Carga inclui experimentos científicos e módulo inflável. Após quatro fracassos, estágio de lançador pousa com sucesso em balsa, assista.

Nesta sexta-feira (08/04/2016) a empresa SpaceX, do bilionário Tony Stark Elon Musk, lançou seu foguete Falcon 9 com sua cápsula cargueira Dragon levando experimentos e suprimentos à Estação Espacial Internacional (International Space Station, ISS). O primeiro estágio do foguete conseguiu pousar com sucesso numa balsa não tripulada. Para a empresa, esta é a primeira missão de abastecimento do ano e a oitava de seu contrato com a NASA.

O lançamento ocorreu na base da Força Aérea, em Cabo Canaveral (Flórida), às 17h43 de Brasília com imagens transmitidas pela NASA TV e pelo canal da SpaceX no YouTube.

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Pouso experimental  O controle de missão da SpaceX, em sua sede na Califórnia, explodiu em aplausos quando as imagens mostraram o primeiro estágio do Falcon 9 pousando na balsa não-tripulada Of Corse I Still Love You (Claro Que Ainda Te Amo), no Atlântico.

Foi um passo importante na redução de custos de voos espaciais reutilizando partes dos caros foguetes, que normalmente caem no oceano e se perdem. Houve quatro tentativas prévias fracassadas de pouso em balsa e uma bem sucedida em terra firme.

Carga  A Dragon chegou à estação na manhã de hoje (10), sendo pega pelo braço robótico da ISS, manipulado pelo astronauta britânico Timothy Peake, da Agência Espacial Europeia (European Space Agency, ESA), com ajuda do astronauta da NASA Jeff Williams às 8H23 de Brasília para ser fixada ao módulo Harmony.

A nave transporta 3,1 toneladas de mantimentos e material científico. Também transporta ratos para experimentos e sementes de alface para o cultivo. No ano passado, os astronautas comeram alface cultivada no espaço pela primeira vez. Conseguir produzir comida no espaço seria um grande avanço nos esforços da Nasa para enviar astronautas a viagens mais longas nas próximas décadas, como a um asteroide ou a Marte.

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A carga auxilia dezenas dos mais de 250 pesquisas acontecendo durante as Expedições 47 e 48. “A carga permitirá que investigadores usem condições de microgravidade para testar a viabilidade de habitats espaciais descartáveis, avaliar o impacto de anticorpos na degradação de músculos, usar crescimento de cristais de proteínas para auxiliar a projetar novas drogas de combate a doenças e investigar como micróbios poderiam afetar a saúde da tripulação e seu equipamento durante uma missão de longa duração, disse a vice-administradora da NASA Dava Newman.

A Dragon leva o módulo inflável Bigelow Expandable Activity Module (BEAM) – um módulo temporário inflável – em seu compartimento não pressurizado. Ainda nesta semana, ele será removido e acoplado à ISS. A expansão deve acontecer no fim de maio. O módulo terá cerca de 3 metros de diâmetro e 3,9 de comprimento. Durante sua missão de teste de dois anos, astronautas entrarão no módulo por algumas horas várias vezes por ano para recolher dados de sensores e avaliar as condições. Habitats descartáveis são projetados para ocupar menos espaço em um foguete, mas fornecer grande volume para viver e trabalhar no espaço uma vez expandidos. O primeiro teste in situ do módulo permitirá que pesquisadores meçam quanto o habitat protege da radiação solar, detritos espaciais e contaminação.

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Ciência  Tripulantes experimentam redução significativa de densidade óssea e massa muscular durante voos espaciais de longa duração sem nutrição e exercícios apropriados. Uma pesquisa a bordo da Dragon vai avaliar a inibição de miostatina como meio de prevenir atrofia muscular esquelética e fraqueza em ratos expostos ao voo espacial de longa duração. Drogas testadas na estação poderiam avançar para testes clínicos em humanos na Terra para validar dua efetividade para futuras missões espaciais.

A Dragon também carrega o Microchannel Diffusion, um estudo de fluídos a nível atômico. Sensores nanofluídicos poderiam medir a pressão do ar na estação ou ser usados para entregar drogas para locais específicos do corpo. As leis que governam o fluxo por canais em escalas nanométricas não são bem entendidos e esta investigação simula tais interações estudando-as em uma escala maior, a nível microscópico. Este tipo de pesquisa só é possível na ISS, onde a gravidade da Terra não é forte o bastante para interagir com as moléculas na amostra – então se comportam mais como se estivessem em escala nanométrica. O conhecimento adquirido com a pesquisa pode ter implicaçãos para a entrega de drogas, filtração de partículas e aplicações tecnológicas futuras para a exploração espacial.

Outro experimento a bordo da Dragon é uma pesquisa de crescimento de cristais de proteínas focada no projeto e desenvolvimento de drogas. Cultivar cristais de proteínas na microgravidade pode ajudar pesquisadores a evitar alguns dos obstáculos inerentes à cristalização de proteínas na Terra, como sedimentação. Uma pesquisa estudará o efeito da microgravidade na co-cristalização de uma membrana de proteínas para determinar sua estrutura tridimensional. Isso permitirá que cientistas inibam quimicamente, com compostos “projetistas” um caminho biológico humano importante que acredita-se ser responsável por vários tipos de câncer.

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A Dragon permanecerá na ISS até 11 de maio e fará uma amerrissagem no Pacífico, a oeste de Baja California. Ela retornará com mais de 1,5 tonelada de equipamento, ferramentas e amostras de sangue e urina recolhidas durante os 340 dias que passaram na Estação o estadunidense Scott Kelly e o russo Mikhail Korinenko, como parte de uma experiência sem precedentes para estudar os efeitos fisiológicos e psicológicos das estadias prolongadas no espaço.

A ISS é tripulada desde novembro de 2000 e já foi visitada por mais de 200 pessoas e uma variedade de espaçonaves internacionais e comerciais. Há cerca de dez anos, era a vez do brasileiro Marcos Pontes que passou 10 dias na plataforma orbital.

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