Sonda chegará a Plutão em julho de 2015. Cientistas, veteranos das Voyagers, estão muito animados.

A sonda New Horizons, da NASA, atravessou a órbita de Netuno, o planeta mais distante do Sol. A nave deve tornar-se a primeira a visitar Plutão em 14 de julho de 2015.

A sofisticada máquina do tamanho de um piano foi lançada em janeiro de 2006 e está agora a 4,4 bilhões de quilômetros da Terra. A passagem pela órbita netuniana se deu no mesmo dia do 25º aniversário do encontro histórico da Voyager 2, também da NASA, com o planeta.

“É uma coincidência cósmica que conecta um dos exploradores do sistema solar externo icônicos da NASA com nosso próximo explorador do sistema solar externo”, disse Jim Green, diretor da Planetary Science Division da NASA, nos QG em Washington. “Exatamente 25 anos atrás em Netuno, a Voyager 2 nos deu a ‘primeira’ visão de um planeta inexplorado. Agora será a vez da New Horizons revelar o inexplorado Plutão e suas luas em detalhes impressionantes no próximo verão [boreal] em sua viagem para as vastas regiões mais distantes do sistema solar.”

A New Horizins passou a 3,99 bilhões de km de Netuno ao atravessar sua órbita, às 22h04 (de Brasília) de segunda-feira (25/08/2014). Apesar da distância, a câmera telescópica conseguiu várias imagens do planeta.

netuno e tritao
Fotografia de Netuno e Tritão feita pelo Long-Range Reconnaissance Imager (LORRI), instrumento da New Horizons, em 10/07/2014, a 3,69 bi km (mais de 26 vezes a distância da Terra ao Sol) , com 967 ms de exposição Crédito: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Southwest Research Institute

“As Voyagers 1 e 2 da NASA exploraram toda a zona média do sistema solar onde os planetas gigantes orbitam”, disse Alan Stern, principal investigador da New Horizons, no Southwest Research Institute, em Boulder, Colorado. “Agora estamos de pé nos ombros largos da Voyager para explorar o ainda mais distante e misterioso sistema Plutão.”

Vários membros seniores da equipe científica da New Horizins foram jovens membros da equipe científica da Voyager em 1989. Muitos lembram-se de como as imagens da aproximação da Voyager 2 de Netuno e sua grande lua Tritão abasteceram de antecipação das descobertas que viriam. Eles compartilham uma animação similar crescente conforme a New Horizins se aproxima de Plutão.

“O sentimento 25 anos atrás era de que isso era muito legal porque veríamos Netuno e Tritão de pertinho pela primeira vez”, disse Ralph McNutt, do Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory (APL), em Laurel, Maryland, que lidera a pesquisa de partículas energéticas da New Horizons e fez parte da equipe de análise de plasma da Voyager. “O mesmo está acontecendo com a New Horizins. Mesmo nesse verão, quando ainda falta um ano e nossas câmeras podem pegar Plutão e suas maiores luas como pontos, sabemos que há algo incrível à frente.”

A visita da Voyager ao sistema Netuno revelou características inéditas do planeta, como a Grande Mancha Escura – um sistema similar porém não tão duradouro quanto a Grande Mancha Vermelha de Júpiter. Pela primeira vez, a Voyager fez imagens do sistema de anéis de gelo, muito fracos para serem vistos com clareza da Terra. “Houve surpresas em Netuno e houve surpresas em Tritão”, disse Ed Stone, Cientista experiente da Voyager no California Institute of Technology, em Pasadena. “Tenho certeza de que isso continuará em Plutão.”

Muitos pesquisadores sentiram que a passagem de 1989 por Netuno – o último encontro planetário da Voyager – pode ter dado uma previsão do que pode ser visto ano que vem. Alguns sugerem que Tritão, com sua superfície congelada, polos brilhantes, relevo variado e criovulcões, é um astro parecido com Plutão que foi capturado pela gravidade netuniana. Fotografias da Voyager foram recuperadas recentemente e usadas para construir o melhor mapa global colorido da lua já feito – aguçando o apetite pelo encontro com Plutão.

“Há muita especulação sobre Plutão parecer-se com Tritão e como irão se combinar”, disse McNutt. “Esta é a grande coisa sobre primeiros encontros como este – não sabemos exatamente o que veremos, mas sabemos de décadas de experiência em exploração de primeira vez de novos planetas que seremos muito surpreendidos.”

Como as Voyagers, a New Horizons também tem potencial para descobertas no Cinturão de Kuiper, uma região em forma de disco com objetos gelados após a órbita de Netuno, e outras regiões inexploradas nas profundezas do sistema solar.

“Nenhum país alem dos Estados Unidos demostrou a capacidade de explorar tão distante”, disse Stern. “Os EUA lideraram a exploração dos planetas e do espaço a um grau que nenhuma outra nação fez, e continua a fazer com a New Horizons. Estamos incrivelmente orgulhosos pela New Horizins representar a nação novamente enquanto a NASA quebra recordes com sua mais recente, distante e muito capaz espaçonave de exploração planetária.”

As Voyagers foram lançados 16 dias uma da outra em 1977 e uma delas visitou Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. A Voyager 1 é o objeto feito pelo homem mais distante, a cerca de 19 bilhões de km o Sol. Em 2012, tornou-se o primeiro objeto feito pelo homem a adentrar o espaço interestelar. A Voyager 2, a nave operada continuamente por mais tempo, está a cerca de 15 bilhões de km.

A New Horizons é a primeira missão do programa New Forntiers, da NASA. O APL construiu e opera a nave, gerenciando a missão do Science Mission Directorate, no QG da NASA.

As Voyagers foram construídas e continuam a ser operadas pelo JPL e são parte do Heliophysics System Observatory, patrocinado pela Heliophysics Division, do Science Mission Directorate.

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