Cientistas usaram dados da missão Kepler disponíveis na internet. Explicação de “megaestrutura alienígena” ganhou manchetes.

Um grupo de detetives planetários pode ter ddescoberto uma grande nuvem de cometas orbitando uma estrela distante.

O telescópio espacial Kepler, da NASA, projetado para procurar por exoplanetas, observou por quatro anos a mesma região do céu em busca de diminuições no brilho de estrelas – causadas  quando planetas passam na frente delas.

A maior parte dos dador oriundos do Kepler é processada automaticamente por algoritmos procurando porpadrões de repetição, mas o site Planet Hunters permite que pessoas olhem os dados em busca de algo incomum.

Os dados da estrela KIC 8462852 eram tão estranhos que as pessoas começaram a chamá-la de bizarra e curiosa. Planetas em órbita bloqueiam a luz de suas estrelas horas ou dias em intervalos regulares que correspondem à duração de suas órbitas. Esta estrela teve duas pequenas diminuições de brilho em 2009, uma grande e estranhamente assimétrica em 2011 que durou uma semana e uma série durante três meses em 2013, chegando a reduzir o brilho da estrela em 20%.

“Era meio inacreditável que eram dados reais”, disse Tabetha Boyajian, da Yale University, que liderou um grupo de astrônomos investigando o sinal. Mas verificar o que poderia haver de errado com o telescópio, chegaram à conclusão de que o sinal era real – e precisavam explicá-lo. “Estávamos coçando nossas cabeças. Para qualquer ideia que tivéssemos, sempre havia algo que argumentaria contra.”

O que é? O que é?  Com a ajuda de observações de telescópios no solo, descartaram variabilidade da estrela em si ou interferêsncia de estrelas próximas. Concluíram que a estrela estava sendo coberta por aglomerados de poeira. Mas de onde ela vinha?

Colisões dentro de um cinturão de asteróides ao redor da estrela ou um esmagamento entre dois corpos maiores como o que produziu nossa lua não produziriam todas as diminuições de brilho.

Uma das explicações que circularam pela internet mencionava a possibilidada de tratar-se de uma “megaestrutura alienígena” construída por uma civilização avançada, embora ainda não tenham sido encontrados sinais de rádio com assinatura artificial vindo de KIC 8462852.

Tendo abordado as outras possibilidades, a equipe concluiu, então, que a explicação mais provável é que uma família de exocometas se desviou para muito perto da estrela e foi desfeita pela sua gravidade, produzindo grandes quantidades de gás e poeira no processo. Se os cometas estão em uma órbita excêntrica passando na frente da estrela a cada 700 dias, aproximadamente, mais separações e disperções poderiam explicar os dados.

Fogos de artifício  KIC 8462852 é cerca de 50% maior que o Sol. Assim, se a explicação acima está correta, a nuvem deve ser enorme. A vista deve ser impressionante, diz Boyajian. Algo deste tamanho no nosso sistema solar borraria uma quantidade significante de luz solar. Quando a Terra passasse pela nuvem de detritos deixada no espaço interplanetário pelos cometas passantes, teríamos chuvas de meteoros. Não há evidências de um planeta no sistema KIC 8462852, mas alguém em tal mundo no momento em que ele passa pela nuvem, diz ela, veria um show de luzes e tanto. “A escala da chuva de meteoros seria enorme, como fogos de artifício em escala cósmica.”

Mais dados ajudarão a determinar a verdadeira natureza do estranho sinal. O Kepler deixou de funcionar plenamente em 2013, de forma que a equipe não tem sido capaz de acompanhar a estrela como gostariam. Não houve observações da estrela em abril deste ano, quando as diminuições de brilho deveriam ter acontecido, mas a equipe planeja ficar de olho em maio de 2017. “É realmente frustrante que a curva de luz tenha ficado muito, muito animadora logo antes da missão Kepler acabar.”

Ainda assim, a equipe diz que o site foi instrumental para encontrar o sinal, para começar. Podem haver mais estranhezas escondidas nos dados que já temos. “Planet Hunters tem passado por talvez metade das curvas de luz do Kepler, então ainda há muito a ser visto e classificado.”

Fonte: New Scientist

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