Lançamento foi adiado por um dia. Missão planejada a décadas foi batizada em homenagem a físico que teorizou vento solar.

Nesta madrugada, a Sonda Solar Parker (PSP), da NASA, foi lançada por um foguete Delta IV Heavy, da United Launch Alliance (ULA). O lançamento ocorreu no Complexo de Lançamento Espacial (SLC) 37 da Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral às 4h31 de Brasília. Às 6h33, o gerente de operações da missão relatou que a nave estava saudável e operando normalmente.

Na madrugada anterior, a sequência de lançamento foi interrompida durante a chamada final dos controladores do lançamento (go / no go) a poucos minutos do acionamento dos motores.

Lançamento da Sonda Solar Parker (NASA / YouTube)
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A PSP, do tamanho de um carro pequeno, transmitirá suas primeiras observações científicas em dezembro, iniciando uma revolução em nossa compreensão de nossa estrela. As descobertas ajudarão os pesquisadores a melhorar as previsões do clima espacial, que pode prejudicar satélites e astronautas em órbita e transmissões de rádio e, em situações mais severeas, sobrecarregar linhas de energia.

“Esta missão verdadeiramente marca a primeira visita da humanidade a uma estrela que terá implicações não apenas aqui na Terra, mas como melhor compreendemos o universo”, disse Thomas Zurburchen, administrador associado da Diretoria de Missões Científicas da NASA. “Realizamos algo que, décadas atrás, estava apenas no mundo da ficção científica.”

“O lançamento de hoje foi a culminação de seis décadas de estudo científico e milhões de horas de esforço”, comentou o gerente de projeto Andy Driesman, do Laboratório de Física Aplicada (APL) da Universidade Johns Hopkins (JHU), em Laurel, Maryland. “Agora, a Sonda Solar Parker está operando normalmente e a caminho de iniciar sua missão de sete anos de ciência extrema.”

Vivendo com uma estrela  Durante a primeira semana de sua jornada, a nave abrirá a antena de alto ganho e o magentômetro. Também ocorrerá a primeira de duas partes da abertura das antenas de campo elétrico. Testes de instrumentos começarão no início de setembro e durarão cerca de quatro semanas, apos as quais a PSP iniciará as operações científicas.

No início de Outubro, a nave passará por Vênus para uma manobra assistência gravitacional, que fará com que a nave mude sua trajetória ao redor do planeta e aproxime sua órbita do Sol. Assim, no início de novembro, ela passará a cerca de 24 milhões de quiloômetros da estrela, dentro da coroa – mais próximo que qualquer objeto humano na história.

Em sua missão de sete anos, serão mais seis passagens por Vênus e um total de 24 passagens pelo Sol, cada vez mais próxima dele, até chegar a 6,1 milhões de quilômetros. Neste ponto, a sonda estará a 713 milhões de km/h e será o objeto humano mais rápido da história.

A Sonda Solar Parker pesquisará a coroa para resolver mistérios antigos, porém fundamentais, sobre nossa estrela. Como a coroa é mais de 300 vezes mais quente que a supefície solar? O que move o Vento solar supersônico, um fluxo constante de material solar soprado por todo o Sistema Solar? E o que acelera as partículas energéticas solares, que podem chegar a mais da metade da velocidade da luz?

Cientistas fazem estas perguntas há mais de 60 anos, mas só agora a tecnologia permite enviar uma sonda para a atmosfera solar para obter informações que possam ajudar a respondê-las.

Dr. Eugene Parker assiste ao lançamento da PSP (NASA / JHU APL / Lee Hobson / YouTube)
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“Explorar a coroa do Sol como uma espaçonave tem sido um dos desafios mais difíceis para a exploração espacial” comentou Nicola Fox, cientista de projeto no APL. “Finalmente seremos capazes de responder questões sobre a coroa e o vento solar levantadas por Gene Parker em 1958 – usando uma espaçonace que leva seu nome – e não posso esperar para ver as descobertas que faremos. A ciência será memorável.”

A sonda carrega quatro conjuntos de instrumentos projetados para estudar campos magnéticos, plasma e partículas energéticas e capturar imagens do vento solar. Eles são liderados pela Universidade da Califórnia de Berkeley, o Laboratório de Pesquisa Naval, em Washington, a Universidade de Michigan de Ann Arbor e a Universidade de Princeton, em Nova Jersey

A PSP é parte do programa Vivendo com uma Estrela, da NASA, para explorar os aspectos do sistema Sol-Terra que afetam a vida e a sociedade diretamente. O programa é gerenciado pelo Centro de Voo Espacial Goddard, da agência, em Greenbelt, Maryland, para a Diretoria de Missões Científicas da NASA, na capital Washington. O APL projetou, construiu e opera a nave.

Eugene  A missão foi batizada em homenagem ao físico Eugene Parker, que teorizou a existência do vento solar em 1958. É a primeira missão da NASA cujo nome homenageia um pesquisador vivo.

Uma placa dedicando a missão a Parker foi instalada na sonda em maio. Ela inclui uma citação do físico, “Vamos ver o que está à frente”, e um cartão de memória com mais de 1,1 milhão de nomes enviados pelo público.

Eugene Parker no Parker Workshop on Magnectic Reconnection, no INPE, em São José dos Campos, SP, em março de 2014 (INPE)

“Trabalhei no início desta missão quando passei um ano no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) de Pasadena. Depois, a missão passou a ser gerenciada pelo Applied Physics Lab (APL) e ganhou o nome de Eugene Parker”, disse Walter Gonzalez, pesquisador da Divisão de Geofísica Espacial do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) desde 1969.

Gonzalez e Parker lançaram juntos o livro Reconexão Magnética, que dá uma visão geral das pesquisas recentes nas principais áreas de aplicação da reconexão magnética, incluindo ciência planetária, física solar, magnetosfera e astrofísica. “Em um dos capítulos, discutimos exatamente sobre o aquecimento da coroa solar pelo processo de reconexão magnética”, disse o pesquisador do INPE.

Em 2014, o INPE recebeu Parker durante um workshop sobre reconexão magnética e homenageou o cientista.