Na segunda-feira (21/12/2015), a empresa californiana SpaceX conseguiu pousar verticalmente o primeiro estágio de seu lançador Falcon 9 – um feito até então inédito na história do voo espacial, motivado pelo desejo de reduzir custos e reutilizar os estágios. Neste voo, o Falcon 9 levou 11 satélites à órbita baixa da Terra.

O foguete decolou às 20H29 (23H29 de Brasília) de Cabo Canaveral, Flórida. Poucos minutos depois, o primeiro estágio se desprendeu e iniciou o retorno à Terra, enquanto o segundo manteve a propulsão dos satélites para o espaço. Motores que atenuaram a descida e o estágio pousou de forma suave em posição vertical 10 minutos depois da decolagem – tudo transmitido ao vivo pela empresa do bilionário da internet Elon Musk.

“Ainda não consigo acreditar”, disse Musk em uma teleconferência. “Acredito que é um momento revolucionário. Ninguém havia conseguido antes recuperar um lançador orbital intacto”, completou.

O estágio chegou a 200 km de altura antes de retornar à Terra e pousar em um local que já serviu de base de testes de foguetes e mísseis da Força Aérea dos Estados Unidos, mas que não era utilizado desde 1978.

Nos minutos seguintes, o segundo estágio conseguiu liberou os 11 satélites ORBCOMM na órbita baixa da Terra.

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Longa exposição mostrando lançamento e pouso do primeiro estágio do Falcon 9 (Foto: Mike Brown / Reuters)

“Confirmamos a primeira etapa do pouso do Falcon”, escreveu a SpaceX no Twitter. “Todos os 11 satélites ORBCOMM foram liberados em órbitas nominais”

“Felicitações @SpaceX por seu pouso vertical de sucesso da primeira fase de volta à Terra!”, escreveu a NASA em um tuíte.

Economia  Recuperar o primeiro estágio do Falcon 9 representa uma grande economia, uma vez que atualmente os componentes custam milhões de dólares e costumam terminar como resíduos após cada lançamento. O primeiro estágio representa a maior parte do custo total do lançador.

Ainda não está claro quanto será necessário investir na manutenção do propulsor para reutilizá-lo, mas Musk estima que o custo de um lançamento orbital possa cair por um fator de 100. Hoje, um voo típico do Falcon 9 custa US$ 60 milhões. Por US$ 600 mil, certamente muito mais instituições teriam condições e interesse de lançar seus satélites.

Desafios  “A SpaceX ainda tem desafios pela frente para demonstrar que primeiros estágios reutilizados podem baixar os custos de lançamento significativamente, mas isso pode ser o começo de uma nova era de comércio espacial viável”, afirmou em noda Dale Skran, da Sociedade Espacial dos EUA. “É um evento que muda as regras do jogo.”

A SpaceX fez outras duas outras tentativas de pouso vertical, ambas este ano. O pouso seria numa plataforma flutuante no Atlântico, mas não houve sucesso. A SpaceX não perdeu os ânimos.

No mês passado, o fundador da Amazon e dono da rival Blue Origin, Jeff Bezos, anunciou o pouso com êxito do foguete New Shepard depois de um voo suborbital. O New Shepard voou a uma altitude menor que o Falcon 9, o que tornou mais fácil o pouso na comparação com o foguete de Musk, afirmam especialistas.

A United Launch Aliance, concorrente que tem disputado avidamente os lançamentos de satélites militares dos EUA com a SpaceX, decidiu que seu próximo lançador também terá partes reutilizáveis. O mesmo vale para a europeia Arianespace.

No dia 28 de junho, o Falcon 9 explodiu apenas dois minutos depois do lançamento, destruindo a nave de carga não tripulada Dragon, que transportava material para os astronautas da Estação Espacial Internacional (ISS).

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