Sonda estudará interior do planeta e tem chegada marcada para 26 de novembro. Verificação de instrumentos foi bem-sucedida; foi tirada foto no interior da cápsula.

A sonda InSight (abreviação de Exploração Interior Usando Investigações Sísmicas, Geodésia e Transporte de Calor), da NASA, cumpriu a marca da metade de sua viagem até o planeta em 6 de agosto. Todos os seus instrumentos foram testados e estão funcionando bem.

Em 20 de agosto, a InSight já havia coberto 277 milhões de quilômetros desde o lançamento, em 5 de maio. Em 26 de novembro, após mais 208 mi km, ela pousará na região marciana de Elysium Planitia para ser a primeira missão a estudar o interior do planeta.

A equipe da sonda usa o tempo antes da chegada a Marte para planejar e praticar suas atividades para o dia crítico e ativar e verificar os subsistemas da nave vitais para a viagem, o pouso e as operações na superfície, incluindo os instrumentos científicos altamente sensíveis.

“Fizemos nossas verificações de performace finais em 19 de julho, que foram bem sucedidas”, disse Bruce Banerdt, investigador principal da InSight no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), da NASA, em Pasadena, Califórnia.

O sismômetro da InSight, que será usado para detectar tremores em Marte, recebeu um atestado de saúde limpo em 19 de julho. O instrumento, chamado Experimento Sísmico para Estrutura Interior (SEIS), é um sismômetro de seis sensores combinando dois tipos de sensores para medir os movimentos do solo em uma ampla gama de frequências. Ele dará aos cientistas uma janela para a atividade interna de Marte.

A equipe também verificou um instrumento que medirá a quantidade de calor escapando de Marte. Após ser colocado na superfície, o Pacote de Fluxo de Calor e Propriedades Físicas (HP3) usará uma toupeira mecânica automartelante para cavar de 3 a 5 metros. Medidas por sensores na toupeira e em um cabo científico ligando-a à superfície produzirão a primeira determinação precisa do calor escapando do interior do planeta.

A checagem do HP3 consistiu da energização de sua eletrônica principal, verificações de seus elementos sensores, exercícos com alguns dos aquecedores internos do instrumento e leitura das configurações armazenadas no módulo de eletrônica.

A terceira das três principais investigações da InSight, o Experimento de Rotação e Estrutura Interior (RISE), usa a conexão de rádio da espaçonave com a Terra para avaliar perturbações no eixo de rotação de Marte. Estas medidas podem fornecer informações sobre o núcleo do planeta.

“Temos usado o rádio da espaçonave desde o dia do lançamento e nossas conversas com a InSight têm sido muito cordiais, então estamos bem com o RISE também”, comentou Banerdt.

Exposição de 24 segundos feita pela Instrument Context Camera (ICC) da sonda InSight a caminho de Marte mostrando alguns detalhes do interior da cápsula contendo a sonda (NASA/JPL-Caltech)

As câmeras da sonda também foram verificadas e funcionaram bem. Foi tirada uma selfie dentro da cápsula contendo a InSight.

“Se você é um engenheiro na InSight, aquele primeiro vislumbre da manta de proteção térmica, amarrações de cablagens e parafusos de cobertura é uma visão muito reconfortante por nos dizer que nossa Câmera de Contexto de Instrumentos [ICC] está operando perfeitamente. A próxima foto que planejamos tirar com esta câmera será na superfície de Marte”, disse Tom Hoffman, gerente de projeto da InSight no JPL.

Se tudo correr como planejado, a câmera fará a primeira imagem de Elysium Planitia minutos após o pouso da Inisght.

O JPL gerencia a missão para a Diretoria de Missões Científicas da NASA. A InSight é parte do programa Descoberta, da agência, gerenciado por seu Centro de Voo Espacial Marshall, em Huntsville, Alabama. A espaçonave, incluindo o estágio de cruzeiro e o lander, foi construida e testada pela Lockheed Martin Space, em Denver, Colorado.

A missão conta com parceiros europeus, como o Centro Nacional de Estudos Espaciais (CNES) francês, e o Centro Aeroespacial Alemão (DLR). O CNES forneceu o sismômetro SEIS, com contribuições importantes do JPL, do Instituto Max Planck para Pesquisa do Sistema Solar (MPS), na Alemanha, do Instituto Suíço de Tecnologia (ETH), da Faculdade Imperial e da Universidade de Oxford, do Reino Unido. O HP3 foi fornecido pelo DLR.