Pela primeira vez, nave orbita cometa. Sonda menor deve pousar no astro em novembro.

Ontem (06/08/2014), após 10 anos e 6 bilhões de quilômetros de viagem, a sonda Rosetta, da Agência Espacial Europeia (ESA) chegou ao cometa 67/P Churyumov Guerasimenko, a 400 milhões de quilômetros da Terra. É a primeira vez que uma nave orbita um cometa. A missão inclui um pouso ainda este ano.

“Estamos no cometa”, anunciou o diretor de operações de voo da ESA, Sylvain Lodiot, no centro espacial de Darmstadt, no oeste da Alemanha.

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Cientistas da ESA acompanham a chegada da Rosetta ao cometa (Foto: Kai Pfaffenbach/Reuters)

A Rosetta – batizada em homenagem à pedra que permitiu decifrar os hieróglifos egípcios – se posicionou a 100 quilômetros do cometa e estava a 775 metros por segundo quando entrou em órbita.

A odisseia começou em março de 2004 e a sonda passou várias vezes por Marte e a Terra para utilizar a gravidade dos planetas para ganhar velocidade. Depois passou por um período de hibernação para economizar energia. A sonda chegou a 790 milhões de quilômetros do Sol.

Previamente, o diretor-geral da ESA, Jean-Jacques Dordain, disse que a missão Rosetta é “única” por seus “desafios tecnológicos” e “a precisão de sua navegação”.

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Foto de 3 de agosto feita pela Rosetta mostra o cometa 67/P Churyumov-Gerasimenko a 285 km (Foto: ESA/Rosetta/MPS for OSIRIS Team)

Churyumov-Guerasimenko é um cometa de curto período e dá uma volta em torno do Sol a cada 6,5 anos. Em seu ponto mais distante do Sol, ele vai além de Júpiter. No mais próximo, chega perto da órbita da Terra.

Saber mais sobre os cometas e asteroides é de grande importância para a ciência pois eles são compostos de material restante da formação do Sistema Solar, ocorrido há 4,6 bilhões de anos. Segundo a teoria da panspermia, os cometas interagiram com a Terra e ajudaram a trazer a vida para cá, transportarando água e moléculas orgânicas. A diferença básica entre eles e os asteroides é a composição: asteroides são predominantemente feitos de rochas e cometas são uma mistura de gelo e pedras – por isso, quando se aproximam do Sol, o gelo vira vapor e cria uma cauda de milhões de quilômetros.

Tocar  Até agora, as missões de exploração dos cometas foram muito limitadas e só passaram perto deles. Em 1986, a Giotto, também da ESA, passou a 600 km do cometa Halley. Em 2004, a Stardust, da NASA, chegou a 300 km do Wild 2 e coletou partículas de sua cauda em uma cápsula com aerogel – que retornou à Terra em 2006. Em julho de 2005, a Deep Impact, também da NASA, lançou uma pequena cápsula contra o núcleo do Tempel 1 e observou o choque, revelando a composição do astro.

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Rosetta liberando Philae (Foto: ESA–C. Carreau/ATG medialab)

No próximo 11 de novembro, com o cometa a 450 milhões de km do Sol, a Rosetta se aproximará a poucos quilômetros do Churyumov Guerasimenko e liberará o robô Philae, que tem o tamanho de uma geladeira e está repleto de instrumentos científicos.

Um dos objetivos das câmeras é fazer o mapeamento completo do cometa para identificar o melhor lugar para o pouso.  Outro desafio será conseguir pousar sem quicar. Como a gravidade do cometa é muito fraca, o Philae tem um arpão para se fixar à superfície e evitar um bate-volta.

Na superfície, o Philae realizará experimentos químicos e magnéticos durante seis meses, analisando amostras de até 30 cm de profundidade na fase de máxima atividade – quando o cometa está mais próximo do Sol.

Após a conclusão do trabalho do robô, a Rosetta acompanhará o cometa na viagem ao redor do Sol, enquanto se afasta em direção da órbita de Júpiter. No total, a Rosetta irá acompanhá-lo por 1 ano e 3 meses.

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