Parceria entre Brasil e Espanha conta com observatório astrofísico

Telescópio na Espanha envolve mais de 120 pesquisadores de ambos os países. Apesar de pequeno, instrumento possui características únicas para pesquisas estelares e galácticas.

O projeto Javalambre-Photometric Local Universe Survey (J-PLUS)  utiliza um telescópio pequeno para os padrões atuais da pesquisa em Astrofísica, o T-80, com 83 cm de diâmetro, mas com um enorme campo de visão de 2 graus quadrados e um sistema particular de filtros – o que o torna muito importante no futuro dos estudos em Astrofísica.

As características deste instrumento, inicialmente projetado para ajudar na calibração fotométrica de seu irmão maior, o T-250 da colaboração híspano-brasileira J-PAS, permitiram que o J-PLUS se tornasse um projeto próprio, coletando dados importantes sobre os grupos de galáxias mais próximos, estrelas da Via Láctea e objetos no Sistema Solar.

O projeto envolve diretamente várias instituições de ambos os países, principalmnete o Centro de Estudos de Física do Cosmos de Aragon (CEFCA). O Observatório Nacional (ON) é uma das instituições fundadoras do consórcio, cujas observações são feitas no Observatório Astrofísico de Javalambre (OAJ), no Pico del Buitre, na Sierra de Javalambre, próximo à cidade espanhola de Teruel.  Atualmente, o projeto conta com mais de 120 pesquisadores.

Esta pequena jóia tecnológica é equipada com uma câmera panorâmica e um sensor eletrônico (CCD) comparável àquele montado no J-PAS, com 9200 x 9200 pixels e 1 Gpix por observação com todos os filtros. Graças às suas características, o J-PLUS irá observar 8500 graus quadrados do céu visível, o que corresponde a mais de um quinto de toda a esfera celeste. Como o J-PAS, o J-PLUS também tem filtros especiais: 12 filtros permitem selecionar pequenas faixas de comprimentos de onda na região visível, de 3500 a 10000 Angstroms.

Tudo isso transformou o J-PLUS em um dos fotógrafos mais promissores do nosso céu, mapeando mais de 20 milhões de galáxias e um número ainda maior de estrelas da periferia da Via Láctea.

Galáxia  O estudo da Via Láctea é um dos principais objetivos do J-PLUS. Utilizando filtros apropriados e excluindo estrelas já conhecidas, o pequeno telescópio poderá observar em detalhes o halo da Via Láctea e a periferia da galáxia. Desta forma, será possível observar e catalogar os corpos celestes mais distantes e escuros que habitam esta região do céu.

Algumas classes  de estrelas serão privilegiadas nas observações do J-PLUS. As estrelas de RR Lyrae serão as primeiras a serem estudadas por causa de suas cores e, graças a sua variabilidade, será possível deduzir sua distância. Em seguida, será possível construir o gráfico tridimensional da distribuição das famílias estelares e do material interestelar que povoa as regiões observadas do espaço.

As estrelas CVs (Variáveis Cataclismicas C),  também serão estudadas. Este estudo fornecerá evidências dos fenômenos explosivos subjacentes à evolução química do universo.

Um segundo objetivo importante está relacionado ao estudo dos aglomerados de galáxias e sua evolução. Com filtros de banda larga, será possível selecionar o comprimento de onda das emissões de Hα e O2, além de recriar o espectro de distribuição de energia das galáxias mais próximas.

Grupos locais de galáxias também estão entre os principais objetivos. Dada a ausência de galáxias maiores, o estudo desses grupos nos permite entender melhor como eles evoluíram de forma tão diferente uns dos outros.

Telescópio T-80 (J-Plus)

O J-PLUS também terá a oportunidade de investigar mais profundamente, examinando as regiões mais escuras do espaço, regiões do céu escondidas pelo brilho intenso do halo das galáxias observadas. Neste contexto, a pesquisa sobre a taxa de formação estelar (SFR), será grandemente benecifiada. Por meio do uso de filtros especiais, por exemplo centrados na linha de Balmer do Hidrogênio (Hα), J-PLUS será capaz de estimar a SFR e avaliar a distribuição tanto de um ponto de vista global quanto espacial (modelos 2D).

Pesquisa  Os primeiros resultados científicos serão publicados num volume especial da Astronomy & Astrophysics no próximo mês e vários dos trabalhos já estão disponíveis aqui.

Além do J-PAS e J-PLUS, a colaboração entre a Espanha e o Brasil visa ampliar a região do céu analisada, ativando um gêmeo do J-PLUS no hemisfério sul, no observatório Cerro Tololo, Chile, chamado S-PLUS. Os dois poderão cobrir quase toda a esfera celeste observável expandindo os dados coletados e comparando as duas regiões do céu com equipamentos com as mesmas especificações.

Com estes dois telescópios trabalhando conjuntamente, o J-PLUS pode dar respostas a algumas questões importantes da Astrofísica atual. A intenção de criar o maior catálogo de grupos de estrelas e grupos de galáxias, bem como estudar a distribuição desses aglomerados e suas propriedades físicas serão de grande ajuda para o estudo dos fenômenos relacionados à expansão do universo e às questões relacionadas à Matéria Escura.

Em 17 de julho, a colaboração J-PLUS tornou público o acesso a 1000 graus quadrados de observação. Com isso, muitos grupos de pesquisa em todo mundo já podem se beneficiar de dados de altíssima qualidade obtidos por esse instrumento.

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