Neblina foi fotografada por sonda em sombra de astro; cientistas relacionam coloração de superfície. Gelo fluindo como glaciares surpreenderam equipe.

Geleiras que fluem como glaciares terrestres e neblina relacionada à superfície de Plutão estão entre as mais recentes descobertas da missão New Horizons, da NASA, que passou por lá semana retrasada.

“Sabíamos que uma missão a Plutão traria algumas surpresas e agora – 10 dias após a maior aproximação – podemos dizer que nossas expectativas foram mais que ultrapassadas”, disse John Grunsfeld administrador associado no Science Mission Directorate, da NASA. “Com gelo corrente, química exótica de superfície, cadeias de montanhas e vasta neblina, Plutão está mostrando uma diversidade de geologia planetária que é verdadeiramente vibrante.”

Apenas sete horas após a maior aproximação, a sonda apontou o instrumento Long Range Reconnaissance Imager (LORRI) para Plutão, capturando a luz do Sol passando pela atmosfera e revelando neblinas de 130 km de altura. Uma análise preliminar da imagem mostra duas camadas distintas de neblina: uma cerca de 80 km acima da superfície e outra a altitude aproximada de 50 km.

Imagem de Plutão com o norte para cima feita pela New Horizons quando estava na sombra do planeta-anão, por volta de 1h de Brasília de 15/07/2015, a cerca de 2 milhões de km do astro; a imagem chegou à Terra 8 dias depois (Foto: NASA/JHUAPL/SwRI)

“Meu queixo estava no chão quando vi a primeira imagem de uma atmosfera alienígena no Cinturão de Kuiper”, disse Alan Stern, investigador principal da New Horizons no Southwest Research Institute (SwRI) em Boulder, Colorado. “Lembra-nos que a exploração nos traz mais que apenas incríveis descobertas – traz incrível beleza.”

Química  Estudar a atmosfera de Plutão dá pistas do que está acontecendo abaixo dela. “As neblinas detectadas nesta imagem são um elemento chave na criação de compostos hidrocarbônicos complexos que dão à superfície de Plutão sua tonalidade avermelhada”, disse Michael Summers, co-investigador da New Horizons na George Mason University em Fairfax, Virginia.

Modelos sugerem que as neblinas se formam quando a luz ultravioleta do Sol quebra partículas de gás metano – um hidrocarboneto simples na atmosfera de Plutão. A quebra do metano desencadeia a criação de gases hidrocarbônicos mais complexos, como etileno e acetileno, também descobertos pela sonda na atmosfera do planeta-anão. Conforme estes hidrocarbonetos caem para as partes mais baixas e frias da atmosfera, condensam em partículas de gelo que criam as neblinas. A luz UV solar quimicamente converte a neblina em tolinas, os hidrocarbonetos escuros que dão cor à superfície plutoniana.

Cientistas calcularam previamente que as temperaturas seriam muito altas para que neblinas se formassem em altitudes superiores a 30 km. “Vamos precisar de algumas ideias novas para descobrir o que está acontecendo”, disse Summers.

Na região norte de Sputnik Planum, padrões em forma de redemoinhos sugerem uma camada de gelos exóticos fluiu ao redor de obstáculos e para dentro de depressões, como glaciares na Terra (Foto: NASA/JHUAPL/SwRI)

Gelo  O instrumento LORRI também fez imagens de gelo fluindo na superfície de Plutão e de sinais de atividade geológica recente, algo que os cientistas tinham esperança em encontrar, mas não tinham expectativas.

As novas imagens mostram detalhes fascinantes da planície informalmente chamada de Sputnik Planum, na região ocidental do “coração” de Plutão, chamado de Tombaugh Regio. Lá, gelo parece ter fluído – e pode ainda estar fluindo – de forma similar aos glaciares terrestres.

“Só vimos superfícies como essa em mundos ativos como a Terra e Marte”, disse o co-investigador da missão John Spencer do SwRI. “Realmente estou sorrindo.”

Enquanto isso, cientistas da missão estão usando imagens com cores falsas para detectar diferenças de composição e textura na superfície. Quando imagens fechadas são combinadas com dados de cores do instrumento Ralph, pintam um novo retrato supreendente de Plutão no qual um parão global de zonas varia por latitude. O terrenos mais escuros aparecem  no equador, tons médios são o normal em latitudes medias e uma vastidão brilhante gelada domina a região polar norte. A equipe científica está interpretando este padrão como resultado do transporte sazonal de gelo do equador ao polo. O padrão é dramaticamente interrompido pelo “coração”.

Quatro imagens do intrumento LORRI da New Horizons foram combinadas com dados de cores falsas do instrumento Raplh para criar esta imagem e o canto inferior direito ficou sem cobertura de alta resolução colorida; a sonda estava a 450 mil km e são perceptíveis detalhes de até 2,2 km (Foto: NASA/JHUAPL/SwRI)

Além disso, novos dados de composição do Ralph indicam que o centro de Sputnik Planum é rico em nitrogênio, monóxido de carbono e gelos de metano.

“Nas temperaturas de -390 °F [-235°C] de Plutão, estes gelos podem fluir com uma geleira”, disse Bill McKinnon, vice-líder da equipe Geology, Geophysics and Imaging da NH na Washington University em Saint Louis. “Na região mais ao sul do coração, adjacente à região equatorial escura, parece que aquele terreno antigo e cheio de crateras [chamado informalmente de Cthulhu Regio] tem sido invadido por depósitos de gelo muito mais novos.”

A complexidade do sul de Sputnik Planum: formas poligonais da planícies geladas, duas cadeias de montanhas e aparentemente uma região rica em crateras invadida por depósitos de gelo mais recentes; a cratera destacada tem cerca de 50 km (Foto: NASA/JHUAPL/SwRI)

A cadeia de montanhas recém-descoberta se eleva 1,6 km das regiões ao redor, similar à atura dos Montes Apalaches, nos Estados Unidos. Estes picos foram informalemnte batizados de  Hillary Montes, em homenagem a Sir Edmund Hillary, que alcançou o cume do Monte Everest com Tenzing Norgay em 1953.

“Por muitos anos, nos referimos a Plutão como o Everest da exploração planetária”, disse Stern.”É apropriado que os dois alpinistas que alcançaram o cume da maior montanha da Terra primeiro, Edmund Hillary e Tenzing Norgay, agora tenham seus nomes neste novo Everest.”

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A New Horizons continuará a enviar dados armazenados nos gravadores a bordo até o fim de 2016. A nave está 12,2 milhões de km além de Plutão, em boas condições e rumo a regiões mais profundas do Cinturão de Kuiper.

O Applied Physics Laboratory da Johns Hopkins University, em Laurel, Maryland, projetou, construiu e opera a nave e gerencia a missão para o Science Mission Directorate da NASA. O SwRI, basedo em San Antonio, lidera a equipe científica, operações de carga, e planejamento científico de encontros.  A New Horizons é parte do New Frontiers Program gerenciado pelo Marshall Space Flight Center, da NASA, em Huntsville, Alabama.

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