Não haverá tempo para consertar vazamento em sismógrafo francês. Lançamento estava programado para março.

Após exame minucioso, gerentes da National Aeronautics and Space Administration (Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço, NASA) decidiram suspender o lançamento da sonda Interior Exploration using Seismic Investigations, Geodesy and Heat Transport (Exploração do Interior usando Investigações Sísmicas, Geodésia e Transporte de Calor, InSight), antes programada para decolar em março de 2016 a Marte. A decisão ocorreu após tentativas sem sucesso de reparar um vazamento na seção de instrumentos principais na carga científica.

“Aprender sobre a estrutura interior de Marte tem sido um objetivo de alta prioridade para cientistas planetários desde a era [das missões] Viking”, disse John Grunsfeld administrador associado da Science Mission Directorate (Diretoria de Missões Espaciais) da NASA na capital Washington. “Ampliamos as fronteiras da tecnologia espacial com nossas missões para capacitar a ciência, mas a exploração espacial é imperdoável e, resumindo, não estamos prontos para lançar na janela de 2016. Uma decisão por um caminho adiante será feita nos próximos meses, mas uma coisa está clara: a NASA continua inteiramente comprometida com a descoberta científica e a exploração de Marte.”

“A investigação da InSight do interior do Planeta Vermelho é projetada para aumentar o entendimento de como todos os planetas rochosos, incluindo a Terra, se formaram e evoluíram”, disse Bruce Barnerdt, investigador principal da InSight no Jet Propulsion Laboratory (Laboratório de Propulsão a Jato, JPL) da NASA, em Pasadena, Califórnia. “Marte retem evidências sobre o desenvolvimento primevo dos planetas rochosos que tem sido apagado na Terra pela agitação interna que Marte não tem. Obter informações sobre o núcleo e a crosta de Marte é uma grande prioridade para a ciência planetária e a InSight foi construída para realizar isso.”

SEIS  O instrumento envolvido é o Seismic Experiment for Interior Structure (experimento sísmico para esturura interior, SEIS), um sismômetro fornecido pelo Centre National d’Études Spatiales (Centro Nacional de Estudos Espaciais, CNES) francês. Projetado para medir movimentos no solo tão pequenos quanto o diâmetro de um átomo, o instrumento requer um selo a vácuo ao redor de seus três sensores principais para suportar as duras condições do ambiente marciano.

Este ano, um vazamento que evitou que o sismômetro retivesse condições de vácuo foi reparado e a equipe estava esperançosa de que o reparo mais recente seria suficiente. Na última segunda-feira (21/12/2015). porém, durante testes em temperaturas extremas (-45°C) o instrumento malogrou obter vácuo.

Autoridades da NASA determinaram que não há tempos suficiente para solucionar outro vazamento, completar o trabalho e testar minuciosamente conforme requerido para assegurar uma missão bem sucedida.

“As equipes do JPL e do CNES e seus parceiros tem feito um esforço heroico para preparar o instrumento da InSight, mas ficaram sem tempo dada a mecânica celeste de um lançamento a Marte”, disse o diretor do JPL Charles Elachi. “É mais importante fazer certo do que correr um risco inaceitável.”

“É a primeira vez que um instrumento tão sensível foi construído. Estávamos muito perto do êxito, mas uma anomalia ocorreu, o que requer investigações mais profundas. Nossas equipes encontrarão uma solução para consertá-lo, mas não será resolvido a tempo para um lançamento em 2016”, disse Marc Pircher, ditretor do Toulouse Space Centre (Centro Espacial de Toulouse, CST), do CNES.

O SEIS foi construído com participação do Institut de Physique du Globe de Paris (Instituto de Física Terrestre de Paris, IPGP) e do Eidgenössische Technische Hochschule Zürich (Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, ETHZ), com apoio do Swiss Space Office (Escritório Espacial Suíço, SSO) e do Programme de Développement d’Expériences Scientifiques (Programa de Desenvolvimento de Experiências Científicas, PRODEX), da ESA; Max-Planck-Institut für Sonnensystemforschung (Instituto Max Plank para Pesquisa do Sistema Solar, MPS), apoiado peloDeutsches Zentrum für Luft- und Raumfahrt (Centro Aeroespacial Alemão, DLR); Imperial College (Faculdade Imperial), apoiada pela United Kingdom Space Agency (Agência Espacial do Rino Unido); e JPL.

A carga científica da InSight inclui outro instrumentos chave: o Heat Flow and Physical Properties Package (Pacote de Fluxo de Calor e Propriedades Físicas, HP3), fornecido pelo DLR.

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Concepção artística da InSight na superfície marciana (Foto: NASA/JPL-Caltech)

InSight  A nave, construída pela Lockheed Martin, foi entregue à Vandenberg Air Force Base (Base da Força Aérea de Vanderberg), Califórnia, em 16 de dezembro. Com o lançamento de 2016 cancelado, a nave será devolvida para as instalações da Lockheed em Denver, Colorado.

As posições relativas dos planetas são as mais favoráveis para o lançamento de missões da Terra a Marte por apenas algumas semanas a cada 26 meses. Para a InSight, a janela era de 4 a 30 de março.

“Em 2008, tomamos uma decisão difícil, mas correta, de adiar o lançamento do Mars Science Laboratory [Laboratório Científico de Marte, MSL] por dois anos para assegurar melhor o sucesso da missão”, disse Jim Green, diretor da Planetary Science Division (Divisão de Ciência Planetária), em Washington. “O sucesso do rover daquela missão, Curiosity [curiosidade], tem prevalecido amplamente sobre qualquer desapontamento sobre aquele atraso.”

A NASA está em uma ambiciosa jornada a Marte que inclui o envio de humanos ao planeta – e ela prossegue apesar da decisão de terça-feira (22). Espaçonaves robóticas estão liderando o caminho para o Mars Exploration Program (Programa de Exploração de Marte), da NASA, com um rover sendo projetado e construído para 2020, os rovers Opportunity (Oportunidade) e Curiosity explorando a superfície do planeta e as naves Odyssey (Odisseia), Mars Reconnaissance Orbiter (Orbitador de Reconhecimento de Marte) MAVEN em órbita.

A NASA e o CNES participam da missão Mars Express, da European Space Agency (Agência Espacial Europeia, ESA), com uma sonda orbitando o planeta, e planejam participar das missões ExoMars, da ESA, em 2016 e 2018, incluindo o fornecimento de rádios de telecomunicação para o orbitador de 2016 e um elemento crítico de um instrumento chave de astrobiologia do rover de 2018.

 

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