Naves CST-100 e Dragon foram escolhidas para transporte de astronautas; contratos bilionários incluem voos de teste a estação orbital. Dependência da Rússia deve acabar em 2017.

Astronautas estadunidenses irão viajar novamente para a Estação Espacial Internacional (International Space Station, ISS) em uma nave estadunidense sob contratos anunciados pela Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (National Aeronautics and Space Administration, NASA, ontem (16/09/2014). A agência revelou a escolha da Boeing e da SpaceX para o transporte de tripulações por meio da CST-100 e da Dragon, respectivamente, com o intuito de terminar a necessidade única da Rússia em 2017.

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“Desde o primeiro dia, a Administração Obama deixou claro que a maior nação da Terra não deveria ser dependente de outras nações para chegar ao espaço”, disse Charles Bolden, administrador da NASA, no Centro Espacial Kennedy, na Flórida. “Graças à liderança do Presidente Obama, o trabalho árduo de nossas equipes da NASA e da indústria e do aopio do Congresso, hoje estamos um passo mais próximos de lançar nossos astronautas de solo estadunidense em uma nave estadunidense e encerrar a dependência da Rússia em 2017. Passar o transporte para a baixa órbita da Terra para a indústria privada também permitirá que a NASA foque em uma missão ainda mais ambiciosa – enviar humanos a Marte.”

Os contratos de Capacidade de Transporte de Tripulação Comercial (Commercial Crew Transportation Capability, CCtCap) foram feitos para completar a certificação da NASA para sistemas de transporte de tripulações ao espaço. Uma vez que a certificação esteja pronta, a agência planeja usar estes sistemas para fazer a travessia segura de astronautas entre a Terra e a ISS e de volta.

A empresa The Boeing Company, de Houston, Texas, recebeu um contrato de  US$ 4,2 bilhões. O contrato da Space Exploration Technologies Corporation, de Hawthorne, Califórnia, é de US$ 2,6 bi.

Os contratos incluem pelo menos um voo tripulado de teste para cada companhia com pelo menos um astronauta da NASA para verificar se o foguete totalmente integrado pode lançar-se, manobrar em órbita e acoplar com a estação, assim como validar se todos os sistemas funcionaram conforme o esperado. Uma vez que o programa de teste de cada empresa esteja concluído com sucesso e o sistema consiga a certificação, cada empreiteira conduzirá de duas a seis missões tripuladas à ISS. A nave também servirá com “bote salva-vidas” para os astronautas da plataforma orbital em caso de emergência.

Animação da CST-100, da Boeing
Animação da CST-100, da Boeing

O Programa de Tripulações Comerciais (Commercial Crew Program) da NASA implementará esta capacidade como uma parceria pública-privada com as empresas aeroespaciais estadunidenses. A equipe de engenheiros e especialistas em voo espacial da NASA está facilitando em certificando o trabalho de desenvolvimento de parceiros da indústria para assegurar que as novas espaçonaves sejam seguras e confiáveis.

As missões estadunideses à ISS seguindo a certificação permitirão que a tripulação atual de 6 da plataforma cresça, permitindo a condução de mais pesquisas em um laboratório de microgravidade único.

“Estamos animados para cer nossos parceiros da indústria aproximarem-se de voos operacionais para a Estação Espacial Internacional, uma façanha extraordinária que a indústria e a NASA começaram a apenas quatro anos”, disse Kathy Lueders, gerente do Programa de Tripulações Comerciais. “Esta agência espacial há muito tem sido uma inovadora de tecnologia e agora também podemos dizer que somos uma inovadora de negócios estadunidenses, induzindo criação de empregos e abrindo novos mercados para o setor privado. A agência e nossos parceiros têm muitos passos importantes para terminar, mas temos mostrado que podemos fazer o trabalho duro necessário e sobressairmos de formas que poucos ousariam esperar.”

Nave Dragon, da SpaceX, na ISS
Nave Dragon, da SpaceX, na ISS

As empresas possuirão e operarão os sistemas de transporte de tripulações e poderão vender serviços de transporte espacial humano a outros clientes que não a NASA, assim reduzindo o custo para todos eles.

Ao encorajar empresas privadas a lidar com lançamentos para a baixa órbita da Terra – região que a NASA visita desde 1962 – a agência pode focar-se em tirar o máximo possível de pesquisa e experiência do investimento do país na ISS. A instituição também pode focar-se em construir naves e foguetes para missões ao espaço profundo, como Marte.

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