Viagens tripuladas à Lua devem ocorrer “antes do fim da próxima década”. Agência planeja enviar astronautas para estação orbital em 2024.

Nesta semana, a NASA anunciou seu plano para retornar à Lua. E ele inclui uma base permanente para viagens espaciais mais longas. Não há apenas interesse em uma missão tripulada até o fim da década seguinte, mas também foram detalhado o ambicioso projeto de uma estação espacial orbitando o satélite – a Lunar Orbital Platform-Gateway.

“Estamos nos preparando para uma visita ao nosso satélite. Mas, desta vez, será diferente. O objetivo não será deixar pegadas. Acreditamos que este é o momento ideal para estabelecermos uma presença permanente na Lua”, afirmou o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence.

“Os astronautas da NASA vão explorar a superfície lunar antes do fim da próxima década. E, desta vez, vamos ficar. E sairemos para Marte. E iremos além.”, afirmou a agência em comunicado. “Estamos criando um sistema de exploração do Século 21. Acessível, confiável, versátil e seguro.”

Para chegar até a Lua, a NASA contará com a Orion, uma cápsula três vezes maior que a Apollo, permitindo que quatro astronautas viajem nela por vez.

O veículo será equipado com painéis solares e os motores da cápsula quanto do módulo lunar serão movidos a metano líquido. Por metano ser um gás presente na atmosfera de Marte, cientistas acreditam que um dia os astronautas possam usá-lo abastecer a nave em solo marciano.

Lua  Com a base orbital lunar estabelecida, a NASA planeja que os astronautas fiquem por até seis meses. Ao mesmo tempo, essa longa permanência funciona como teste para viagens espaciais mais longas.

Outros países e empresas privadas também  têm projetos de exploração lunar. No fim do ano passado, Elon Musk divulgou a ideia de criar uma base lunar como entreposto para uma viagem a Marte. Segundo ele, seriam necessários cinco anos para o projeto sair do papel.

Em julho, um grupo privado israelense anunciou seu plano de um lançamento não-tripulado para a Lua. A China também tem um programa espacial voltado para o satélite, criado em 2007, com o objetivo de colocar um homem na Lua entre 2025 e 2030.

Segundo anunciou a NASA nesta segunda-feira (27/08/2018), o primeiro passo para sua missão será um lançamento previsto para 2023: um voo tripulado vai “contornar” a Lua e retornar para a Terra.

“Durante esta missão, teremos uma série de testes previstos para demonstrar funções críticas – desempenho do sistema, interfaces de tripulação e navegação e orientação espacial”, afirmou Bill Hill, do Desenvolvimento de Sistemas de Exploração da NASA. “O mesmo ocorreu com os programas Mercury, Gemini e Apollo: construíram e demonstraram suas capacidades com uma série de missões.”

Cerca de um ano antes, a Gateway deve começar a ser construída, ainda sem tripulantes. Em 2024, a estação orbital já deve estar pronta para receber os primeiros astronautas.

A Gateway terá três componentes principais: um módulo de habitat para a tripulação, um setor para fornecimento de energia e propulsão e uma câmara onde as espaçonaves possam ser acopladas.

Marte  Greg Williams, da Divisão de Exploração e Operações Humanas da agência, afirmou que “se conduzirmos uma missão tripulada ao longo de um ano na estação orbital, teremos conhecimento para enviar astronautas para Marte em uma viagem de mil dias”.

Não é de hoje que cientistas apontam que o melhor caminho para Marte incluiria esta passagem pela Lua. A estação orbital, portanto, funcionaria não só como um ponto de pesquisas e testes mas também como um entreposto para reabastecimento e ajustes rumo ao planeta vermelho.

Desde o governo Barack Obama, os Estados Unidos fixaram a meta de chegar a Marte, no máximo, até a década de 2030. Em 2017, o presidente Donald Trump afirmou que o homem deveria voltar a pisar na Lua antes do fim de seu segundo mandato, se ele for reeleito. O segundo mandato de Trump acabaria em 2024.

Força Espacial  Ele tem recebido críticas de militares e até mesmo de republicanos pela ideia de criar uma força militar para o espaço. Ele anunciou a Força Espacial dos Estados Unidos, que seria criada a partir do Comando Espacial da Força Aérea, em junho.

A maior crítica é porque os Estados Unidos são signatários do Tratado do Espaço Sideral, um acordo firmado em 1967 que prevê a exploração espacial de forma pacífica e não armamentista.