Kosmonauta foi feito por Mirjam Veske e Nils Eilif Bremdal. Após os exames finais da Escola Norueguesa de Cinema, eles se uniram para este projeto antes da formatura. Trabalharam como designer de produção e cinematógrafo, mas tomaram todas as decisões de direção juntos ao longo do processo de produção. Contaram com o apoio de Thomas Grotmol, editor, Vegard Soldal, designer de som, colegas e amigos.

Este curta-metragem é baseado em uma história supostamente real. No fim dos anos 1950, os radioamadores irmãos italianos Achille e Giovanni Judica-Cordiglia montaram uma estação experimental próximo à cidade de Turin, em um antigo bunker alemão num local chamado Torre Bert. Usando equipamento sucateado e improvisado, eles alegaram ter captado transmissões dos programas Sputnik, soviético, e Explorer, estadunidense.

Uma das gravações mais famosas foi feita em 18 de novembro de 1960: após uma hora de estática, captaram um sinal de SOS que parecia estar se afastando da Terra. A transmissão também foi captada por uma estação de rádio ítalo-suíça.

Em novembro de 1963, gravaram uma cosmonauta na reentrada na atmosfera cuja nave apresentou problemas. Na gravação ela chora e grita dizendo “Estou quente” pouco antes do fim. Este é o momento ilustrado no curta Kosmonauta. A União Soviética nunca admitiu a veracidade da gravação ou mesmo uma missão espacial acontecendo naquele momento. Ainda assim, muitos acreditam que a gravação é real e a história foi acobertada.

Após esta época, Achille tornou-s cardiologista e Giovanni trabalhou para a polícia, realizando escutas telefônicas em investigações criminais. Pretendo abordar os “astronautas fantasmas” em outro post, mas vamos falar brevemente sobre o que os dois “descobriram”.

Ao todo, os irmãos Judica-Cordiglia divulgaram nove gravações ao longo de quatro anos:

  • Maio de 1960: um tripulante relata que sua nave saiu do curso;
  • 28 de novembro de 1960: um fraco sinal de SOS em Morse enviado de espaçonave deixando a órbita do planeta;
  • Fevereiro de 1961: um cosmonauta sufoca até a morte;
  • Abril de 1961: uma cápsula é gravada orbitando a Terra três vezes antes de reentrar na atmosfera apenas dias antes do histórico voo de Yuri Gagarin;
  • Maio de 1961: uma espaçonave em orbita pede ajuda após sair de controle;
  • Outubro de 1961: um cosmonauta perde o controle da nave que segue rumo ao espaço;
  • Novembro de 1962: uma cápsula erra a reentrada e retorna ao espaço;
  • Novembro de 1963: uma cosmonauta morre na reentrada;
  • Abril de 1964: outro cosmonauta falece quando sua capsula queima na reentrada.

Desde os anos 1960, análises críticas das gravações levantam dúvidas sobre a veracidade das mesmas. Transcrições, por exemplo, revelaram que nenhum dos cosmonautas – supostamente pilotos da força aérea soviética – seguiu os protocolos de comunicação, como identificação e terminologia apropriadas. Além disso, todas as gravações contém sentenças desarticuladas  incoerentes e erros gramaticais, contradizendo o fato de que o programa espacial soviético selecionava apenas cosmonautas nativos no idioma e muito bem treinados nele, além de histórico aeronáutico.

Embora algumas gravações mencionem que os cosmonautas estão deixando a orbita da Terra e entrando no “espaço profundo”, as Vostok 3KAs não poderiam atingir a velocidade necessária para tal – seus projetos nunca tiveram unidade secundárias de propulsão. É impossível “vagar para o espaço profundo”sem acionar foguetes com potência suficiente para chegar à velocidade de escape.

Isso era uma das marcas do programa Vostok: colocar cidadão soviéticos na órbita baixa e trazê-los de volta em segurança. A OKB-1 requisitava apenas naves com velocidades para atingir a órbita (aproximadamente 28 mil km/h), bem abaixo do necessário para deixá-la (cerca de 40 mil km/h).

(Unidades de propulsão poderosas o suficiente para deixar a órbita não apareceram até o teste do motor RD-270, em 1969. (E não antes do foguete N1, com motores NK-33, em 1974, os soviéticos construíram uma nave capaz de atingir o espaço além da órbita.)

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