Absorption Garment), um fraldão de alta absorção.

Numa cena posterior, o EMU do personagem de George Clooney aparece sem o PLSS (Primary Life Support System), a "mochila" do astronauta, que contem suprimento de oxigênio, equipamento para remoção de dióxido de carbono da atmosfera do traje, sistemas de alarmes, fonte elétrica, equipamentos de resfriamento a ar e água e rádio.

O traje espacial russo – chamado Sokol – que aparece no filme possui o capacete removível. Na realidade, apenas o visor do Sokol desliza para trás quando o cosmonauta quer respirar o ar do ambiente.

As pressões dos trajes espaciais são inferiores às do interior da ISS. Quando será feita uma caminhada espacial, os astronautas dormem em um módulo fechado cuja pressão é reduzida gradualmente até se igualar com a pressão dos trajes. Após a operação, é feito o mesmo para aumentar a pressão. A súbita diferença de pressão traz males ao corpo humano. Em vários filmes vemos astronautas vestindo-se e saindo da nave rapidamente. Em "Gravidade", também não parece haver a diferença de pressão que existe na realidade.

Em alguns momentos do filme, vemos referências a situações que realmente aconteceram na história da exploração espacial, como a cena em que a personagem pousa na água, remove o capacete, abre a escotilha num momento inapropriado e começa a entrar água na cápsula e em sua roupa. Isso aconteceu com Virgil "Gus" Grissom em 21 de julho de 1961, a bordo da Liberty Bell 7, do programa Mercury.

Vale mencionar também que a estação espacial chinesa Tiangong não é tão grande quanto no filme. Aliás, não entendi como a órbita da Tiangong pode se deteriorar tão rápido.

Também não concordei muito com alguns diálogos entre os astronautas. Em alguns momentos são feitas perguntas triviais, coisas que você já saberia sobre um colega de tripulação antes de irem ao espaço. Além disso, a personagem de Bullock diz que seu treinamento durou apenas seis meses!

Nunca houve um ônibus espacial chamado Explorer, mas isso é absolutamente perdoável. Nem considero um erro. É intencional do cinema criar nomes novos para os ônibus espaciais: já vi Odyssey e Dedalus, por exemplo. Se forem implicar com isso, deveriam achar ruim também pelo fato de os ônibus espaciais não voarem mais.

Achei interessante a atitude do personagem de Clooney de "seguir o protocolo". Sobre ele não se desesperar tão fácil, poderia ser explicado pelo fato de que ele é muito experiente – ou de que é um herói.

 

Cena do filme Gravidade

A possibilidade de fragmentos se chocarem contra satélites e estações espaciais é levada a sério. Já aconteceram alguns choques em órbita. Escrevi sobre isso em 2009, veja no link abaixo.

"Quando satélites colidem", 07/03/2009

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