Regiões que nunca recebem luz direta do Sol podem reter gelo de água. Processo semelhante já foi observado na Lua e em Mercúrio.

Cientistas da missão Dawn, da NASA, identificaram regiões permanentemente na sombra no planeta anão Ceres. A maioria dessas áreas provavelmente foram frias o bastante para reter gelo de água por um bilhão de anos, sugerindo que depósitos de gelo poderiam existir lá agora.

“As condições em Ceres são certas para acumular depósitos de gelo de água”, disse Norbert Schorghofer, investigador convidado da Dawn na University of Hawaii em Manoa. “Ceres tem apenas massa suficiente para segurar moléculas de água e as regiões permanentemente sombreadas que identificamos são extremamente frias – mais frias que a maioria que existe na Lua ou em Mercúrio.”

Estas regiões não recebem luz solar direta. Tipicamente, estão localizadas no fundo de crateras ou em uma seção da borda da cratera de frente para o polo. Ainda recebem luz solar indireta, mas se a temperatura ficar abaixo de -151 °C, a região é uma “armadilha fria” (cold trap) – um bom lugar para gelo de água se acumular e permanecer estável. Armadilhas frias foram previstas para Ceres não haviam sido identificadas até agora.

 

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Neste estudo, Schorghofer e seus colegas estudaram o hemisfério norte Ceres, que estava melhor iluminado que o sul. Imagens das câmeras da Dawn foram combinadas para produzir a forma do planeta anão, mostrando crateras, planicies e outras características em três dimensões. Usando este input, um sofisticado modelo desenvolvido por computador no Goddard Space Flight Center, da NASA, em Greenbelt, Maryland, foi usado para determinar quais áreas recebem luz solar direta, quanta radiação solar chega à superfície e como as condições mudam ao longo de um ano em Ceres.

Os pesquisadores encontraram dezenas de regiões consideráveis permanentemente na sombra. A maior está dentro de uma cratera de 16 km localizada a menos de 65 km do polo. Juntas, as regiões permanentemente na sombra de Ceres ocupam cerca de 1.800 km², muito menos que 1% da área do hemisfério norte.

A equipe espera que estas regiões sejam mais frias que as em Mercúrio ou na Lua, uma vez que Ceres está mais distante do Sol e elas recebem pouca radiação indireta.

“Em Ceres, estas regiões agem como armadilhas frias a latitudes relativamente baixas”, segundo Erwan Mazarico, investigador convidado da Dawn no Goddard. “Na Lua e em Mercúrio, apenas regiões permanentemente na sombra muito próximas aos polos ficam frias o bastante para o gelo ser estável na superfície.”

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Regiões no hemisfério norte de Ceres propícias ao acúmulo de gelo; chamadas de “armadilhas frias”, elas nunca recebem luz solar direta (Foto:NASA)

A situação em Ceres é mais similar à em Mercúrio que à da Lua no que se trata de fração de área do hemisfério norte e habilidade para acumular água.

Pelos cálculos da equipe, cerca de uma em cada mil moléculas de água geradas na superfície de Ceres ficará retido em uma armadilha fria durante um ano no planeta anão (1.682 dias terrestres) – suficiente para acumular depósitos de gelo finos porém detectáveis em cerca de cem mil anos.

“Enquanto armadilhas frias podem fornecer depósitos de gelo de água como vimos na Lua e em Mercúrio, Ceres pode ter se formado com uma reserva de água relativamente maior”, disse Chris Russell, investigator principal da missão Dawn, na University of California em Los Angeles (UCLA). “Algumas observações indicam que Ceres pode ser um mundo rico em voláteis que não é dependente de recursos externos do dia corrente.”

As descobertas estão disponíveis no Geophysical Research Letters.

A Dawn foi lançada em 27 de setembro de 2007 e passou por Marte em 19 de fevereiro de 2009. Contando sistema de propulsão por íons, explorou o asteroide Vesta de 15 de julho de 2011 a 4 de setembro de 2012 e entrou em órbita de Ceres em 6 de março de 2015. Você pode encontrar informações sobre ela no arquivo do BdA.

A missão Dawn é gerenciada pelo Jet Propulsion Laboratory (JPL, da NASA, em Pasadena, Califórnia) para o Science Mission Directorate da NASA (na capital Washington) e é um projeto do Discovery Program, gerenciado pelo Marshall Space Flight Center (NASA, em Huntsville, Alabama). A UCLA é responsável por toda a ciência da missão. A Orbital ATK Inc. (em Dulles, Virgínia), projetou e construiu a nave. O Deutsches Zentrum für Luft- und Raumfahrt (Centro Aeroespacial Alemão, DLR), o Max-Planck-Institut für Sonnensystemforschung (Instituto Max Planck para Pesquisa do Sistema Solar, MPS), a Agenzia Spaziale Italiana (Agência Espacial Italiana, ASI) e o Istituto Nazionale di Astrofisica, (Instituto Nacional de Astrofísica, INAF) são parceiros internacionais na missão.

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