Young voou em seis missões, passando 835 horas no espaço. Astronauta caminhou na Lua em 1972 e comandou primeira missão do Ônibus Espacial, em 1981.

O astronauta John Young, que caminhou na Lua na Apollo 16 e comandou o primeiro voo do Ônibus Espacial, faleceu nesta sexta-feira (05/01/2018) por complicações de um quadro de pneumonia. Ele tinha 87 anos.

“Hoje, a NASA e o mundo perderam um pioneiro”, declarou Robert Lightfoot, Administrador da NASA. “A lendária carreira do astronauta John Young abrangeu três gerações do voo espacial; ainda nos erguemos sobre seus ombros ao olharmos para a próxima fronteira humana.”

“John era um daquele grupo de primeiros pioneiros espaciais cuja bravura e dedicação provocaram os primeiros grandes feitos da nossa nação no espaço. Mas, não satisfeito com isso, suas contribuições práticas continuaram muito depois do último de seus seis voos espaciais – um recorde mundial na época de sua aposentadoria do cockpit.”

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Retrato oficial de astronauta de John Young (Foto: NASA)

“Seria difícil exagerar no impacto que John Young teve no voo espacial tripulado”, disse a ex-astronauta Ellen Ochoa, Diretora do Centro Espacial Johnson. “Além de suas bem conhecidas e revolucionárias seis missões por três programas, ele trabalhou incansavelmente por décadas para compreender e mitigar os riscos que os astronautas da NASA encaram. Ele nos apoiava.”

Antes da NASA  Young nasceu em San Francisco, Califórnia. A família se mudou para Estado da Geórgia e depois para a Flórida, onde ele viveu a maior parte de sua infância com seu irmão mais novo.

Quando garoto, seus passatempos favoritos eram construção de modelos de aviões – a primeira manifestação de sua paixão por aeronáutica – e leitura.

“Meu avô me ensinou a ler”, contou Young. “Li a enciclopédia quando tinha cinco anos.”

Seu pai, um engenheiro civil, foi seu exemplo. Young formou-se na Orlando High School e obteve um diploma em engenharia aeronáutica pela Georgia Tech, onde formou-se com as mais altas honras em 1952.

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Young na missão Gemini 3 (Foto: NASA)

Logo depois, entrou para a Marinha e foi enviado para o treinamento de voo após um anos de serviço em um destróier. Ele pilotou caças por anos e completou o treinamento de piloto de teste e serviu três anos no Centro de Testes Aéreos da Marinha, onde atendeu a um chamado especial.

Em 1961, quando ouviu a proposta ousada do então presidente John Kennedy – pousar um homem na Lua e trazê-lo de volta à Terra em segurança antes do fim da década -, ele sabia exatamente o que fazer.

“Achei que retornar com segurança à Terra parecia uma boa ideia”, disse.

Gemini  A carreira brilhante de John Young na NASA começou em 1962, quando foi selecionado entre centenas de jovens pilotos para a segunda turma de astronautas da agência, conhecida como “The New Nine”.

Em março 1965, fez seu primeiro voo espacial: a Gemini 3, a primeira missão tripulada do programa Gemini, que também contou com Gus Grissom. Mesmo com toda a excitação, o senso de obrigação ainda era mais forte. “Estávamos apenas pensando em fazer o trabalho direito”, ele comentou.

Comandou a Gemini 10, em julho de 1966. Ele e o piloto Michael Collins realizaram manobras da Gemini com dois veículos alvo Agena e Collins fez uma caminhada espacial para recuperar um detector de micrometeoritos de um deles.

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John Young e Mike Collins, tripulantes da Gemini 10, no convés do USS Guadalcanal após a amerrisagem, em 21/06/1966 (Foto: NASA)

A Lua  Em maio de 1969, Young serviu como piloto do Módulo de Comando da Apollo 10 e voou até a Lua com Tom Stafford and Gene Cernan. Eles avaliaram locais de pouso a partir da órbita e fizeram manobras com os Módulos Lunar e de Comando em um ensaio geral para a histórica Apollo 11, que ocorreu dois meses depois.

Ele retornou à Lua como comandante da Apollo 16, em abril de 1972. Com Ken Mattingly na órbita, no Módulo de Comando, Young e o piloto Charlie Duke alunissaram na região de Descartes. A dupla montou equipamento científico e explorou o planalto com um jipe, no qual Young dirigiu mais de 25 quilômetros. A missão trouxe cerca de 100 kg de rochas colhidas em três excursões geológicas.

“A Lua é um lugar muito legal”, disse o astronauta, que aposentou-se da Marinha em 1976 como Capitão. “Quando pousamos, estávamos 20 minutos atrasados. Porque o tempo na Lua era tão precioso, o que me lembro mais é de tentar compensar.”

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John Young na superfície da Lua (Foto: NASA)

Shuttle  O momento de pioneirismo mais notável de sua carreira viria em abril de 1981, ao comandar o Columbia na primeira missão de um Ônibus Espacial, a STS-1. Foi a primeira vez que uma espaçonave tripulada foi testada no espaço sem voos não tripulados prévios. O comandante da missão e o piloto Robert Crippen cumpriram mais de 130 objetivos de teste durante a missão de quase 55 horas.

Em 1983, Young comandou também a primeira missão do Spacelab, também com o Ônibus, STS-9. No voo de 10 dias, seis tripulantes tripulantes trabalharam em mais de 70 experimentos em várias disciplinas científicas. A missão retornou mais dados científicos e técnicos do que os programas Apollo e Skylab juntos.

O céu  Foram 835 horas no espaço, sendo que passou três noites na Lua. E ele ainda fez parte de cinco tripulações de reserva, estando pronto para substituir um colega assim que necessário. John Young foi a única pessoa a ir ao espaço pelas naves Gemini, Apollo e Ônibus Espacial e a primeira a ir ao espaço seis vezes.

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Tripulação da STS-1: John Young e Robert Crippen (Foto: NASA)

Em 1973, foi nomeado chefe da seção do Ônibus Espacial no escritório de astronautas no Centro Espacial Johnson, em Houston. No ano seguinte, tornou-se chefe do escritório – posto que manteve até 1987. Durante todo este tempo, ele permaneceu elegível para comandar missões do Ônibus Espacial.

Recebeu mais de 80 honrarias e prêmios, incluindo quatro títulos honorários de doutor. Em 1988, foi incluído no Hall Nacional da Fama da Aviação. Ao aposentar-se da NASA, em 2004, ele ainda era incapaz de escolher seu momento mais especial nesta trajetória. “Tive sorte, eu acho.”